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Confira o boletim CECON FECAP de Agosto de 2026

Boletim CECON FECAP reúne um conjunto de dados disponíveis para o Estado de São Paulo e sua capital.
Centro de Estudos em Conjuntura Econômica (CECON) | 05/10/2026

Este boletim reúne um conjunto de dados disponíveis para o Estado de São Paulo e sua capital, além das principais notícias, com o intuito de ajudar na compreensão da situação econômica da região e na formação de expectativas entre empresários e consumidores.

Os dados de julho mostram que as atividades econômicas seguem a trajetória observada em 2025: queda na produção industrial e no comércio, em contraste com o crescimento nos serviços. Na variação acumulada em 12 meses, a atividade produtiva agregada diminuiu em relação ao registrado no mês anterior.

Já os dados de agosto demonstram que o emprego formal e o salário médio de admissão aumentaram. No acumulado em doze meses, a inflação diminuiu pela terceira vez consecutiva. Em relação ao mesmo mês do ano anterior, o percentual de famílias endividadas aumentou, mas o percentual daquelas com contas em atraso e sem condições de pagar suas dívidas diminuiu. Ademais, a intenção de consumo das famílias aumentou, enquanto o interesse em expandir o comércio diminuiu.

Ainda com base nos dados de agosto, o nível de confiança dos consumidores aumentou, ao passo que o dos empresários do comércio diminuiu. Já os dados de setembro mostram que o nível de confiança dos empresários da indústria ficou estável.

Notícias de Agosto – Referência para os Dados

O Acordo Mercosul-Singapura, que entrou em vigor em 1º de agosto de 2026, garante tarifa zero para 100% das exportações brasileiras destinadas ao país asiático e prevê a redução ou eliminação gradual de barreiras comerciais entre Singapura e os países do bloco sul-americano. Além de ampliar o acesso ao mercado de serviços, incentivar investimentos e estabelecer regras comuns para as operações comerciais, o acordo incorpora um capítulo sobre comércio eletrônico, considerado inédito em negociações do Mercosul com parceiros extrarregionais. Singapura foi o principal destino das exportações do Brasil para a Associação das Nações do Sudeste Asiático (Asean) em 2025, quando a corrente de comércio bilateral alcançou US$ 10,7 bilhões, com superávit comercial de US$ 4,1 bilhões.

O governo federal regulamentou a aplicação de R$ 13,5 bilhões em linhas de crédito do Plano Brasil Soberano para apoiar empresas afetadas pelo aumento de tarifas dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros e pelos impactos de conflitos internacionais, especialmente no Oriente Médio. Do total, R$ 5 bilhões serão destinados a exportadores e fornecedores prejudicados pelo tarifaço norte-americano, enquanto R$ 3,5 bilhões apoiarão empresas com exposição comercial aos países do Golfo Pérsico. Os R$ 5 bilhões restantes serão direcionados a setores considerados estratégicos, incluindo a produção de fertilizantes (R$ 2 bilhões), a cadeia de minerais críticos (R$ 2 bilhões) e outros segmentos industriais relevantes para o comércio exterior (R$ 1 bilhão). Os recursos poderão financiar capital de giro, aquisição de máquinas e equipamentos, ampliação da capacidade produtiva, inovação tecnológica e adaptação de produtos e processos às novas condições de mercado.

A Petrobras anunciou uma mudança na fórmula de cálculo do preço do gás natural vendido às distribuidoras, com o objetivo de reduzir a volatilidade dos reajustes provocados pelas oscilações do mercado internacional de petróleo. O novo mecanismo cria bandas de referência para o preço do barril Brent, funcionando como um piso e um teto capazes de suavizar repasses ao mercado doméstico. Como resultado, o reajuste para agosto foi estimado em cerca de 6%, significativamente inferior ao aumento de 22% que ocorreria pela metodologia anterior. A medida tende a ampliar a previsibilidade de custos para distribuidoras, empresas e consumidores que utilizam gás natural, reduzindo os impactos inflacionários de choques externos sobre a cadeia produtiva.

O Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) aprovou o aumento da mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina de 30% para 32% por um período de 180 dias, com possibilidade de prorrogação. A medida busca reduzir a dependência brasileira de combustíveis importados, com estimativa de evitar a importação de cerca de 900 milhões de litros de gasolina por ano, além de contribuir para uma redução de aproximadamente R$ 0,03 por litro no preço da gasolina ao consumidor.

O Comitê de Política Monetária (Copom) reduziu a taxa Selic de 14,25% para 14,0% ao ano, na quarta queda consecutiva dos juros básicos da economia. A decisão foi justificada pelo processo de desaceleração da inflação e pela expectativa de convergência do IPCA para o redor da meta, em um contexto de redução do crescimento da atividade econômica, embora com o mercado de trabalho ainda aquecido.

O Governo Federal iniciou a operação do Desenrola Adimplentes, modalidade voltada a trabalhadores informais com bom histórico de pagamento, que permite a substituição de dívidas mais caras por empréstimos de até R$ 15 mil com juros de até 1,99% ao mês. A iniciativa amplia o escopo do programa Desenrola, originalmente criado para a renegociação de dívidas de inadimplentes, e busca melhorar as condições de crédito para famílias que mantêm suas obrigações financeiras em dia. Segundo o governo, o programa Desenrola já beneficiou 7,5 milhões de famílias.

Dados do Comitê Nacional de Secretários de Fazenda (Comsefaz), com base em estatísticas do Banco Central, indicam que as famílias perderam R$ 62,5 bilhões líquidos com apostas em 2025, valor equivalente a 0,68% da renda nacional disponível bruta das famílias, enquanto as plataformas movimentaram cerca de R$ 351 bilhões em transações via Pix. Em resposta aos efeitos sociais e financeiros do setor, o governo ampliou as restrições ao acesso às apostas, totalizando mais de 5 milhões de brasileiros impedidos de jogar, incluindo 3 milhões de beneficiários do Bolsa Família e do Benefício de Prestação Continuada (BPC), 1,2 milhão de pessoas que aderiram voluntariamente à autoexclusão e cerca de 800 mil participantes do Desenrola, que ficam temporariamente impedidos de apostar.

Atividade Econômica

Em comparação aos demais entes federativos, o varejo paulista registrou, até julho, a maior queda no volume de vendas frente ao mesmo período do ano anterior. Uma queda igual, na mesma base de comparação, ocorreu em julho de 2025.

Em julho de 2026, o volume de vendas no comércio varejista ampliado no Estado de São Paulo, medido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), registrou queda de 0,1% em relação ao mesmo mês do ano anterior, em contraste com o crescimento de 1,8% na média do Brasil.

Entre as subcategorias analisadas pelo IBGE, os maiores avanços ocorreram em veículos, motocicletas, partes e peças (+9,6%) e em artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos (+6,9%). Por outro lado, os piores desempenhos foram observados no setor de equipamentos e materiais para escritório, informática e comunicação (-16,0%), de atacado especializado em produtos alimentícios, bebidas e fumo (-10,2%) e de eletrodomésticos (-8,2%).

No acumulado de janeiro a julho, o volume de vendas do comércio varejista ampliado paulista caiu 2,9%, ao passo que, na média do País, observou-se uma alta de 1,9%. As maiores variações positivas ocorreram em Pernambuco (+9,2%), em Tocantins (+8,2%) e no Distrito Federal (+7,3%). São Paulo apresentou o pior resultado, seguido pelo Piauí (-0,2%).

No varejo paulista, os maiores avanços ocorreram nos setores de equipamentos e materiais para escritório, informática e comunicação (+8,0%) e de tecidos, vestuário e calçados (+7,1%). Por outro lado, os piores resultados ocorreram no atacado especializado em produtos alimentícios, bebidas e fumo (-14,6%) e em móveis (-8,5%).

Em comparação aos demais entes federativos, o Estado de São Paulo ficou na sexta posição em termos de taxa de crescimento do volume de serviços, no acumulado até julho, ante igual período do ano anterior. Um resultado pior, na mesma base de comparação, foi observado pela última vez em julho de 2023 (+0,9%).

Em julho de 2026, o volume de serviços no Estado de São Paulo, medido pelo IBGE, registrou alta de 0,8% em relação ao mesmo período do ano anterior. A média do País foi de +0,9%. O destaque ficou para o setor de serviços de informação e comunicação (+4,1%). Já as atividades turísticas caíram 3,5% nesse período, mais do que o observado no País (-1,6%).

No acumulado de janeiro a julho, o volume de serviços prestados subiu 3,5%. A média do País foi de +1,9%. As maiores variações positivas ocorreram no Distrito Federal (+9,2%), em Roraima (+6,8%) e no Amapá (+6,1%), enquanto as maiores variações negativas ocorreram em Tocantins (-5,5%) e no Amazonas e Ceará (ambos com -4,5%). Já as atividades turísticas em São Paulo recuaram 1,3% nesse período.

No acumulado até julho, a produção industrial paulista registrou queda frente ao mesmo período do ano anterior. No entanto, o recuo foi menor que o observado no acumulado até julho de 2025 (-1,8%).

Em julho de 2026, a produção industrial no Estado de São Paulo, medida pelo IBGE, registrou queda de 2,7% em relação ao mesmo mês do ano anterior. Já a produção nacional caiu 0,5%, na mesma base de comparação. As indústrias extrativas cresceram 1,4%, enquanto a indústria de transformação diminuiu 2,8%.

Na indústria de transformação, os principais resultados positivos ocorreram nos setores de fabricação de bebidas (+5,4%), de veículos automotores, reboques e carrocerias (+4,0%) e de coque, de produtos derivados do petróleo e de biocombustíveis (+2,4%). Já as maiores quedas ocorreram nos setores de fabricação de produtos farmoquímicos e farmacêuticos (-29,9%), de outros equipamentos de transporte, exceto veículos automotores (-9,5%) e de confecção de artigos do vestuário e acessórios (-9,5%).

No acumulado de janeiro a julho, a produção industrial caiu 1,1%. Já a produção nacional registrou alta de 1,1%, na mesma base de comparação. Os maiores resultados positivos na produção industrial foram observados no Espírito Santo (+19,3%), em Pernambuco (+16,5%) e no Rio de Janeiro (+6,8%), enquanto os maiores resultados negativos ocorreram no Rio Grande do Norte (-12,4%), no Maranhão (-6,2%) e na Bahia (-4,9%). O resultado das indústrias extrativas em São Paulo foi de -0,8%, enquanto o da indústria de transformação foi de -1,1%.

O Índice de Atividade Econômica Regional do Banco Central (IBCR), que mede a evolução conjunta dos setores produtivos da economia (comércio, serviços, indústria e agropecuária), é divulgado mensalmente pelo Banco Central (BC) e ajuda na definição da taxa básica de juros pelo Comitê de Política Monetária (Copom). Ele também serve como “prévia” do PIB, embora tenha uma metodologia diferente.

Em comparação com o mesmo mês do ano anterior (julho de 2025), a atividade econômica no Estado de São Paulo subiu 0,1%.

Já no acumulado em 12 meses, o crescimento no Estado foi de 0,4%, bem abaixo da média nacional de 1,5%. Entre os outros 16 estados pesquisados, as maiores altas foram observadas no Rio de Janeiro (+4,6%), no Mato Grosso do Sul e no Espírito Santo(ambos com +4,0%), enquanto as menores variações ocorreram no Mato Grosso (-0,6%), no Amazonas (+0,5%) e no Pará (1,0%). Assim, São Paulo apresentou o segundo pior resultado no período.

Os dados sobre a produção do comércio, dos serviços e da indústria, apresentados pelo IBGE, bem como o IBCR do Banco Central, referem-se a julho de 2026 e, portanto, ainda não refletem os acontecimentos apresentados no início deste Boletim.

Emprego

Em relação ao mês anterior, o emprego formal e o salário médio aumentaram no Estado de São Paulo.

Com base no Novo Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), em agosto de 2026, o emprego formal no Estado de São Paulo apresentou saldo positivo de 42.533 postos de trabalho, o que representou um aumento de 0,29% no estoque em relação ao mês anterior, resultado inferior à média do Brasil, de +0,34%.

Os maiores aumentos ocorreram na Paraíba (+1,59), no Amapá (+1,38) e no Rio Grande do Norte (+0,92), ao passo que Rondônia (-0,31%), Rio Grande do Sul (-0,06%) e Espírito Santo (-0,03%) apresentaram variações negativas.

Na divisão por grupos, o saldo de postos de trabalho foi maior entre as mulheres (+25.896), entre as pessoas de 18 a 24 anos (+25.115) e entre aquelas com ensino médio completo (+21.961). Vale também destacar a redução do saldo para as pessoas acima de 50 anos (-3.725).

Na divisão por setores, os destaques ocorreram no transporte rodoviário de carga (+5.193), na educação infantil e ensino fundamental (+4.211), na educação superior (+2.209) e nas atividades de teleatendimento (-2.444).

Por fim, o salário médio de admissão aumentou 1,03% e atingiu R$2.725,54, em contraste com a queda de 0,03% observada na média do País.

No acumulado do ano, o estoque de emprego formal no Estado de São Paulo cresceu 2,13% e, nos últimos 12 meses, 1,19%, resultados menores do que os observados na média do País, 2,41% e 1,87%, respectivamente.

Inflação

A inflação acumulada em 12 meses em São Paulo caiu pelo terceiro mês consecutivo, embora tenha permanecido acima da média observada no Brasil.

Segundo o IBGE, em agosto de 2026, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) da Região Metropolitana de São Paulo (RMSP), que reflete a variação no custo de vida das famílias com rendimentos de 1 a 40 salários mínimos (SMs), caiu 0,22% em relação ao mês anterior. Para o País, a variação no custo de vida foi de -0,32%.

Entre produtos não alimentícios com as maiores quedas de preços, destacam-se passagem aérea (-8,10%), energia elétrica residencial (-7,42%) e transporte por aplicativo (-6,51%). Os produtos alimentícios que tiveram as maiores reduções de preços foram tomate (-17,83%), batata-inglesa (-17,64%) e ovo de galinha (-10,14%).

Por outro lado, entre produtos não alimentícios, houve forte encarecimento do cigarro (+22,08%), destacando-se também as altas de preços do televisor (+3,26%) e do computador pessoal (+2,98%). Já entre os produtos alimentícios que ficaram mais caros, destacam-se o limão (+55,12%), o pimentão (+7,39%), o peixe-salmão (+3,91%), o iogurte e as bebidas lácteas (+2,92%) e o vinagre (+2,86%).

Em razão do conflito no Oriente Médio, vale também destacar a variação dos preços dos combustíveis. O etanol teve uma redução de 4,64%, o óleo diesel de 1,52% e a gasolina de 1,24%, enquanto o gás de botijão apresentou um aumento de 0,68%.

No mesmo mês do ano anterior (agosto de 2025), o IPCA apresentou alta de 0,10%. Já nos últimos 12 meses, registrou aumento de 4,48%. Os destaques ficaram para passagem aérea (+41,54%), feijão-carioca (+38,80%), cigarro (+21,86%), contrafilé (+15,07%), açúcar refinado (-19,95%), café moído (-18,72%), azeite de oliva (-17,32%), ovo de galinha (-12,16%), peixe-merluza (-8,52%) e farinha de trigo (-7,99%).

Na média nacional, o IPCA subiu 4,22% e, portanto, ficou abaixo do teto da meta de inflação de 4,5% ao ano estabelecido pelo Banco Central.

Já o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), da RMSP, que reflete a variação no custo de vida das famílias com rendimentos de 1 a 5 SMs, caiu 0,28% no mês. Para o País, a variação no custo de vida foi de -0,32%.

Na divisão mais detalhada por item, o destaque foi a anergia elétrica residencial (-8,06%). Os demais produtos em destaque foram os mesmos do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).

No mesmo mês do ano anterior (agosto de 2025), o INPC apresentou queda de 0,09%. E nos últimos 12 meses, o índice subiu 4,07%. Na média do Brasil, o INPC aumentou 3,98%.

Endividamento

Em comparação a agosto de 2025, o percentual de famílias endividadas no município de São Paulo aumentou. Em contrapartida, a proporção de famílias com contas em atraso e sem condições de pagar suas dívidas diminuiu. Ademais, todos os indicadores permaneceram abaixo da média nacional.

Em agosto de 2026, a Pesquisa de Endividamento e Intenção de Consumo das Famílias (PEIC-SP), realizada pela FECOMÉRCIO-SP, apontou que o percentual de famílias endividadas ficou em 75,5%, um aumento de 0,7 ponto percentual (p.p.) em relação ao mês anterior e de 4,0 p.p. acima do observado em agosto de 2025. Para as famílias com renda de até dez salários-mínimos (SMs), o percentual foi de 78,5%, enquanto para as famílias com renda maior que dez SMs, foi de 67,0%.

Já a proporção de famílias com dívidas em atraso ficou em 20,4%, um aumento de 0,2 p.p. em relação ao mês anterior, mas uma queda de 2,3 p.p. na comparação com agosto de 2025. Para as famílias com renda de até dez SMs, a proporção foi de 24,9%, ao passo que, para as famílias com renda maior que dez SMs, foi de 8,8%.

Por fim, o percentual de famílias que não terão condições de pagar as suas dívidas ficou em 8,4%, um aumento de 0,2 p.p. frente ao mês anterior, mas uma queda de 0,9 p.p. frente a agosto de 2025. Para as famílias com renda de até dez SMs, o percentual foi de 10,5%, em contraste com 3,5% entre aquelas com renda superior a dez SMs.

Índices de Confiança

O nível de confiança dos consumidores no município de São Paulo aumentou pela oitava vez consecutiva em 2026, na comparação com o mesmo mês do ano anterior, em contraste com as quedas observadas ao longo de todo o ano de 2025.

Em agosto de 2026, o Índice de Confiança do Consumidor (ICC), calculado pela FECOMÉRCIO-SP, registrou queda de 0,7% em relação ao mês anterior.

Já na comparação com o mesmo mês do ano anterior (agosto de 2025), o índice subiu 8,0%. Para as famílias com renda de até dez SMs, o índice cresceu 9,0%, enquanto para as famílias com renda acima de dez SMs, cresceu 6,1%.

O subindicador que reflete a percepção dos consumidores sobre as condições atuais registrou alta de 5,9%, enquanto o que reflete as suas expectativas subiu 9,3%. Vale destacar em relação ao subindicador das condições atuais, que para as famílias com renda de até dez SMs, o índice cresceu 8,4%, enquanto para as famílias com renda acima de dez SMs, cresceu apenas 1,4%.

A confiança dos empresários do comércio no município de São Paulo permanece em patamar pessimista pelo quinto mês consecutivo. Esse resultado difere do observado na média do Brasil, em que a confiança dos empresários encontra-se em patamar otimista, embora tenha apresentado variações mensal e anual negativas.

O Índice de Confiança do Empresário do Comércio (ICEC), também calculado pela FECOMÉRCIO-SP, registrou um aumento de 0,5% em relação ao mês anterior.

Já na comparação com o mesmo mês do ano anterior (agosto de 2025), o índice registrou uma diminuição de 5,4%. Na divisão por tipo de produto e número de empregados, as maiores reduções foram observadas entre os empresários produtores de semiduráveis (-13,2%) e entre aqueles que possuem até 50 empregados (-5,5%).

O subindicador que reflete a percepção dos empresários sobre as condições atuais diminuiu 6,5%, enquanto o que reflete as expectativas dos empresários diminuiu 4,8%. Já o subindicador que reflete a estratégia de investimento diminuiu 5,4%. Vale destacar em relação aos subindicadores, a discrepância dos resultados para os empresários produtores de semiduráveis (vestuário, calçados, artigos para o lar, móveis mais leves, material escolar e de escritório). O subindicador das condições atuais diminuiu 21,0%, o das expectativas 12,1% e o da estratégia de investimento 9,0%.

Os empresários da indústria do Estado de São Paulo permanecem pessimistas. Entretanto, na comparação com o mesmo mês do ano anterior, observou-se uma estabilidade dessa postura.

O Índice de Confiança do Empresário Industrial Paulista (ICEI-SP), calculado pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP), em parceria com a Confederação Nacional da Indústria (CNI), registrou, em setembro de 2026, queda de 3,1% em relação ao mês anterior. A variação evidencia um aumento no pessimismo entre os empresários.

Na comparação com o mesmo mês do ano anterior (setembro de 2025), o índice apresentou estabilidade. O subindicador que reflete as condições atuais diminuiu 3,0%, enquanto o de expectativas para os próximos seis meses aumentou 1,3%.

Os dados sobre o nível de confiança dos empresários da indústria paulista, calculados pela FIESP, referem-se a setembro de 2026 e, portanto, já podem refletir os acontecimentos que serão apresentados no final deste Boletim.

Perspectiva

A intenção de consumo das famílias do município de São Paulo diminuiu pela sexta vez consecutiva em relação ao mês anterior, mais do que o observado no País (-0,6%). Já na comparação com o mesmo mês do ano anterior, a intenção aumentou pela décima primeira vez consecutiva, acima da média do Brasil (+2,3%).

Em agosto de 2026, o Índice de Intenção de Consumo das Famílias (ICF-SP), calculado pela FECOMÉRCIO-SP, diminuiu 1,2% em relação ao mês anterior. Em comparação com o mesmo mês do ano anterior (agosto de 2025), o índice subiu 4,4%.

Entre os sete itens avaliados, as maiores variações ocorreram no momento para duráveis (+15,0%), no acesso ao crédito (+10,5%) e na perspectiva profissional (-10,5%).

Pelo lado da oferta, o interesse pela expansão do comércio na Região Metropolitana de São Paulo diminuiu pela sexta vez consecutiva em relação ao mês anterior. Já na comparação com o mesmo mês do ano anterior, o interesse diminuiu pela segunda vez consecutiva.

O Índice de Expansão do Comércio (IEC-SP), também calculado pela FECOMÉRCIO-SP, registrou uma redução de 0,5% em relação ao mês anterior. Na comparação com o mesmo mês do ano anterior (agosto de 2025), o índice registrou queda de 4,7%. Entre os seus dois componentes, a expectativa de contratação de funcionários diminuiu 0,6%, enquanto o nível de investimento das empresas diminuiu 9,5%.

Em razão da data de publicação deste boletim, algumas notícias já podem impactar os indicadores econômicos de setembro, que serão divulgados no próximo mês.

O Bolsa Família será reajustado em 15% a partir de 1º de outubro. Com o reajuste, o benefício mínimo passará de R$ 600 para R$ 691. Também serão reajustados o Benefício de Renda de Cidadania, para R$ 164 por integrante da família; o Benefício Primeira Infância, para R$ 173; e o Benefício Variável Familiar, para R$ 58. A medida busca recompor as perdas provocadas pela inflação e contribuir para a manutenção da renda e da segurança alimentar das famílias mais vulneráveis. Segundo projeção apresentada pelo governo, em 2027 os gastos com o programa deverão representar entre 1,2% e 1,25% do PIB.

O governo federal criou a terceira fase do Desenrola Brasil, que permitirá à União comprar, por meio de leilões, carteiras de dívidas inadimplidas com deságio mínimo de 90% e repassar integralmente aos devedores os descontos obtidos. A medida abrangerá dívidas bancárias e não bancárias de até R$ 10 mil, originalmente contratadas, com atrasos entre 720 e 1.645 dias, e poderá alcançar até R$ 150 bilhões em débitos elegíveis, dos quais o governo estima que R$ 75 bilhões sejam efetivamente renegociados, beneficiando até 15 milhões de pessoas. O custo máximo previsto para a aquisição das carteiras pela União é de R$ 15 bilhões, com recursos a serem contemplados nos orçamentos de 2027 e 2028.

O governo federal publicou medida provisória que proíbe a exploração, a oferta, a intermediação e a publicidade das apostas esportivas e dos jogos on-line, as chamadas bets, estabelecendo a interrupção imediata de novos depósitos e a retirada dos sites e aplicativos do ar a partir de 6 de outubro. A medida prevê multas de até R$ 2 bilhões em caso de descumprimento. Por outro lado, não prevê indenização às empresas por lucros cessantes, investimentos realizados, expectativa de continuidade das atividades ou valores pagos pelas outorgas. O governo concedeu 85 outorgas para exploração de apostas, no valor de R$ 30 milhões cada, que totalizaram R$ 2,55 bilhões.

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central reduziu a taxa Selic de 14% para 13,75% ao ano, no quinto corte consecutivo dos juros básicos. As justificativas são a desaceleração da atividade econômica e da inflação, em decorrência dos efeitos da política monetária restritiva sobre o crédito e a demanda, embora o mercado de trabalho permaneça aquecido.

Para mais detalhes sobre alguns dos indicadores apresentados, inclusive com outras medidas de variação, acessem o link: clique aqui.

Expediente CECON
Coordenação:
Allexandro Emmanuel Mori Coelho
Equipe Econômica: Jobson Monteiro de Souza, Sarah Mendieta Pereira, Pedro Henrique Cassemiro Florencio
Termo de isenção de responsabilidade: Este relatório foi preparado pela equipe integrante do Centro de Estudos em Conjuntura Econômica (CECON) da Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado (FECAP), utilizando os melhores esforços dos responsáveis. As informações foram obtidas através de fontes públicas críveis e estão sujeitas a revisões sem aviso prévio. O CECON e a FECAP não se responsabilizam por quaisquer decisões econômicas ou de investimento tomadas com base nas informações deste relatório. O conteúdo deste relatório é livre, não podendo ser comercializado ou monetizado por terceiros de nenhuma forma. Este produto possui caráter exclusivamente informativo e não deverá ser usado para constituir qualquer decisão de compra ou venda de ativos ou produtos ou de investimento.

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