
Roubo e furto envolvendo caminhões e outros veículos pesados recuaram 22,9% entre janeiro e maio de 2026, enquanto a capital paulista registrou alta de 8,1%
Maior estudo sobre a atividade de roubo e furto de veículos pesados em SP mostra o comportamento dos criminosos nos últimos três anos.
Centro de Estudos em Economia do Crime (CEEC) | 03/09/2026
O movimento mais recente acende um ponto de atenção: os furtos cresceram 8,1% em abril e 39,2% em maio. Maior estudo já realizado sobre a atividade de roubo e furto de veículos pesados no Estado de SP mostra o comportamento dos criminosos nos últimos três anos
Os roubos e furtos de veículos pesados apresentaram comportamentos distintos no Estado de São Paulo, nos primeiros cinco meses de 2026. Enquanto o número total de ocorrências caiu 22,9%, na comparação com o mesmo período de 2025, os roubos recuaram 34,7% e os furtos permaneceram praticamente estáveis, com queda de apenas 1,5%. O movimento mais recente também acende um ponto de atenção: os furtos cresceram 8,1% em abril e 39,2% em maio.
É o que mostra o novo Boletim Tracker Fecap, que analisou, de forma inédita em 10 anos de projeto, as ocorrências dessas modalidades entre 2024 e maio de 2026. Em 2024, foram registrados 2.106 eventos, sendo 1.327 roubos e 779 furtos. Em 2025, o total passou para 2.141 casos, alta de 1,7%. Os roubos cresceram 2,3%, de 1.327 para 1.357 ocorrências, enquanto os furtos tiveram variação de apenas 0,6%, passando de 779 para 784 registros.
A situação mudou no acumulado de janeiro a maio de 2026. Foram 733 ocorrências, contra 951 no mesmo período de 2025, uma redução de 22,9%. Desse total, 401 foram roubos, ante 614 em 2025, enquanto os furtos somaram 332 ocorrências, contra 337 no ano anterior. “O recuo está concentrado nos roubos, enquanto os furtos permanecem praticamente no mesmo patamar e voltaram a crescer nos dois últimos meses analisados. É importante observar essa mudança porque ela pode representar uma adaptação da atividade criminosa e exige acompanhamento contínuo”, afirma o pesquisador da Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado (FECAP) e responsável pelo estudo, Erivaldo Vieira.
Comparativo entre janeiro e maio de 2025 e de 2026
| Mês | Furtos 2025 | Furtos 2026 | Variação | Roubos 2025 | Roubos 2026 | Variação | Total 2025 | Total 2026 | Variação |
| Janeiro | 69 | 54 | -21,7% | 105 | 77 | -26,7% | 174 | 131 | -24,7% |
| Fevereiro | 60 | 53 | -11,7% | 132 | 79 | -40,2% | 192 | 132 | -31,2% |
| Março | 83 | 74 | -10,8% | 121 | 80 | -33,9% | 204 | 154 | -24,5% |
| Abril | 74 | 80 | 8,1% | 118 | 91 | -22,9% | 192 | 171 | -10,9% |
| Maio | 51 | 71 | 39,2% | 138 | 74 | -46,4% | 189 | 145 | -23,3% |
| Total | 337 | 332 | -1,5% | 614 | 401 | -34,7% | 951 | 733 | -22,9% |
Para o gerente de Comando e Monitoramento do Grupo Tracker, Vitor Corrêa, a mudança na composição das ocorrências reforça a necessidade de combinar diferentes estratégias de proteção. “Quando o roubo perde participação de forma tão acentuada, mas o furto permanece praticamente estável e volta a crescer nos meses mais recentes, a leitura precisa ser feita com cuidado. Os criminosos também adaptam sua atuação às condições de risco. Para as empresas, isso significa que não basta concentrar a prevenção apenas nos momentos de abordagem: é necessário proteger o veículo durante toda a operação, considerando rotas, paradas, locais de estacionamento”, afirma.
Padrão semanal permanece concentrado nos dias úteis
Apesar da queda no volume total, o padrão de distribuição das ocorrências ao longo da semana permaneceu praticamente inalterado. Entre janeiro e maio de 2026, 73,3% dos roubos e furtos de veículos pesados ocorreram de terça a sexta-feira.
Quarta-feira liderou o ranking, com 146 ocorrências, seguida por quinta-feira, com 142, terça-feira, com 130, e sexta-feira, com 119. Juntos, os quatro dias concentraram 537 registros. “O comportamento acompanha a dinâmica do transporte rodoviário de cargas, com maior circulação de veículos pesados durante os dias úteis. Aos sábados e domingos foram registradas 102 ocorrências, equivalentes a 13,9% do total”, complementa Erivaldo Vieira.
A análise por período do dia também aponta estabilidade na estrutura do risco. Considerando apenas os registros com horário válido, noite e madrugada responderam juntas por 60,2% das ocorrências em 2026, ante 58,3% no mesmo período de 2025. A noite continuou sendo o período de maior incidência, com 172 registros, enquanto a madrugada somou 159.
Capital paulista segue na contramão da queda estadual, com alta de 8,1%
A cidade de São Paulo registrou 213 ocorrências entre janeiro e maio de 2026, contra 197 no mesmo período de 2025, alta de 8,1%. O resultado mantém a capital como principal ponto de concentração dos roubos e furtos de veículos pesados no Estado. Guarulhos, segunda cidade com maior número de registros, apresentou comportamento oposto: caiu de 80 ocorrências para 46, retração de 42,5%.
Também registraram quedas expressivas São Bernardo do Campo (-47,8%), Itapecerica da Serra (-40,9%), Limeira (-34,8%) e Campinas (-33,3%). Ao mesmo tempo, Osasco, Barueri e Santo André passaram a integrar o grupo dos dez municípios com maior número de ocorrências em 2026, substituindo Cubatão, Embu das Artes e Sumaré.
Ranking das 10 cidades com maior número de ocorrências de roubo e furto de veículos pesados – Estado de São Paulo (janeiro a maio de 2025 e janeiro a maio de 2026)
| Posição | Jan.–Mai. 2026 | Ocorrências | Jan.–Mai. 2025 | Ocorrências |
| 1 | São Paulo | 213 | São Paulo | 197 |
| 2 | Guarulhos | 46 | Guarulhos | 80 |
| 3 | Osasco | 36 | São Bernardo do Campo | 23 |
| 4 | Limeira | 15 | Limeira | 23 |
| 5 | Itapecerica da Serra | 13 | Itapecerica da Serra | 22 |
| 6 | Itatiba | 13 | Campinas | 18 |
| 7 | São Bernardo do Campo | 12 | Cubatão | 17 |
| 8 | Campinas | 12 | Itatiba | 16 |
| 9 | Barueri | 11 | Embu das Artes | 14 |
| 10 | Santo André | 10 | Sumaré | 14 |
A redistribuição espacial das ocorrências, com crescimento pontual em determinados centros urbanos e a entrada de novos municípios entre aqueles com maior concentração de registros, reforça a importância de que o planejamento operacional das forças de segurança seja continuamente atualizado, acompanhando o deslocamento geográfico das organizações criminosas ao longo da malha rodoviária do Estado de São Paulo. “Para quem trabalha com gerenciamento de risco, conhecer os corredores, os municípios e os pontos de concentração é fundamental para definir estratégias de monitoramento mais eficientes”, explica Vitor Corrêa.
Jaçanã assume liderança entre os bairros da capital
Dentro da cidade de São Paulo, o eixo norte permanece como uma das principais áreas de concentração das ocorrências. O Jaçanã registrou 18 casos entre janeiro e maio de 2026, contra oito no mesmo período de 2025, aumento de 125%. Parque Edu Chaves também apresentou crescimento, de oito para dez ocorrências, alta de 25%. Vila Maria passou de cinco para sete registros, enquanto Vila Jaguara subiu de três para cinco. Em sentido contrário, Parque do Carmo e Vila Carmosina registraram queda de 50%, enquanto Vila Leopoldina recuou 37,5%.
Ranking dos 10 bairros da Capital Paulista com maior número de ocorrências de roubo e furto de veículos pesados – janeiro a maio de 2025 e janeiro a maio de 2026
| Posição | Jan.–Mai. 2026 | Ocorrências | Jan.–Mai. 2025 | Ocorrências |
| 1 | Jaçanã | 18 | Parque do Carmo | 8 |
| 2 | Parque Edu Chaves | 10 | Parque Edu Chaves | 8 |
| 3 | Vila Maria | 7 | Vila Carmosina | 8 |
| 4 | Anhanguera | 6 | Jaçanã | 8 |
| 5 | Vila Guilherme | 5 | Vila Leopoldina | 8 |
| 6 | Vila Leopoldina | 5 | Anhanguera | 6 |
| 7 | Vila Jaguara | 5 | Jaguara | 4 |
| 8 | Parque Novo Mundo | 5 | Vila Maria | 5 |
| 9 | Parque do Carmo | 4 | São Mateus | 4 |
| 10 | Vila Carmosina | 4 | Vila Jaguara | 3 |
Fernão Dias continua como principal corredor de risco
Entre os logradouros da capital, a Rodovia Fernão Dias manteve a liderança, com 18 ocorrências tanto nos cinco primeiros meses de 2025 quanto no mesmo período de 2026.
Os acessos ao corredor, porém, ganharam relevância. O Acesso Rodovia Fernão Dias passou de quatro para sete ocorrências, alta de 75%, enquanto o Retorno Rodovia Fernão Dias subiu de cinco para sete, crescimento de 40%.
Para o coordenador do estudo, “o comportamento indica que a análise de risco precisa considerar não apenas os grandes eixos rodoviários, mas também seus acessos, retornos e conexões com a malha urbana. A dinâmica territorial apresentada pelo boletim mostra uma reorganização das ocorrências de acordo com as rotas de circulação e as condições operacionais”.
Ranking dos principais logradouros com ocorrências de roubo e furto de veículos pesados na Capital Paulista – janeiro a maio de 2025 e janeiro a maio de 2026
| Posição | Jan.–Mai. 2026 | Ocorrências | Jan.–Mai. 2025 | Ocorrências |
| 1 | Rodovia Fernão Dias | 18 | Rodovia Fernão Dias | 18 |
| 2 | Acesso Rodovia Fernão Dias | 7 | Rua Santa Marcelina | 8 |
| 3 | Retorno Rodovia Fernão Dias | 7 | Rodovia BR-381 | 7 |
| 4 | Vedação da divulgação dos dados relativos ao endereço | 5 | Vedação da divulgação dos dados relativos ao endereço | 6 |
| 5 | Rua Santa Marcelina | 5 | Rodovia Presidente Dutra | 5 |
| 6 | Rodovia Presidente Dutra | 4 | Retorno Rodovia Fernão Dias | 5 |
| 7 | Marginal Tietê | 4 | Avenida Alexandre Collares | 5 |
| 8 | Avenida Embaixador Macedo Soares | 3 | Acesso Rodovia Fernão Dias | 4 |
| 9 | Avenida Doutor Gastão Vidigal | 3 | Avenida Morvan Dias de Figueiredo | 4 |
| 10 | Avenida Marginal Direita do Tietê* | 3 | Avenida Presidente Castelo Branco** | 3 |
* Rodovia Anhanguera também registrou três ocorrências em 2026.
** Marginal Tietê e Rua Maruins também registraram três ocorrências no mesmo período de 2025.
Veículos de transporte de longa distância concentram maior parte dos casos
A redução de 2026 foi influenciada principalmente pelas categorias diretamente ligadas ao transporte rodoviário de cargas de longa distância. Em 2025, caminhões, caminhões-tratores e semirreboques concentravam 79,6% das ocorrências de veículos pesados, ou 757 dos 951 registros. Nos primeiros cinco meses de 2026, essas categorias responderam por 75,9%, o equivalente a 556 dos 733 casos.
A queda foi influenciada principalmente pela redução das ocorrências envolvendo semirreboques e caminhões-tratores. Já os caminhões convencionais apresentaram comportamento mais estável, enquanto os reboques registraram aumento das subtrações sem violência.
Ocorrências de roubos e furtos de veículos pesados por tipo de veículo – Janeiro a maio de 2025 × Janeiro a maio de 2026
| Tipo de veículo | Furtos 2025 | Furtos 2026 | Var. % | Roubos 2025 | Roubos 2026 | Var. % | Total 2025 | Total 2026 | Var. % |
| Caminhão | 167 | 168 | +0,6% | 224 | 194 | -13,4% | 391 | 362 | -7,4% |
| Caminhão-trator | 29 | 32 | +10,3% | 199 | 127 | -36,2% | 228 | 159 | -30,3% |
| Micro-ônibus | 24 | 25 | +4,2% | 55 | 40 | -27,3% | 79 | 65 | -17,7% |
| Reboque | 42 | 60 | +42,9% | 11 | 3 | -72,7% | 53 | 63 | +18,9% |
| Semirreboque | 29 | 9 | -69,0% | 109 | 26 | -76,1% | 138 | 35 | -74,6% |
| Trator de rodas | 41 | 21 | -48,8% | 14 | 11 | -21,4% | 55 | 32 | -41,8% |
| Trator misto | 5 | 3 | -40,0% | 2 | 0 | -100,0% | 7 | 3 | -57,1% |
| Ônibus* | 0 | 11 | — | 0 | 0 | — | 0 | 11 | — |
| Trator de esteiras* | 0 | 3 | — | 0 | 0 | — | 0 | 3 | — |
| Total Geral | 337 | 332 | -1,5% | 614 | 401 | -34,7% | 951 | 733 | -22,9% |
Volkswagen e Volvo lideram entre os veículos pesados mais visados
A análise dos registros de 2025 e 2026 mostra concentração das ocorrências em modelos com forte presença na frota brasileira. Entre os caminhões, o Volkswagen 24.280 CRM 6×2 lidera, com 45 ocorrências, seguido pela Ford F-4000, com 36. Também aparecem com frequência modelos das linhas Atego, da Mercedes-Benz, e Tector, da Iveco.
Entre os caminhões-tratores, os Volvo FH 540 e FH 460 somam 173 ocorrências e concentram os principais registros da categoria. Modelos da Scania, DAF, Mercedes-Benz, Iveco e MAN também aparecem entre os mais atingidos.
Nos demais segmentos, destacam-se os modelos Mercedes-Benz Sprinter, entre os micro-ônibus; os semirreboques Randon e Facchini; e os tratores agrícolas Massey Ferguson e New Holland. Para o Grupo Tracker, a concentração reforça a importância de direcionar tecnologias de rastreamento, bloqueio e monitoramento aos veículos de maior exposição.
Marcas e modelos de veículos pesados com mais de duas ocorrências de roubo e furto por tipo de veículo – Estado de São Paulo (base consolidada 2025–2026)
Critério metodológico:
– Foram consolidadas as bases de dados de 2025 e 2026 e selecionados apenas os modelos que registraram mais de duas ocorrências no período, permitindo concentrar a análise nos veículos com maior relevância estatística.
– As categorias Ônibus e Trator de Esteiras não apresentaram modelos com mais de duas ocorrências e, portanto, não possuem representatividade suficiente para análise individual.
| Tipo de veículo | Marca / Modelo | Ocorrências |
| Caminhão | VW 24.280 CRM 6×2 | 45 |
| FORD F-4000 | 36 | |
| M.BENZ Atego 2426 | 18 | |
| VW 17.280 CRM | 14 | |
| VW 24.250 | 12 | |
| IVECO Tector 240E28 | 10 | |
| VW 15.190 | 8 | |
| M.BENZ Accelo 1016 | 6 | |
| FORD Cargo 2429 | 5 | |
| VW Delivery Express | 4 | |
| VW 13.180 | 3 | |
| Caminhão-trator | VOLVO FH 540 6x4T | 93 |
| VOLVO FH 460 6x2T | 80 | |
| SCANIA R450 | 41 | |
| SCANIA R440 | 34 | |
| DAF XF 105 | 21 | |
| M.BENZ Actros 2651 | 17 | |
| VOLVO FH 500 | 13 | |
| SCANIA G420 | 9 | |
| IVECO Hi-Way | 7 | |
| MAN TGX 29.440 | 5 | |
| Micro-ônibus | M.Benz Sprinter 415 CDI | 19 |
| M.Benz Sprinter 416 CDI | 17 | |
| Renault Master | 5 | |
| Fiat Ducato | 4 | |
| Ônibus | M.Benz OF-1620 | 2 (não atende ao critério) |
| Reboque | JLF Carresul CA | 6 |
| ADD ACC-320 | 5 | |
| Guerra AG GR | 4 | |
| Semirreboque | Randon SR CA | 17 |
| Facchini SRF LO | 15 | |
| Guerra SR | 8 | |
| Noma SR3E27 | 5 | |
| Trator de rodas | Massey Ferguson | 34 |
| New Holland | 9 | |
| John Deere | 5 | |
| Valtra | 4 | |
| Trator misto | Massey Ferguson | 3 |
A análise conjunta dos dados de 2024, 2025 e dos primeiros cinco meses de 2026 mostra que a criminalidade envolvendo veículos pesados apresenta dois movimentos simultâneos. De um lado, houve uma redução importante no total de ocorrências em 2026, concentrada nos roubos. De outro, os furtos avançaram nos meses mais recentes. Para o Grupo Tracker, em um cenário no qual o crime demonstra capacidade de adaptação e deslocamento, proteger o bem e/ou a carga com apenas uma tecnologia pode não ser suficiente. A estratégia mais eficiente é aquela que cria múltiplas barreiras: quanto mais camadas de proteção, maior a dificuldade para o criminoso e maior a capacidade operacional de resposta.
“Nossa recomendação é que empresas, transportadoras, seguradoras e gestores de risco passem a avaliar a proteção dos veículos de forma integrada. O investimento em rastreamento deve continuar sendo fundamental, mas ser complementado, sempre que aplicável ao perfil do veículo e da operação, por recursos de segurança capazes de aumentar a resistência do ativo contra a ação criminosa”, conclui Vitor Corrêa.
Período de abrangência dos dados: Os dados analisados neste boletim abrangem o período até maio de 2026, em razão das restrições aplicáveis à divulgação de informações por órgãos públicos durante o período eleitoral, nos termos da legislação eleitoral vigente.





