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Levamento revela modelos de motos mais roubadas e furtadas em SP no 1º quadrimestre

Estudo da FECAP lista os modelos de motocicletas com mais ocorrências de roubos e furtos no estado de São Paulo no primeiro quadrimestre de 2026
Centro de Estudos em Economia do Crime (CEEC) | 28/07/2026

Estudo do Centro de Estudos em Economia do Crime (CEEC) da Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado (FECAP) lista os modelos de motocicletas com mais ocorrências de roubos e furtos no estado de São Paulo no primeiro quadrimestre de 2026, em comparação com o mesmo período de 2025.

O modelo HONDA/CG 160 FAN ficou na1ª posição do ranking com 1.352 casos, mesmo sendo registrada uma redução de -27,5% nas ocorrências. O modelo HONDA/CG 160 TITAN teve uma alta de +14,2% com 965 ocorrências computadas; enquanto a HONDA/CG 160 START ficou com a 3ª posição com 639 registros, uma queda de -12,9%. Em contrapartida, um crescimento estatístico expressivo de +106,9% foi apresentado pelo modelo MOTTU/SPORT 110I, que saltou de 87 para 180 ocorrências.

Evolução no primeiro quadrimestre de 2026 x 2025

RankingModelo20262025Var.%Posição em 2025
HONDA/CG 160 FAN13521865-27,5%
HONDA/CG 160 TITAN96584514,2%
HONDA/CG 160 START639734-12,9%
YAMAHA/FZ25 FAZER228321-29,0%
HONDA/CB300F TWISTER ABS19510487,5%21º
MOTTU/SPORT 110I18087106,9%27º
HONDA/PCX 150160181-11,6%
HONDA/ELITE 1251281261,6%16º
HONDA/CG 150 TITAN KS                  109129-15,5%15º
10ºHONDA/CG 160 CARGO93141-34,0%12º
11ºHONDA/XRE 19090100-10,0%24º
12ºHONDA/CB300F TWISTER CBS874785,1%45º
13ºYAMAHA/XTZ250 LANDER85215-60,5%
14ºHONDA/CG150 FAN ESDI83124-33,1%17º
15ºYAMAHA/YBR150 FACTOR ED81106-23,6%20º
16ºHONDA/CG 160 FAN ESDI81141-42,6%13º
17ºHONDA/XRE 300 ABS80160-50,0%10º
18ºHONDA/XRE 30080139-42,4%14º
19ºHONDA/CBX 250 TWISTER79103-23,3%22º
20ºHONDA/CG 150 FAN ESI7986-8,1%29º
21ºHONDA/CG 125 FAN KS75110-31,8%18º
22ºHONDA/NXR160 BROS ESDD75161-53,4%
23ºYAMAHA/MT03 ABS74108-31,5%19º
24ºH/HONDA 15074168-56,0%
25ºH/HONDA72213-66,2%
26ºYAMAHA/XTZ 250 LANDER6917305,9%90º
27ºHONDA/CG 125 FAN                       6989-22,5%26º
28ºHONDA/POP 110I ES6810580,0%130º
29ºHONDA/CB 300R67156-57,1%11º
30ºHONDA/BIZ 1256287-28,7%28º

Fonte: SSS/SP – Elaboração: FECAP

O modelo MOTTU\SPORT 110I ocupa uma posição relevante quando analisado o número de emplacamentos desta moto no Brasil. Ela é fabricada pela empresa indiana TVS Motor Company e chegou ao País em 2022 por meio de uma startup de aluguel de motos. Além de aparecer na estatística de roubos e furtos, ela também apresenta destaque ao ocupar uma posição anteriormente ocupada por empresas tradicionais no Brasil como a Yamaha.

Número de motos emplacadas no Brasil em 2026

RankingModeloMarçoAbrilVar.%
HONDA/CG 160               47.964              46.949-2,1%
HONDA/BIZ               25.946              23.449-9,6%
HONDA/POP 110I               24.639              23.372-5,1%
HONDA/NXR160               17.611              17.429-1,0%
MOTTU/SPORT 110I               10.185                 9.764-4,1%
YAMAHA/YBR 150                  7.092                 6.758-4,7%
HONDA/CB 300F                  6.498                 5.913-9,0%
HONDA/XRE 190                  5.457                 5.064-7,2%
HONDA/PCX 160                  4.970                 4.814-3,1%
10ºYAMAHA/FAZER 250                  4.232                 3.967-6,3%
11ºYAMAHA/XTZ 250                  3.918                 3.900-0,5%
12ºHONDA/XRE 300                  4.013                 3.883-3,2%
13ºSHINERAY/SHI 125                  3.958                 3.864-2,4%
14ºYAMAHA/FAZER 150                  3.850                 3.376-12,3%
15ºHONDA/ELITE 125                  3.166                 2.664-15,9%
16ºSHINERAY/SHI 175                  2.899                 2.556-11,8%
17ºYAMAHA/CROSSER 150                  2.726                 2.439-10,5%
18ºYAMAHA/AEROX 160                  2.284                 2.243-1,8%
19ºYAMAHA/NMAX                  1.949                 1.944-0,3%
20ºHONDA/ADV 160                  1.918                 1.764-8,0%
21ºSHINERAY/SHI 150                  1.643                 1.431-12,9%
22ºHONDA/XR 300L                  1.552                 1.376-11,3%
23ºYAMAHA/YZF R15                  1.265                 1.164-8,0%
24ºAVELLOZ/AZ1                  1.370                 1.152-15,9%
25ºHAOJUE/DK160                  1.117                 1.106-1,0%
26ºAVELLOZ/AZ160                  1.223                 1.010-17,4%
27ºYAMAHA/MT03                       876                     8901,6%
28ºSHINERAY/XY 125                  1.170                     798-31,8%
29ºBAJAJ/DOMINAR D400                       777                     7840,9%
30ºSHINERAY/SHI 250                       654                     77518,5%
Outros               11.037              10.754-2,6%
 Total Geral            207.959           197.352-5%

Fonte: www.fenabrave.org.br, 2026.

Locais com mais ocorrências

A análise da FECAP revela também os locais com mais ocorrências. Foram identificados altas abruptas em logradouros que antes apresentavam baixa incidência, destacando-se a Avenida Presidente Wilson (com alta estatística de 1200%), a Rua Alexandre Dumas (+700%) e a Rua Platina (+500%).

Apesar de ser uma região associada à forte concentração de comércio de peças e desmanches, uma redução de -39,3% foi apresentada na Avenida Sapopemba. A estabilidade de casos foi mantida na Rua Voluntários da Pátria (0,0%) e na Rua Padre Adelino (0,0%), enquanto uma queda acentuada de -75,0% foi sofrida pela Rua Vergueiro no início de 2026.

A manutenção de altos percentuais de ocorrência em certas vias está em linha com as análises anteriores, sendo explicado pela localização desses logradouros nas regiões Norte, Sul e Leste, que concentram historicamente o maior volume de furtos e roubos de motos.

Vale destacar que nesse tipo de crime, há o comportamento “flutuante”: é natural que alternâncias no posicionamento das ruas sejam explicadas pelo deslocamento constante de infratores e vítimas entre diferentes ruas da cidade.

Evolução por logradouro no primeiro quadrimestre de 2026 x 2025

RankingLogradouro20262025Var.%Posição em 2025
VEDAÇÃO DA DIVULGAÇÃO DOS DADOS RELATIVOS47526082,7%
AVENIDA SAPOPEMBA1728-39,3%
ESTRADA DO ALVARENGA141040,0%25º
ESTRADA DO M’BOI MIRIM1423-39,1%
AVENIDA MINISTRO PETRONIO PORTELA147100,0%52º
AVENIDA PRESIDENTE WILSON1311200,0%2749º
RUA AMADOR BUENO13785,7%49º
RUA ROBERT BOSCH1114-21,4%11º
RUA VOLUNTÁRIOS DA PÁTRIA11110,0%16º
10ºAVENIDA DAS NAÇÕES UNIDAS1118-38,9%
11ºAVENIDA MICHIHISA MURATA114175,0%163º
12ºAVENIDA SENADOR TEOTÔNIO VILELA105100,0%87º
13ºRUA VOLUNTARIOS DA PATRIA9650,0%53º
14ºRUA PEDRO DE TOLEDO92350,0%308º
15ºRUA ANTONIO DE OLIVEIRA916-43,8%
16ºAVENIDA PARADA PINTO93200,0%272º
17ºRUA PADRE ADELINO880,0%31º
18ºRUA TITO83166,7%185º
19ºAVENIDA VILA EMA810-20,0%26º
20ºAVENIDA MENOTTI LAUDISIO8633,3%64º
21ºAVENIDA CUPECÊ84100,0%161º
22ºRODOVIA FERNÃO DIAS8560,0%91º
23ºRUA ALEXANDRE DUMAS81700,0%2812º
24ºRUA MIGUEL YUNES7540,0%73º
25ºRUA SARA DE SOUZA72250,0%335º
26ºRUA MAESTRO CARDIM712-41,7%13º
27ºRUA ANGELO DE CANDIA78-12,5%33º
28ºRUA CAVOUR715-53,3%
29ºRUA VERGUEIRO624-75,0%
30ºRUA PLATINA61500,0%962º

Fonte: SSS/SP – Elaboração: FECAP

Total de ocorrências diminuiu

O período de janeiro a abril de 2026 apresentou redução na variação de ocorrências: uma queda de -19,5% no total geral (reduzindo de 11.187 para 9.007 casos) foi verificada no primeiro quadrimestre, em relação ao mesmo período de 2025.

Comparativo Roubo e Furto no primeiro quadrimestre de 2026 x 2025

Ocorrência20252026Var.%
Furto81446917-15,1%
Roubo30432090-31,3%
Total Geral111879007-19,5%

Fonte: SSS/SP – Elaboração: FECAP

Os roubos de motos diminuíram -31,3% (caindo de 3.043 para 2.090 ocorrências), enquanto os furtos de motos reduziram -15,1% (recuando de 8.144 para 6.917). A queda foi considerada perceptível em todos os meses do período analisado.

Evolução no primeiro quadrimestre de 2026 x 2025

Mês20252026Var.%
Janeiro29152380-18,4%
Fevereiro27042101-22,3%
Março28842449-15,1%
Abril26842077-22,6%
Total Geral111879007-19,5%

Fonte: SSS/SP – Elaboração: FECAP

Segundo o pesquisador responsável pelo levantamento, professor Erivaldo Vieira, embora em números absolutos o Estado ainda apresente um valor elevado de ocorrências, uma tendência de queda de ocorrências de roubos e furtos de motos vem sendo verificada desde 2024.

Um dos motivos da redução pode ser em virtude da sazonalidade no setor de varejo: é comum o setor varejista brasileiro sofrer uma queda em suas vendas após o período no carnaval. “Esse cenário desaquece a atividade econômica de forma geral impactando, por exemplo, a comercialização de peças para reposição, o volume de entregas em domicílio e demais movimentações nas cidades que implicam em redução na circulação de motos”, afirma Vieira.

O pesquisador frisa que o furto é consolidado como a dinâmica delitiva padrão do setor, uma vez que a prática de furto se manteve maior do que a prática de roubo em todo o período, apesar das reduções obtidas.

Os números permitem definir três eixos fundamentais delineados:

  • Modelo populares/trabalho: veículos utilitários de baixa cilindrada (como a linha Honda CG160 e Mottu) são estabelecidos como alvos prioritários;
  • Pólos econômicos metropolitanos: regiões comerciais de maior poder aquisitivo (Santo Amaro, Santana e Tatuapé) são apontadas como os principais focos de delitos na capital;
  • Movimento de interiorização: embora a maior fatia dos números seja retida na Capital, aumentos expressivos foram registrados em cidades do interior e em cidades limítrofes (como Limeira e Taboão da Serra), o que sinaliza uma possível migração da atividade criminosa.

Metodologia da pesquisa

O levantamento da FECAP é feito com base nos dados de boletins de ocorrência registrados em todas as delegacias do Estado de São Paulo. Os números apresentados sobre roubos e furtos de motocicletas representam uma estimativa baseada nos registros oficiais disponíveis e, portanto, são inferiores ao total real de ocorrências.

Isso ocorre porque, para garantir a qualidade e a confiabilidade das análises, nossa metodologia exclui registros sem identificação da placa do veículo, ocorrências duplicadas e cadastros que apresentam inconsistências ou erros de preenchimento.

Além disso, é importante considerar que parte dos roubos e furtos de motocicletas não é registrada pelas vítimas junto às autoridades policiais, fenômeno conhecido como subnotificação. Dessa forma, os dados divulgados não correspondem à totalidade dos crimes efetivamente ocorridos.

Apesar dessas limitações, a metodologia empregada assegura uma base de dados consistente e suficientemente robusta para a análise estatística e o acompanhamento das tendências da criminalidade ao longo do tempo. Assim, os resultados permitem identificar a evolução do fenômeno e subsidiar análises técnicas com elevado grau de confiabilidade.

Vale salientar ainda que os campos que podem levar à identificação de pessoas são protegidos de acordo com o art. 31 da Lei de Acesso à Informação (Lei nº 12.527/2011), garantindo a privacidade e a proteção de dados pessoais. Assim, não são disponibilizados endereços, nomes ou quaisquer outros dados pessoais relacionados aos registros de ocorrência. Nesse sentido, muitas das informações que poderiam elucidar o detalhamento desta análise estão protegidas por lei.

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