Este boletim reúne um conjunto de dados disponíveis para o Estado de São Paulo e sua capital, além das principais notícias, com o intuito de ajudar na compreensão da situação econômica da região e na formação de expectativas entre empresários e consumidores.
Os dados de março mostram que, no primeiro trimestre do ano, as atividades econômicas seguem a trajetória observada em 2025: queda na produção industrial e de comércio, em contraste com alta na produção de serviços. Na variação acumulada dos últimos 12 meses, a atividade produtiva agregada vem crescendo cada vez menos.
Já os dados de abril demonstram que o emprego formal e o salário médio de admissão aumentaram. No acumulado dos últimos doze meses, a inflação subiu pelo segundo mês consecutivo. Em relação ao mesmo mês do ano anterior, o percentual de famílias endividadas, com contas em atraso e sem condições de pagar suas dívidas, aumentou. Ainda assim, a intenção de consumo das famílias e o interesse em expandir o comércio aumentaram.
Ainda com base nos dados de abril, o nível de confiança dos consumidores e dos empresários do comércio aumentou. No entanto, os dados de maio mostram que o nível de confiança dos empresários da indústria diminuiu.
Notícias de Abril – Referência para os Dados
No plano internacional, o Estreito de Ormuz mantém tráfego muito restrito, enquanto as negociações entre os EUA e o Irã permanecem em impasse. E, em meio a esse impasse, representantes militares de mais de 30 países se reuniram em Londres para propor uma missão multinacional, liderada pelo Reino Unido e pela França, para reabrir o estreito. O objetivo do plano militar “estritamente defensivo” é garantir a liberdade de navegação nessa via estratégica.
Os Emirados Árabes Unidos anunciaram a sua saída da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP), entidade responsável por controlar parte da oferta mundial de petróleo e, por conseguinte, manter os preços do produto em um patamar elevado. A decisão veio depois de críticas do país aos demais Estados árabes quanto à resposta do Conselho de Cooperação do Golfo aos ataques iranianos, embora as divergências entre os Emirados Árabes Unidos e a Arábia Saudita (líder da OPEP) sejam antigas. A saída do país fortalece os Estados Unidos, que acusaram a organização de aproveitar a guerra para cobrar altos preços do petróleo. No final do mês, a OPEP sinalizou que aumentaria a produção.
As exportações e importações, através da Turquia, para o Oriente Médio e a Ásia Central aumentaram, devido ao fechamento do Estreito de Ormuz. O Governo Federal fechou um acordo com a Turquia para usar o país como rota alternativa para os produtos do agronegócio brasileiro. No entanto, a ampliação do uso da rota levou a Turquia a exigir regras sanitárias mais rigorosas.
O presidente Lula fez uma viagem de cinco dias à Europa. Na Espanha, foram assinados 15 atos legais de cooperação. Um dos destaques, foi o acordo para o desenvolvimento de uma cadeia de valor no próprio país para a exploração de minerais críticos, acordo este também realizado com a Índia e a Coreia do Sul. Na Alemanha, outros 15 atos legais foram assinados. Além disso, o presidente participou da abertura da Hannover Messe 2026, a maior feira de inovação e tecnologia industrial do mundo. O País participou como expositor em uma área de 2.700 m2 e com participação de 140 empresas brasileiras. Outro destaque foi o anúncio da Alemanha, que destinará aproximadamente R$ 4,3 bilhões em investimentos no Brasil para projetos de clima e mobilidade sustentável. Já em Portugal, o presidente ficou apenas algumas horas. O destaque foi o encontro com o primeiro-ministro português, Luís Montenegro, para tratar de xenofobia e de imigração.
O Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central (BC), decidiu reduzir, pela segunda vez consecutiva, a taxa básica de juros para 14,5% ao ano, apesar da continuidade da guerra no Oriente Médio.
O Conselho Monetário Nacional (CMN) aprovou novas regras para o Fundo Garantidor de Crédito (FGC), que funciona como um “seguro” para algumas aplicações financeiras. O objetivo é proteger os investidores e evitar que problemas isolados em instituições específicas se transformem em crises mais amplas. As mudanças buscam aprimorar a gestão da liquidez, por exemplo, com a criação de um indicador para medir a qualidade e a liquidez dos ativos de um banco. A ideia é evitar que os bancos assumam riscos excessivos ao captar recursos com garantia do FGC.
O Governo Federal liberou um crédito extraordinário de R$ 300 bilhões para subsidiar a importação de gás de cozinha. A medida tem como objetivo garantir que o Gás Liquefeito de Petróleo (GLP) seja vendido pelo mesmo preço do produto nacional e, assim, evitar que o aumento do seu preço no mercado internacional seja repassado para o consumidor final brasileiro. O subsídio será válido até 31 de maio e poderá ser prorrogado por mais dois meses.
A companhia Araucária Nitrogenados S.A. (Ansa), uma subsidiária da Petrobras no Paraná, voltou a produzir ureia, um dos tipos de fertilizantes mais usados no mundo. O objetivo é reduzir a dependência externa de fertilizantes, que responde por 80% da demanda pelo produto no Brasil e deixou o país vulnerável em razão da guerra na Ucrânia e do fechamento do Estreito de Ormuz. Em 2025, a Petrobras reestatizou duas fábricas de fertilizantes, uma na Bahia e outra em Sergipe. Com as três fábricas em operação, a estimativa é aumentar a participação da Petrobras no mercado interno de ureia para 20%. E ainda falta concluir mais uma unidade em Mato Grosso do Sul, com estimativa para iniciar sua operação comercial em 2029.
No mês ocorreu a 31ª edição da Agrishow, a maior feira agropecuária do Brasil, que reuniu mais de 800 marcas expositoras. Na feira, o vice-presidente Geraldo Alckmin, anunciou a criação de uma nova linha de crédito, com taxa de juros reduzida, para a modernização de máquinas e implementos agrícolas no montante de R$ 10 bilhões. O Governo do Estado de São Paulo apresentou na feira, por meio do seu estande, as suas políticas públicas para o setor. Entre elas, os resultados do Programa Paulista de Regularização Fundiária. Entre 2023 e março de 2026, mais de 237 mil hectares de terra foram regularizados e mais de 12 mil títulos de propriedade foram emitidos.
As obras do Trem Intercidades (TIC) Eixo Norte tiveram início em Vinhedo, interior de São Paulo. O trem, com capacidade de 860 passageiros com assentos marcados, além de espaços para bagagens e bicicletas, e velocidade de até 140 km/h, é o primeiro do Brasil. A estimativa é que o trajeto de 101 km entre São Paulo e Campinas leve 64 minutos. A operação está prevista para 2031. O projeto TIC Eixo Norte contempla mais dois serviços. O Trem Intermetropolitano (TIM), com pontos intermediários entre Jundiaí e Campinas, e a modernização da Linha 7-Rubi, que opera entre as estações Palmeiras-Barra Funda e Jundiaí.
Atividade Econômica
O volume de vendas do setor varejista no Estado de São Paulo apresentou, no primeiro trimestre deste ano, queda em relação ao mesmo período do ano anterior. Um resultado pior, na mesma base de comparação, foi observado pela última vez, em março de 2017 (-4,5%).
Em março de 2026, o volume de vendas no comércio varejista ampliado no Estado de São Paulo, medido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), registrou queda de 1,3% em relação ao mesmo mês do ano anterior, enquanto, na média do Brasil, aumentou 6,5%. Entre as subcategorias analisadas pelo IBGE, os destaques positivos ficaram para equipamentos e materiais para escritório, informática e comunicação (+27,6%), livros, jornais revistas e papelaria (16,3%) e tecidos, vestuário e calçados (+11,5%). Por outro lado, as piores performances ficaram para o atacado especializado em produtos alimentícios, bebidas e fumo (-6,2%) e para hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (-3,8%).
No acumulado de janeiro a março, o volume de vendas do comércio varejista ampliado paulista caiu 3,4%, ao passo que, na média do país, observou-se uma alta de 1,9%. As maiores variações ocorreram em Pernambuco (+10,8%), em Tocantins (+9,1%), em Mato Grosso (+8,6%), no Rio Grande do Sul (-1,2%) e no Piauí (-1,6%). No setor varejista paulista, os destaques positivos ficaram para os equipamentos e materiais para escritório, informática e comunicação (+14,2%) e para os tecidos, vestuário e calçados (+9,1%). Por outro lado, as piores performances ficaram para o atacado especializado em produtos alimentícios, bebidas e fumo (-10,6%), para os móveis (-10,1%) e para os veículos, motocicletas, partes e peças (-8,3%).
No primeiro trimestre deste ano, o Estado de São Paulo ficou na quinta posição entre as maiores taxas de crescimento do volume de serviços em relação ao mesmo período do ano anterior. Na mesma base de comparação, um melhor resultado foi observado pela última vez, em março de 2022 (+11,3%).
Em março de 2026, o volume de serviços no Estado de São Paulo, medido pelo IBGE, registrou alta de 4,0% em relação ao mesmo período do ano anterior. A média do País foi de +3,0%. Os destaques ficaram para os setores de serviços de informação e comunicação (+8,0%) e de transportes, serviços auxiliares aos transportes e correio (+4,8%). Já as atividades turísticas caíram 3,1% nesse período, menos do que no País (-3,9%).
No acumulado de janeiro a março, o volume de serviços prestados subiu 4,4%. A média do País foi de +2,3%. As maiores variações positivas ocorreram no Distrito Federal (+11,2%), em Mato Grosso (+10,8%) e em Roraima (+8,8%), enquanto as maiores variações negativas ocorreram no Ceará (-4,7%), em Tocantins (-4,8%) e no Acre (-9,7%). Já as atividades turísticas cresceram 1,6% nesse período.
No primeiro trimestre do ano, a produção industrial no Estado de São Paulo apresentou variação negativa em relação ao mesmo período do ano anterior. Uma variação negativa, na mesma base de comparação, foi observada pela última vez em março de 2023 (-3,4%).
Em março de 2026, a produção industrial no Estado de São Paulo, medida pelo IBGE, registrou alta de 2,2% em relação ao mesmo mês do ano anterior. Já a produção industrial nacional registrou alta de 4,3%, na mesma base de comparação. As indústrias extrativas diminuíram 12,8%, enquanto a indústria de transformação aumentou 2,5%. Na indústria de transformação, os principais resultados positivos ocorreram no setor de fabricação de equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos (+14,5%) e de veículos automotores, reboques e carrocerias (+13,1%). Já as maiores quedas ocorreram nos setores de fabricação de bebidas (-8,7%) e de produtos farmoquímicos e farmacêuticos (-4,3%).
No acumulado de janeiro a março, a produção industrial caiu 1,0%. Já a produção industrial nacional registrou alta de 1,3%, na mesma base de comparação. Os maiores resultados positivos foram observados em Pernambuco (+29,6%), no Espírito Santo (+22,6%) e em Mato Grosso do Sul (+10,3%), enquanto os maiores resultados negativos ocorreram no Ceará (-5,7%), na Bahia (-6,5%) e no Rio Grande do Norte (-19,2%). O resultado das indústrias extrativas em São Paulo foi de -8,0%, enquanto o da indústria de transformação foi de -0,9%. Vale destacar que, em contraste com o resultado de São Paulo, as indústrias extrativas cresceram 8,7% no Brasil.

O Índice de Atividade Econômica Regional do Banco Central (IBCR), que mede a evolução conjunta dos setores produtivos da economia (comércio, serviços, indústria e agropecuária), é divulgado mensalmente pelo Banco Central (BC), e ajuda na definição da taxa básica de juros pelo Comitê de Política Monetária (Copom). Ele também serve como “prévia” do PIB, embora tenha uma metodologia diferente. Em comparação com o mesmo mês do ano anterior (março de 2025), a atividade econômica no Estado de São Paulo subiu 2,8%. Já no acumulado dos últimos 12 meses, o crescimento no Estado foi de 0,6%, bem abaixo da média nacional de 1,8%. Entre os 17 estados pesquisados, as maiores variações foram observadas no Espírito Santo (5,3%) e no Rio de Janeiro (4,4%). Já as menores variações ocorreram no Ceará (1,4%) e em Minas Gerais (1,5%). Assim, os dados mostram que São Paulo apresentou o pior resultado.

Os dados sobre a produção do comércio, dos serviços e da indústria, apresentados pelo IBGE, bem como o IBCR do Banco Central, referem-se a março de 2026. Logo, ainda não refletem os acontecimentos apresentados no início deste Boletim.
Emprego
O emprego formal aumentou no Estado de São Paulo, no entanto, menos do que a média do Brasil. Já o salário médio aumentou, e mais do que no País.
Com base no Novo Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), em abril de 2026, o emprego formal no Estado de São Paulo apresentou saldo positivo de 20.202 postos de trabalho, o que representou um aumento de 0,14% no estoque em relação ao mês anterior, resultado inferior à média do Brasil, de +0,18%. O salário médio de admissão aumentou 0,93% e atingiu R$2.693,01, um aumento maior do que o observado na média do País, de +0,70%.
Na divisão por grupo, o saldo de postos de trabalho foi maior para os homens (10.112), para as pessoas com 18 a 24 anos (22.380) e para as pessoas com ensino médio completo (18.298).

Os maiores aumentos ocorreram no Acre (+0,91%), no Amapá (+0,85%) e no Distrito Federal (+0,40%), ao passo que Rio Grande do Norte (-0,03%), Rio Grande do Sul (-0,05%) e Alagoas (-0,34%) apresentaram variações negativas.
E na geração de emprego por setor, os destaques ocorreram no transporte rodoviário de carga (+8.052), na fabricação e refino de açúcar (+3.039), nas atividades de atendimento hospitalar (+2.425), nas atividades de teleatendimento (-1.111) e na locação de mão de obra temporária (-3.147).
No acumulado do ano, o estoque de emprego formal no Estado de São Paulo cresceu 1,40% e, nos últimos 12 meses, 1,61%, resultados menores do que os observados na média do País, 1,49% e 2,27%, respectivamente.
Em maio, também foi divulgada a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua) do primeiro trimestre de 2026, realizada pelo IBGE. De acordo com a pesquisa, a taxa de desemprego no Estado de São Paulo atingiu 6,0%, o que representa uma diminuição de 0,3 ponto percentual (p.p.) em relação ao primeiro trimestre de 2025. A taxa de desemprego estimada no Brasil foi de 6,1%. Em São Paulo, a taxa de desemprego foi maior entre as mulheres (7,0%), os pardos (7,1%), as pessoas adultas entre 18 e 24 anos (13,8%) e as pessoas com ensino médio incompleto ou equivalente (13,4%).

A taxa composta de subutilização, resultante da soma das taxas de desemprego, de força de trabalho potencial e de subocupação, atingiu 11,5%, o que representa uma redução de 0,7 p.p. em relação ao mesmo trimestre de 2025. Para a média do País, a taxa foi de 14,3%. Essa taxa reflete melhor a subutilização da força de trabalho, isto é, a oferta de trabalho disponível, mas ainda não empregada. Isso porque ela também inclui as pessoas de fora da força de trabalho que gostariam de trabalhar e as de dentro da força de trabalho que gostariam de trabalhar mais.
Por fim, no Estado de São Paulo, o mercado de trabalho começou o ano de 2026 com um resultado melhor em comparação ao primeiro trimestre de 2025, apesar do rendimento real mensal médio ter se mantido estatisticamente estável. A taxa de desemprego e a taxa composta de subutilização são as menores da série histórica, e inferiores quando comparadas com as taxas estimadas para a média do Brasil.
Inflação
No acumulado dos últimos doze meses, a inflação subiu pelo segundo mês consecutivo em São Paulo; e mais do que a observada na média do Brasil.
Segundo o IBGE, em abril de 2026, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) da Região Metropolitana de São Paulo (RMSP), que reflete a variação no custo de vida das famílias com rendimentos de 1 a 40 salários-mínimos (SM), subiu 0,55% em relação ao mês anterior. Para o País, o variação no custo de vida foi de +0,67%. Na divisão mais detalhada por item, entre os maiores aumentos, estão o leite longa vida (+15,18%), o peixe – tilápia (+7,48%), o papel higiênico (+5,09%) e o produto para barba (+4,06%). Por outro lado, entre as maiores reduções, estão a passagem aérea (-11,94%), o transporte por aplicativo (-4,38%), o frango em pedaços (-4,19%) e o café moído (-3,45%). Em razão do conflito no Oriente Médio, vale destacar a variação de preço dos combustíveis. O óleo diesel teve um aumento de 3,05%, a gasolina, de 1,80%, e o gás de botijão, de 2,78%, enquanto o etanol apresentou uma redução de 0,33%. No mesmo mês do ano anterior (abril de 2025), o IPCA apresentou alta de 0,52%.
Nos últimos 12 meses, o IPCA registrou um aumento de 4,80%. Os destaques ficaram para a passagem aérea (+30,72%), o feijão carioca (+23,61%), o chocolate em barra e bombom (+23,58%), o transporte por aplicativo (+23,34%), o óleo diesel (+17,66%), os jogos de azar (+15,17%), o ovo de galinha (-17,83%), o arroz (-18,10%) e o azeite de oliva (-26,37%). Na média do Brasil, o IPCA subiu 4,39%.
Já o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), da RMSP, que reflete a variação no custo de vida das famílias com rendimentos de 1 a 5 SMs, subiu 0,69% no mês. Para o País, a variação no custo de vida foi de +0,81%. Na divisão mais detalhada por item, os destaques foram o cimento (+5,28%) e o tijolo (-3,25%). Os demais produtos em destaque são os mesmos do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), exceto o óleo diesel. No mesmo mês do ano anterior (abril de 2025), o INPC apresentou alta de 0,60%. Nos últimos 12 meses, o índice subiu 4,55%. Na média do Brasil, o INPC aumentou 4,11%.

Endividamento
No município de São Paulo, o percentual de famílias endividadas aumentou e atingiu um nível que só foi ultrapassado em maio de 2023 (73,1%). O percentual de famílias com contas em atraso e sem condições de pagar suas dívidas também aumentou, no entanto, níveis maiores já foram observados em novembro de 2025. Por fim, apesar dos aumentos, os percentuais permanecem menores quando em comparação à média do Brasil.
Em abril de 2026, a Pesquisa de Endividamento e Intenção de Consumo das Famílias (PEIC-SP), realizada pela FECOMÉRCIO-SP, apontou que o percentual de famílias endividadas atingiu 72,9%, um aumento de 1,8 ponto percentual (p.p.) em relação ao mês anterior e de 2,7 p.p. em relação a abril de 2025. Para as famílias com renda de até dez salários-mínimos (SMs), o percentual é de 76,3%, enquanto para as famílias com renda maior que dez SMs, 63,1%.

Já a proporção de famílias com dívidas em atraso foi de 21,1%, um aumento de 0,2 p.p. em relação ao mês anterior e de 0,5 p.p. em relação a abril de 2025. Para as famílias com renda de até dez SMs (25,6%), ao passo que para as famílias com renda maior que dez SMs (9,6%).
E, por fim, o percentual de famílias que não terão condições de pagar as dívidas atingiu 9,1%, um aumento de 0,2 p.p. em relação ao mês anterior e de 0,5 p.p. em comparação com abril de 2025. Para as famílias com renda de até dez SMs (11,8%), em contraste com as famílias com renda superior a dez SMs (3,3%).
Índices de Confiança
O nível de confiança dos consumidores no município de São Paulo aumentou pela quarta vez em 2026, em comparação com o mesmo mês do ano anterior, o que diverge da queda observada ao longo de todo o ano de 2025.
Em abril de 2026, o Índice de Confiança do Consumidor (ICC), calculado pela FECOMÉRCIO-SP, registrou queda de 3,8% em relação ao mês anterior. Já na comparação com o mesmo mês do ano anterior (abril de 2025), o índice subiu 9,1%. Para consumidores com renda de até dez SMs, o nível de confiança aumentou em 10,4%, enquanto para aqueles com renda superior a dez SMs, aumentou em 6,5%. E, para os consumidores com até 35 anos de idade, o nível de confiança aumentou 7,5%, ao passo que, para aqueles com mais de 35 anos, aumentou 11,8%. O subindicador que reflete a percepção dos consumidores sobre as condições atuais registrou alta de 14,6%, enquanto o que reflete as suas expectativas subiu 5,8%.
O nível de confiança dos empresários do comércio no município de São Paulo diminuiu pelo terceiro mês consecutivo, e mais do que o observado no País. No entanto, quando comparado com o mesmo mês do ano anterior, registrou aumento, porém menor do que o registrado no Brasil.
O Índice de Confiança do Empresário do Comércio (ICEC), também calculado pela FECOMÉRCIO-SP, registrou, em abril deste ano, queda de 3,1% em relação ao mês anterior. Em comparação com o mesmo mês do ano anterior (abril de 2025), o índice registrou um aumento de 2,1%.
O subindicador que reflete a percepção dos empresários sobre as condições atuais aumentou 2,9%, enquanto o que reflete as expectativas dos empresários diminuiu 0,6%. Já o subindicador que reflete a estratégia de investimento aumentou em 5,0%.

Os empresários da indústria do Estado de São Paulo continuam apresentando um aumento do pessimismo em comparação com o mesmo mês do ano anterior, tanto em relação às condições atuais quanto às suas expectativas para os próximos seis meses.
O Índice de Confiança do Empresário Industrial Paulista (ICEI-SP), calculado pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP), em parceria com a Confederação Nacional da Indústria (CNI), registrou, em maio de 2026, alta de 6,3% em relação ao mês anterior. O indicador evidencia uma diminuição no pessimismo entre os empresários. No entanto, na comparação com o mesmo mês do ano anterior (maio de 2025), o índice registrou uma queda de 2,8%. O subindicador que reflete as condições atuais apresentou uma redução de 6,0%, enquanto o subindicador que reflete as expectativas para os próximos seis meses diminuiu em 4,0%.
Os dados sobre o nível de confiança dos empresários da indústria paulista, calculados pela FIESP, referem-se a maio de 2026. Logo, já podem refletir os acontecimentos que serão apresentados no final deste Boletim.
Perspectiva
A intenção de consumo das famílias do município de São Paulo diminuiu pela segunda vez consecutiva em relação ao mês anterior, em contraste com o crescimento observado no País. Já na comparação com o mesmo mês do ano anterior, aumentou pela sétima vez consecutiva, e mais do que o observado na média do Brasil (+3,1%).
Em abril de 2026, o Índice de Intenção de Consumo das Famílias (ICF-SP), calculado pela FECOMÉRCIO-SP, diminuiu 0,8% em relação ao mês anterior. Em comparação com o mesmo mês do ano anterior (abril de 2025), o índice subiu 8,6%. Para as famílias com renda de até dez SMs, o índice cresceu 10,0%, enquanto para as famílias com renda acima de dez SMs, cresceu 4,8%. Dentre os sete itens avaliados, as maiores variações ocorreram no momento para duráveis (+22,7%), no acesso ao crédito (+17,4%) e na perspectiva de consumo (+11,5%). No entanto, as diferenças entre os níveis de renda são muito grandes. As variações do momento para duráveis, do acesso ao crédito e da perspectiva de consumo para as famílias com renda de até dez SMs foram de +28,0%, +20,5% e +16,0%, respectivamente. Já para as famílias com renda acima de dez SMs, foram de +11,0%, +9,7% e –0,2%, respectivamente.
Pelo lado da oferta, em comparação com o mesmo mês do ano anterior, o interesse pela expansão do comércio na Região Metropolitana de São Paulo aumentou pelo terceiro mês consecutivo, após seis quedas.
O Índice de Expansão do Comércio (IEC-SP), também calculado pela FECOMÉRCIO-SP, registrou uma diminuição de 1,5% em relação ao mês anterior. Na comparação com o mesmo mês do ano anterior (abril de 2025), o índice registrou alta de 5,1%. Entre os seus dois componentes, a expectativa de contratação de funcionários aumentou 5,8%, enquanto o nível de investimento das empresas aumentou 4,3%.

Em razão da data de publicação deste boletim, algumas notícias já podem impactar os indicadores econômicos de maio, que serão divulgados no próximo mês.
Os Estados Unidos e o Irã anunciaram um cessar-fogo para buscar um acordo definitivo e encerrar o conflito. As negociações tratam da reabertura do Estreito de Ormuz e do programa de enriquecimento de urânio iraniano, incluindo o destino do estoque já enriquecido. Contudo, o acordo ainda enfrenta tensões, com divergências quanto aos termos e trocas de ataques recentes.
No início do mês entrou em vigor o acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia. Com o acordo, mais de 80% das exportações brasileiras deixaram de incidir tarifa de importação.
O Governo Federal anunciou a revogação da chamada “taxa das blusinhas”, em vigor desde agosto de 2024. A taxa de 20% era aplicada às compras internacionais online de até US$ 50.
O Governo Federal criou uma linha de financiamento especial para a compra de carros novos por motoristas de aplicativo e taxistas. A nova linha de crédito vai oferecer até R$ 30 bilhões, com taxa de juros reduzida, carência de seis meses e para carros que custam até R$ 150 mil.
O Governo Federal lançou o Desenrola 2.0, um programa de renegociação de dívidas que permite o uso do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), para quem ganha até R$ 8.105. O objetivo do programa é reduzir o nível de endividamento das famílias. O programa também inclui empresas com faturamento de até R$ 4,80 milhões, com funcionamento e regras específicas.
Em razão do baixo nível das chuvas, a Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) elevou a bandeira tarifária para amarelo. Com a mudança, os consumidores de energia elétrica terão um custo adicional de R$ 1,885 a cada 100 kWh consumidos.
Para mais detalhes sobre alguns dos indicadores apresentados, inclusive com outras medidas de variação, acesse o site.
Expediente CECON
Coordenação
Allexandro Emmanuel Mori Coelho, Professor Doutor
Equipe Econômica
Jobson Monteiro de Souza, Professor Doutor
Rafael Barišauskas, Professor Mestre
Termo de isenção de responsabilidade
Este relatório foi preparado pela equipe integrante do Centro de Estudos em Conjuntura Econômica (CECON) da Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado (FECAP), utilizando os melhores esforços dos responsáveis. As informações foram obtidas através de fontes públicas críveis, e estão sujeitas a revisões sem aviso prévio. O CECON e a FECAP não se responsabilizam por quaisquer decisões econômicas ou de investimento tomadas com base nas informações deste relatório. O conteúdo deste relatório é livre, não podendo ser comercializado ou monetizado por terceiros de nenhuma forma. Este produto possui caráter exclusivamente informativo e não deverá ser usado para constituir qualquer decisão de compra ou venda de ativos ou produtos ou de investimento.