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O que esperar do cenário macroeconômico pós COVID-19?

Autoria: Nadja Heiderich Professora de Economia e coordenadora do Núcleo de Estudos de Conjuntura...
Extensão | 01/07/2020
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Autoria: Nadja Heiderich
Professora de Economia e coordenadora do Núcleo de Estudos de Conjuntura Econômica da FECAP.
A pandemia que o mundo está enfrentando trouxe como consequência o colapso econômico da maior parte dos países. Sejam eles desenvolvidos, emergentes ou pobres.

A cada projeção econômica realizada para 2020, ampliam-se as perdas. A última projeção realizada, em junho, pelo Banco Mundial, indica uma contração mundial na ordem de -5,2%. No Brasil, a contração seria de 8%. Para as demais economias também são projetadas contrações, como na norte americana (-6,1%), na zona do euro (-9,1%), no Japão (-6,1%), na Rússia (-6%), na Argentina (-7,3%), com exceção da China, onde projeta-se crescimento de 1%.

O boletim focus, que realiza pesquisa junto a instituições do mercado financeiro, divulgado semanalmente pelo Banco Central, tem apresentado projeções cada vez maiores de contração para a economia brasileira. O boletim divulgado em 15/06 apresentou uma projeção de -6,51% para o PIB brasileiro, em 2020.

Afora as projeções para a atividade econômica, outros indicadores têm demostrado o efeito devastador desta pandemia. O IPCA vem por dois meses consecutivos apresentando deflação, -0,31% em abril e -0,38% em maio. Espera-se que a inflação feche 2020 a 1,60%, abaixo do piso da meta perseguida pelo Banco Central.

A última pesquisa sobre serviços aponta contração do segmento pelo terceiro mês seguido, sendo que no mês de abril a queda foi de 11,7%. O setor de comércio apresenta queda acumulada de 18,6%.

As incertezas com relação à duração das medidas de combate à pandemia, bem como dos seus efeitos posteriores, ampliaram a volatilidade nos mercados financeiros, fazendo com que a cotação do dólar atingisse o patamar de R$ 5,90/US$, durante o mês de maio. Ao longo do mês de junho a cotação caiu abaixo de R$ 5,00/US$, num breve momento de otimismo nos mercados.

O setor automobilístico não ficou imune à pandemia. De acordo com dados da Anfavea, a queda da produção em abril, talvez o pico da crise no setor, foi de quase 100%. Em maio, é possível verificar uma retomada da atividade.

Entretanto, quando observamos o licenciamento de veículos novos, a queda foi de -66% na comparação entre março e abril. E uma retomada modesta em maio.
Aparentemente, o efeito da pandemia foi relativamente mais sentido na oferta do que na demanda por veículos. Isso pode ser explicado pelas medidas de contenção do coronavírus que exigiram a paralização de diversas empresas, mas ao mesmo tempo, talvez neste setor foi possível continuar o atendimento ao público consumidor por meio de atendimento on-line.

Assim como toda crise econômica, a crise gerada por conta da pandemia mundial em algum momento irá passar, convertendo-se em um período de recuperação.

Apesar de uma lenta recuperação, espera-se que 2021 seja um ano melhor. O desenvolvimento da vacina contra a COVID-19 está em suas fases finais e a descoberta de medicamentos eficazes no tratamento da doença fazem com que as projeções para 2021 sejam de crescimento econômico mundial (4,2%), bem como para o Brasil (2,2%).

Entretanto, tem-se que se levar em conta que o ambiente está cheio de incertezas, o que eleva o risco para qualquer tipo de decisão. Estamos passando por uma crise econômica jamais vista anteriormente em sua forma e extensão, bem como, a nível Brasil, vivemos uma crise política e institucional.

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