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Uso de inteligência artificial cresce nas empresas, mas governança exige atenção

A inteligência artificial está cada vez mais presente nas empresas brasileiras, mas sua expansão também traz desafios à governança.
Imprensa | 23/10/2026

A inteligência artificial (IA) está cada vez mais presente nas empresas brasileiras, mas sua expansão também traz desafios relacionados à gestão, à definição de responsabilidades e ao controle dos riscos. Segundo a pesquisa TIC Empresas 2025, a proporção de empresas brasileiras com dez ou mais pessoas ocupadas que utilizam IA passou de 13%, em 2024, para 17%, em 2025. Entre as grandes empresas, com 250 ou mais pessoas ocupadas, o percentual avançou de 38% para 50%.

O levantamento é realizado pelo Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br), departamento do Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br), que implementa decisões e projetos do Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br). Criado em 2005, o Cetic.br produz indicadores sobre tecnologias digitais e atua, desde 2012, como Centro de Categoria 2 sob os auspícios da UNESCO.

Para Leonardo Fabris Lugoboni, professor e pesquisador da Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado (FECAP), a expansão da tecnologia exige atenção à evolução das estruturas de governança. “Adotar inteligência artificial não significa apenas incorporar novas ferramentas. É necessário compreender como essas tecnologias afetam os processos decisórios, quais riscos estão envolvidos e quem deve responder pelos resultados de sua utilização.”

Governança ainda enfrenta desafios

O AI Index Report 2026, elaborado pelo Stanford Institute for Human-Centered Artificial Intelligence, da Universidade Stanford, reúne pesquisas internacionais sobre o desenvolvimento e a utilização da IA. Segundo os levantamentos apresentados no relatório, a proporção de organizações pesquisadas sem políticas de inteligência artificial responsável diminuiu de 24%, em 2024, para 11%, em 2025.

Apesar desse avanço, a implementação das práticas de governança ainda enfrenta obstáculos. Entre os desafios identificados estão lacunas de conhecimento, apontadas por 59% dos respondentes, limitações orçamentárias, mencionadas por 48%, e incertezas regulatórias, citadas por 41%. Esses resultados internacionais não representam especificamente a realidade das empresas brasileiras.

“A existência de uma política não garante, por si só, que a governança esteja funcionando. É necessário definir responsabilidades, estabelecer mecanismos de supervisão e acompanhar os riscos e os resultados da utilização da inteligência artificial”, explica Lugoboni.

Contratação de ferramentas exige atenção aos riscos

A pesquisa TIC Empresas 2025 também mostra que, entre as empresas brasileiras que utilizam IA, 80% adquiriram softwares ou sistemas prontos, enquanto 60% contrataram fornecedores externos para desenvolver ou adaptar soluções. As modalidades não são excludentes, pois uma organização pode adotar diferentes estratégias de aquisição e desenvolvimento.

Embora a contratação de soluções possa facilitar a incorporação da tecnologia, ela também exige cuidados relacionados à proteção de informações, à qualidade dos resultados, à dependência de fornecedores e à integração com os processos internos. “Contratar uma ferramenta não elimina a responsabilidade da empresa sobre sua utilização. É necessário compreender suas limitações, estabelecer critérios de validação e definir quem acompanha os riscos e os resultados gerados.”

Governança e capacitação precisam acompanhar a tecnologia

Além dos investimentos em sistemas, a adoção da inteligência artificial exige preparar os profissionais para compreender suas possibilidades e limitações. Para o professor da FECAP, a capacitação deve incluir não apenas o uso operacional das ferramentas, mas também a avaliação crítica dos resultados e a identificação de situações que exigem supervisão humana.

A organização também precisa estabelecer critérios proporcionais aos riscos de cada aplicação. Ferramentas utilizadas em tarefas administrativas podem exigir controles diferentes daqueles necessários para sistemas que influenciam decisões financeiras, comerciais ou relacionadas à gestão de pessoas.

“A questão não é criar controles que dificultem a inovação, mas estabelecer mecanismos que permitam inovar com responsabilidade. A empresa precisa saber quais resultados pretende alcançar, quais riscos está disposta a assumir e como acompanhar suas decisões.”

Na avaliação de Lugoboni, a maturidade organizacional na utilização de inteligência artificial deve considerar não apenas a quantidade de ferramentas adotadas ou os investimentos realizados, mas principalmente a capacidade de integrar tecnologia, estratégia, pessoas e governança.

O especialista: Leonardo Fabris Lugoboni é doutor em Administração pela Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo (FEA-USP). É professor da graduação e do mestrado da Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado (FECAP) e atua como pesquisador e consultor nas áreas de estratégia, indicadores de desempenho e governança corporativa.

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