
Professor da FECAP visita Shenzhen University e fortalece diálogo acadêmico entre Brasil e China
Professor da FECAP, Tiago Slavov, visitou a principal universidade pública da cidade de Shenzhen, na província de Guangdong, na China.
Institucional | 23/09/2026
No dia 14 de setembro, o professor Tiago Slavov, da Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado (FECAP), visitou a Shenzhen University, a principal universidade pública da cidade de Shenzhen, na província de Guangdong, na China; dando continuidade à aproximação institucional entre as duas universidades, iniciada em 2024, ocasião em que foi firmada uma parceria voltada à colaboração internacional e ao intercâmbio acadêmico, quando representantes da instituição chinesa estiveram na FECAP.
Localizada em Shenzhen, cidade reconhecida como um dos principais polos mundiais de tecnologia e inovação, a universidade reúne aproximadamente 50 mil estudantes e 4,4 mil colaboradores. A região abriga a sede de grandes empresas de tecnologia e indústria, como Tencent, Huawei, BYD e DJI, que também figuram entre importantes empregadores dos egressos da instituição.
Durante a visita, Slavov conheceu o Shenzhen Audencia Financial Technology Institute (SAFTI), instituto dedicado às áreas de tecnologia financeira e gestão. A unidade oferece programas de graduação e pós-graduação voltados a estudantes chineses e estrangeiros, incluindo formações em Fintech, Big Data, Blockchain, Sistemas de Informação, Gestão e Controle de Riscos.
Recebido pela Dean Gu Wei, o professor da FECAP participou de uma reunião com os professores Rei Ge, Karen Lai, Yongbo Li e Halis Sak. O encontro possibilitou a troca de experiências sobre quatro temas que vêm transformando a formação e a atuação dos profissionais das áreas de Contabilidade, Finanças e Gestão: ambiente de negócios, inteligência artificial na educação, sustentabilidade e ESG e mercado profissional.
Brasil e China diante de diferentes ambientes de negócios
Um dos temas debatidos na oportunidade foi o contraste entre os ambientes regulatórios dos dois países. No Brasil, empresas e profissionais convivem com elevada complexidade tributária, custos de conformidade e um cenário regulatório que passa por uma transformação estrutural com a implementação da reforma tributária sobre o consumo. Na China, por sua vez, a atividade empresarial está inserida em um modelo caracterizado por forte coordenação estatal, planejamento econômico e crescente digitalização da fiscalização e da administração tributária.
As diferenças tornam-se particularmente relevantes diante do avanço das relações econômicas entre Brasil e China. Além do tradicional comércio de commodities e produtos industrializados, a relação bilateral tem incorporado investimentos em áreas como transição energética, infraestrutura, tecnologia e mobilidade elétrica. Nesse contexto, profissionais de Contabilidade e Finanças assumem papel estratégico na compreensão de ambientes regulatórios distintos, na gestão de riscos e no suporte às decisões empresariais.
Inteligência artificial transforma o ensino
A utilização da inteligência artificial no ensino superior também esteve entre os assuntos discutidos pelos professores. No Brasil, ferramentas de IA generativa vêm sendo incorporadas às atividades acadêmicas para apoiar a produtividade dos estudantes, a análise de relatórios, a pesquisa e a elaboração de novas metodologias de ensino.
Na China, a integração entre inteligência artificial, plataformas educacionais e grandes volumes de dados também vem ganhando espaço, especialmente diante da proximidade entre universidades e grandes empresas de tecnologia.
Apesar das diferenças entre os dois países, há um desafio comum para os professores: preparar os estudantes para um mercado em que tarefas operacionais tendem a ser cada vez mais automatizadas.
Nesse novo cenário, a formação precisa avançar além do cálculo mecânico e do preenchimento de obrigações. Ganham importância competências como pensamento crítico, formulação de problemas complexos, análise de dados, avaliação de vieses algorítmicos e supervisão de sistemas e agentes de inteligência artificial.
Sustentabilidade aproxima agendas de Brasil e China
Outro ponto de convergência identificado no encontro foi a crescente importância das informações de sustentabilidade para empresas, investidores e mercados financeiros. No Brasil, a adoção das normas internacionais de divulgação de sustentabilidade e clima amplia a integração entre informações financeiras e não financeiras. Temas como transição energética, bioeconomia, mercado de carbono e riscos climáticos passam a ocupar espaço crescente na agenda corporativa.
Na China, as principais bolsas de valores também vêm ampliando as exigências relacionadas à divulgação de informações ambientais, sociais e de governança, em linha com as metas nacionais de descarbonização e desenvolvimento econômico.
Para contadores, auditores e profissionais de finanças, os dois ambientes apresentam desafios semelhantes, entre eles a mensuração de riscos climáticos, a confiabilidade das informações das cadeias de valor, as emissões de Escopo 3 e a integração de métricas de sustentabilidade às informações corporativas.
Mercado busca profissionais mais analíticos
As transformações tecnológicas também estão alterando o perfil profissional demandado pelas empresas. No Brasil, a automação de processos contábeis e fiscais vem acelerando a migração de funções predominantemente operacionais para atividades de análise, consultoria e apoio à tomada de decisão. Conhecimentos em ferramentas analíticas, programação e visualização de dados, como Power BI e Python, tornam-se cada vez mais relevantes.
Na China, estudantes ingressam em um mercado marcado por empresas altamente digitalizadas e por intensa utilização de dados, automação e inteligência artificial.
Em ambos os países, o desafio das universidades é preparar profissionais para atividades de maior valor agregado, entre elas auditoria de sistemas inteligentes, análise de dados, planejamento estratégico, gestão de riscos e finanças sustentáveis.
“A troca de experiências mostrou que, apesar das diferenças entre os ambientes econômicos e regulatórios de Brasil e China, os desafios enfrentados pelas universidades são bastante semelhantes. Precisamos formar profissionais capazes não apenas de utilizar novas tecnologias, mas de compreender, questionar e supervisionar os processos automatizados que passarão a fazer parte de sua atuação profissional”, destaca Slavov.
A visita reforça as possibilidades de aproximação entre a FECAP e a Shenzhen University, especialmente em iniciativas relacionadas a pesquisa, internacionalização, inovação, Fintech, inteligência artificial e formação de estudantes. A realização da visita do professor Slavov teve contribuição da professora Roseli Azevedo, do International Office da FECAP, e de Cecile Zhao, Affairs Manager da SAFTI.





