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Psicologia Econômica Aplicada às Decisões Financeiras: comportamento, emoções e dinheiro

Inscreva-se

Educação Executiva

Carga Horária

8 horas


Data

25 e 26 de novembro


Horário

Das 18h às 22h


Localização

Via Zoom – Ao vivo


Valores

R$ 1.170,00


Período de Inscrição

até 20 de novembro


Professor(a)

Ahmed Sameer El Khatib


Sobre o curso

Por que pessoas inteligentes, informadas e com conhecimento financeiro continuam tomando decisões que parecem contrariar seus próprios interesses? Por que sabemos que deveríamos poupar, mas adiamos? Por que uma promoção pode nos fazer comprar algo de que não precisamos? Por que perder R$ 1.000 costuma produzir uma reação emocional mais intensa do que ganhar os mesmos R$ 1.000? Por que algumas pessoas evitam abrir o aplicativo do banco quando estão endividadas? E por que falar sobre dinheiro pode provocar ansiedade, culpa, vergonha, medo e conflitos familiares?

A Psicologia Econômica procura compreender justamente a distância existente entre aquilo que as pessoas deveriam fazer segundo os modelos econômicos tradicionais e aquilo que efetivamente pensam, sentem e fazem diante de decisões econômicas reais.

O curso apresenta os principais fundamentos da Psicologia Econômica e estabelece interfaces com a Economia Comportamental, as Finanças Comportamentais e a Psicologia aplicada às decisões financeiras. Parte-se da crítica ao modelo do agente plenamente racional para compreender como heurísticas, vieses cognitivos, emoções, contexto social, experiências passadas e características psicológicas influenciam escolhas relacionadas a consumo, endividamento, poupança, investimento e planejamento financeiro.

Além dos conceitos clássicos, o curso avança para fenômenos contemporâneos como ansiedade financeira, escassez, sobrecarga cognitiva, evitação financeira, compras emocionais, comparação social, present bias, comportamento de manada, excesso de confiança, aversão à perda e decisões financeiras sob estresse.

A proposta é construir uma ponte entre teoria e vida cotidiana: compreender não apenas como as pessoas tomam decisões financeiras, mas também porque continuam repetindo determinados comportamentos mesmo quando sabem que eles podem lhes causar prejuízos

PÚBLICO-ALVO

Profissionais das áreas de Economia, Administração, Contabilidade, Finanças, Psicologia, Educação, Recursos Humanos, Marketing, Bancos, Seguros, Investimentos e Políticas Públicas, além de educadores financeiros, planejadores financeiros, consultores, gestores e demais interessados em compreender os fatores psicológicos envolvidos nas decisões econômicas e financeiras.

O curso também é indicado para profissionais que trabalham diretamente com indivíduos e famílias em situações envolvendo consumo, crédito, endividamento, investimentos, aposentadoria, planejamento financeiro e educação financeira.

OBJETIVO GERAL

Compreender os fundamentos da Psicologia Econômica e sua aplicação às decisões financeiras, analisando como fatores cognitivos, emocionais, sociais e contextuais influenciam comportamentos relacionados ao dinheiro.

Ao final do curso, espera-se que o participante seja capaz de interpretar decisões econômicas não apenas a partir da lógica financeira tradicional, mas considerando a interação entre dinheiro, cognição, emoção, comportamento e contexto social

OBJETIVO ESPECÍFICOS

Ao final do curso, o participante deverá ser capaz de:

  • compreender a evolução da Psicologia Econômica e sua relação com Economia Comportamental e Finanças Comportamentais;
  • discutir criticamente os limites do pressuposto de racionalidade econômica;
  • compreender o conceito de racionalidade limitada;
  • identificar heurísticas e vieses cognitivos presentes nas decisões econômicas;
  • compreender os fundamentos da Teoria da Perspectiva;
  • analisar os efeitos da aversão à perda e dos pontos de referência;
  • compreender o papel das emoções nas decisões financeiras;
  • analisar os efeitos da escassez e do estresse financeiro sobre atenção e capacidade decisória;
  • reconhecer mecanismos de ansiedade financeira e evitação financeira;
  • compreender fenômenos relacionados a consumo emocional e compras impulsivas;
  • analisar decisões envolvendo crédito, endividamento e poupança;
  • compreender vieses presentes nas decisões de investimento;
  • analisar o papel da comparação social e das normas sociais no comportamento econômico;
  • compreender os mecanismos de autocontrole, desconto temporal e preferência pelo presente;
  • aplicar conceitos da Psicologia Econômica à educação e ao planejamento financeiro;
  • discutir intervenções comportamentais destinadas a melhorar decisões financeiras;
  • estabelecer interfaces entre Psicologia Econômica, saúde financeira e bem-estar.

Conteúdo

1. Da racionalidade econômica à Psicologia Econômica

O modelo tradicional do Homo Economicus. Preferências, maximização de utilidade e racionalidade. Limitações empíricas dos modelos tradicionais. Herbert Simon e a racionalidade limitada. Psicologia Econômica, Economia Comportamental e Finanças Comportamentais: aproximações e diferenças.

Discussão central:

Se conhecer finanças fosse suficiente para tomar boas decisões financeiras, por que tantas pessoas financeiramente alfabetizadas continuam cometendo erros com dinheiro?

 

2. Como realmente tomamos decisões

Sistemas automáticos e deliberativos de processamento. Julgamentos intuitivos. Heurísticas como atalhos cognitivos. Heurística da disponibilidade. Representatividade. Ancoragem. Framing. Efeitos de contexto.

Aplicações em:

preços, descontos, promoções, crédito, financiamento, consumo, investimentos e decisões profissionais.

Experimentos clássicos de Daniel Kahneman e Amos Tversky.

 

3. Teoria da Perspectiva e aversão à perda

Teoria da Utilidade Esperada versus Teoria da Perspectiva. Pontos de referência. Aversão à perda. Sensibilidade decrescente. Efeito certeza. Framing de ganhos e perdas.

Aplicações financeiras:

manutenção de investimentos perdedores, realização antecipada de ganhos, resistência à venda, decisões de consumo e negociação.

Discussão do Disposition Effect e suas implicações para investidores.

 

4. Contabilidade mental: o dinheiro não é psicologicamente fungível

Richard Thaler e a Mental Accounting Theory.

Separação psicológica do dinheiro em diferentes “contas”. Dinheiro do salário, bônus, restituição, herança, cartão de crédito e dinheiro inesperado.

Por que R$ 1.000 podem ter significados completamente diferentes dependendo de sua origem?

Aplicações em consumo, orçamento, investimentos, cartões de crédito e planejamento financeiro.

 

5. Tempo, autocontrole e preferência pelo presente

Desconto temporal. Desconto hiperbólico. Present bias. Gratificação imediata versus benefícios futuros.

Por que é difícil poupar para algo que acontecerá daqui a vinte ou trinta anos?

Procrastinação financeira. Autocontrole. Compromissos prévios. Formação de hábitos. Automatização da poupança.

Experimentos e aplicações envolvendo poupança e aposentadoria.

 

6. Escassez, pobreza e capacidade cognitiva

A Psicologia da Escassez.

Escassez financeira como fenômeno psicológico. Tunelamento da atenção. Sobrecarga cognitiva. Decisões sob pressão. Bandwidth mental. Ciclos de escassez.

Discussão de estudos de Sendhil Mullainathan, Eldar Shafir e colaboradores.

A questão fundamental deixa de ser simplesmente:

“Por que essa pessoa tomou uma decisão financeira ruim?”

e passa a incluir:

“Em quais condições cognitivas e emocionais essa decisão foi tomada?”

 

7. Emoções e dinheiro

O dinheiro como estímulo emocional.

Medo, ansiedade, culpa, vergonha, inveja, orgulho, segurança e sensação de controle.

Experiências familiares e aprendizagem financeira. Memórias relacionadas ao dinheiro. Significados simbólicos atribuídos ao consumo, poupança e patrimônio.

A diferença entre o dinheiro da planilha e o dinheiro vivido psicologicamente.

 

8. Ansiedade financeira e evitação

Conceito de Financial Anxiety.

Preocupação financeira persistente. Ruminação. Hipervigilância. Sensação de perda de controle. Comportamentos de evitação.

Evitar olhar extratos bancários. Não abrir faturas. Adiar conversas sobre dinheiro. Procrastinar decisões financeiras.

 

O paradoxo da evitação:

quanto maior a ansiedade financeira, maior pode ser a tendência de evitar informações financeiras; quanto maior a evitação, menor a percepção de controle e potencialmente maior a ansiedade.

Discussão das implicações para educação financeira, planejamento financeiro e intervenções comportamentais.

 

9. Consumo, emoções e comparação social

Consumo funcional versus consumo emocional.

Compras impulsivas. Recompensa. Regulação emocional por meio do consumo. Efeito “eu mereço”. Dor de pagar.

Cartões de crédito e redução da saliência do pagamento.

Comparação social. Consumo de status. Redes sociais. Efeito demonstração. Pressões sociais sobre padrões de consumo.

A pergunta deixa de ser apenas “quanto essa pessoa gastou?” e passa a incluir “o que ela estava tentando sentir quando gastou?”

 

10. Psicologia do endividamento

Endividamento como fenômeno econômico e psicológico.

Estresse financeiro. Shame spiral. Evitação. Negação. Otimismo irrealista. Present bias. Renegociação de dívidas.

Por que simplesmente dizer a uma pessoa endividada para “cortar gastos” frequentemente produz resultados limitados?

O papel da percepção de controle e da autoeficácia financeira.

 

11. Psicologia dos investimentos

Excesso de confiança. Ilusão de controle. Viés de confirmação. Familiarity bias. Home bias. Herd behavior. FOMO.

Aversão à perda e Disposition Effect.

Panic selling.

Influência das emoções e características psicológicas sobre percepção de risco.

Diferença entre capacidade financeira de assumir risco e capacidade psicológica de tolerar risco.

 

12. Educação financeira versus mudança comportamental

Informação é necessária, mas frequentemente insuficiente.

O knowledge-action gap: por que saber não significa necessariamente fazer.

Limitações das abordagens tradicionais de educação financeira.

Literacia financeira, comportamento financeiro e bem-estar financeiro.

Da transmissão de conteúdo para a transformação de comportamento.

 

13. Nudges e arquitetura de escolha

Richard Thaler e Cass Sunstein.

Arquitetura de escolhas. Defaults. Simplificação. Salience. Feedback. Normas sociais. Compromissos.

Aplicações em:

poupança, aposentadoria, crédito, seguros, investimentos e educação financeira.

Discussão dos limites éticos das intervenções comportamentais.

 

14. Psicologia Econômica aplicada ao planejamento financeiro

Diagnóstico financeiro tradicional versus diagnóstico comportamental.

Identificação de padrões de comportamento.

Gatilhos financeiros.

Mapeamento de vieses.

Construção de estratégias de autocontrole.

Metas financeiras comportamentalmente realistas.

Automação de decisões positivas.

Construção de ambientes que reduzam decisões impulsivas.

 

15. Da Psicologia Econômica à Terapia Financeira

Apresentação introdutória da interface entre finanças e psicologia.

Money scripts. Crenças financeiras. Histórias familiares sobre dinheiro. Conflitos financeiros em famílias e casais.

Ansiedade financeira, evitação, culpa e vergonha.

Limites entre educação financeira, planejamento financeiro e intervenção psicológica.

Discussão sobre o desenvolvimento contemporâneo da Financial Therapy e suas possibilidades de diálogo com a Psicologia Econômica Aplicada.

O curso utilizará metodologia ativa e interdisciplinar, combinando conceitos da Economia, Psicologia, Finanças e Economia Comportamental.

As aulas serão desenvolvidas a partir de quatro movimentos:

1. Conceito

Apresentação dos principais fundamentos teóricos da Psicologia Econômica.

2. Experimento

Discussão de experimentos clássicos e contemporâneos que demonstram empiricamente os fenômenos estudados.

3. Vida real

Transformação dos conceitos em situações cotidianas envolvendo dinheiro, consumo, crédito, dívidas, investimentos e planejamento financeiro.

4. Aplicação

Discussão sobre como o conhecimento pode ser utilizado em educação financeira, planejamento financeiro, instituições financeiras, empresas, políticas públicas e intervenções comportamentais.

Serão utilizados:

  • exposição dialogada;
  • estudos de caso;
  • experimentos comportamentais realizados durante as aulas;
  • enquetes e decisões simuladas;
  • análise de situações financeiras reais;
  • exercícios de identificação de vieses;
  • discussão de pesquisas científicas;
  • análise de campanhas, produtos e decisões financeiras;
  • exercícios de reflexão sobre comportamentos financeiros;
  • discussão de estratégias de intervenção comportamental.

Avaliação para certificação: Não haverá avaliação de conteúdo. Para obtenção do certificado, é necessária a participação em, no mínimo, 75% das aulas ao vivo. A presença é contabilizada exclusivamente durante as transmissões ao vivo. O acesso às gravações posteriormente não será considerado para fins de frequência e não concede direito à certificação.

  • EL KHATIB, Ahmed Sameer. Mente Sã, Bolso Cheio! O poder da Terapia Financeira para transformar o que você sente, pensa e faz com o dinheiro. São Paulo: Editora Dialética, 2026.
  • EL KHATIB, Ahmed Sameer. Psicologia das Finanças: 500 perguntas e respostas para entender o seu comportamento econômico. São Paulo: Editora Dialética, 2024.
  • KAHNEMAN, Daniel. Thinking, Fast and Slow. New York: Farrar, Straus and Giroux, 2011.
  • MULLAINATHAN, Sendhil; SHAFIR, Eldar. Scarcity: Why Having Too Little Means So Much. New York: Times Books, 2013.
  • STATMAN, Meir. Finance for Normal People: How Investors and Markets Behave. New York: Oxford University Press, 2017.
  • THALER, Richard H. Misbehaving: The Making of Behavioral Economics. New York: W. W. Norton & Company, 2015.
  • THALER, Richard H.; SUNSTEIN, Cass R. Nudge: The Final Edition. New York: Penguin Books, 2021.
Bibliografia complementar
  • AKERLOF, George A.; SHILLER, Robert J. Animal Spirits: How Human Psychology Drives the Economy, and Why It Matters for Global Capitalism. Princeton: Princeton University Press, 2009.
  • ARIELY, Dan. Predictably Irrational: The Hidden Forces That Shape Our Decisions. Revised and Expanded Edition. New York: Harper Perennial, 2010.
  • EL KHATIB, Ahmed Sameer. Felicidade traz dinheiro? Uma revisão sistemática da literatura sobre a economia da felicidade. Cuadernos de Educación y Desarrollo, v. 16, n. 1, p. 620–652, 2024.
  • KAHNEMAN, Daniel; SIBONY, Olivier; SUNSTEIN, Cass R. Noise: A Flaw in Human Judgment. New York: Little, Brown Spark, 2021.
  • KAHNEMAN, Daniel; TVERSKY, Amos. Prospect Theory: An Analysis of Decision under Risk. Econometrica, v. 47, n. 2, p. 263–291, 1979.
  • KAHNEMAN, Daniel; TVERSKY, Amos. Choices, Values, and Frames. American Psychologist, v. 39, n. 4, p. 341–350, 1984.
  • KLONTZ, Brad; KLONTZ, Ted. Mind Over Money: Overcoming the Money Disorders That Threaten Our Financial Health. New York: Crown Business, 2009.
  • LOEWENSTEIN, George. Emotions in Economic Theory and Economic Behavior. American Economic Review, v. 90, n. 2, p. 426–432, 2000.
  • NETEMEYER, Richard G. et al. How Am I Doing? Perceived Financial Well-Being, Its Potential Antecedents, and Its Relation to Overall Well-Being. Journal of Consumer Research, v. 45, n. 1, p. 68–89, 2018.
  • ODEAN, Terrance. Are Investors Reluctant to Realize Their Losses? Journal of Finance, v. 53, n. 5, p. 1775–1798, 1998.
  • RICK, Scott I.; CRYDER, Cynthia E.; LOEWENSTEIN, George. Tightwads and Spendthrifts. Journal of Consumer Research, v. 34, n. 6, p. 767–782, 2008.
  • SHEFRIN, Hersh. Beyond Greed and Fear: Understanding Behavioral Finance and the Psychology of Investing. New York: Oxford University Press, 2000.
  • SHEFRIN, Hersh; STATMAN, Meir. The Disposition to Sell Winners Too Early and Ride Losers Too Long: Theory and Evidence. Journal of Finance, v. 40, n. 3, p. 777–790, 1985.
  • SIMON, Herbert A. A Behavioral Model of Rational Choice. Quarterly Journal of Economics, v. 69, n. 1, p. 99–118, 1955.
  • THALER, Richard H. Mental Accounting Matters. Journal of Behavioral Decision Making, v. 12, n. 3, p. 183–206, 1999.
  • THALER, Richard H.; BENARTZI, Shlomo. Save More Tomorrow: Using Behavioral Economics to Increase Employee Saving. Journal of Political Economy, v. 112, n. S1, p. S164–S187, 2004.
  • TVERSKY, Amos; KAHNEMAN, Daniel. Judgment under Uncertainty: Heuristics and Biases. Science, v. 185, n. 4157, p. 1124–1131, 1974.

Professores

Bacharel em Ciências Contábeis pela FEA/USP e Pós-Doutor em Controladoria e Contabilidade pela FEA/USP. Pós-Doutor em Finanças pela UNICAMP. Professor da graduação e do mestrado da FECAP. Professor Adjunto de Finanças do departamento de Administração da Universidade Federal de São Paulo. Doutor em Administração de Empresas e Doutor em Educação pela PUC/SP

Ahmed Sameer El Khatib

Prof. Dr. Ahmed Sameer El Khatib

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