voltar ao topo
Image by Magnific

Confira o boletim CECON FECAP de Julho de 2026

Boletim CECON FECAP reúne dados com o intuito de ajudar na compreensão da situação econômica do Estado de São Paulo
Centro de Estudos em Conjuntura Econômica (CECON) | 06/08/2026

Confira o boletim CECON FECAP de Julho de 2026

Este boletim reúne um conjunto de dados disponíveis para o Estado de São Paulo e sua capital, além das principais notícias, com o intuito de ajudar na compreensão da situação econômica da região e na formação de expectativas entre empresários e consumidores.

Os dados de maio mostram que as atividades econômicas seguem a trajetória observada em 2025: queda na produção industrial e no comércio, em contraste com o crescimento nos serviços. Na variação acumulada em 12 meses, a atividade produtiva agregada recuou marginalmente em relação ao registrado no mês anterior.

Já os dados de junho demonstram que o emprego formal e o salário médio de admissão aumentaram. No acumulado em doze meses, a inflação diminuiu, após três altas consecutivas. Em relação ao mesmo mês do ano anterior, o percentual de famílias endividadas aumentou, mas o percentual daquelas com contas em atraso e sem condições de pagar suas dívidas diminuiu. Ademais, a intenção de consumo das famílias aumentou, enquanto o interesse em expandir o comércio permaneceu estável.

Ainda com base nos dados de junho, o nível de confiança dos consumidores aumentou, ao passo que o dos empresários do comércio diminuiu. Já os dados de julho mostram que o nível de confiança dos empresários da indústria diminuiu.

Notícias de Junho – Referência para os Dados

As negociações de paz entre Estados Unidos e Irã seguem em andamento, mas ainda enfrentam incertezas. Como parte desse processo, os Estados Unidos anunciaram a suspensão temporária, por 60 dias, das sanções econômicas contra o Irã. A medida integra as primeiras etapas do acordo provisório e permite a retomada das exportações de petróleo e das transações internacionais, funcionando como forma de alívio econômico para incentivar a continuidade das negociações. No entanto, o cessar‑fogo provisório permanece frágil, diante de episódios recentes de ataques e acusações mútuas de descumprimento do acordo.

As tensões comerciais entre Estados Unidos e Brasil se intensificaram após o governo norte‑americano propor a aplicação de tarifas de 25% sobre produtos brasileiros, com base em investigação que classificou práticas do país como “irrazoáveis” ou “discriminatórias”. Entre as justificativas apresentadas pelo governo norte-americano estão pontos relacionados ao comércio digital (incluindo o Pix), propriedade intelectual, tarifas preferenciais, acesso ao mercado de etanol e desmatamento ilegal, considerados prejudiciais às empresas e às exportações dos EUA. A proposta pode afetar cerca de 21% das exportações brasileiras destinadas aos EUA, com maior exposição de setores industriais como máquinas e equipamentos, plásticos, calçados, madeira, papel, ferro fundido e pescado.

O Comitê de Política Monetária (Copom) reduziu a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, de 14,50% para 14,25% ao ano, na terceira queda consecutiva dos juros básicos da economia. A decisão ocorre em um cenário de inflação ainda pressionada e elevado nível de incerteza, especialmente devido aos impactos de conflitos internacionais e de choques de oferta sobre preços de energia e alimentos. O Banco Central justificou a continuidade do corte com base na avaliação de que as “melhores práticas” de política monetária recomendam não reagir integralmente a choques de oferta, como variações temporárias de preços decorrentes de fatores externos ou climáticos, adotando uma postura de maior cautela na condução da política monetária.

O programa Novo Desenrola Brasil tem avançado na renegociação de dívidas. Somente pela Caixa Econômica Federal, foram renegociados aproximadamente R$ 5,5 bilhões em dívidas. Desse montante, R$ 460,7 milhões referem-se ao Desenrola Família, R$3 bilhões ao Desenrola FIES e R$2 bilhões ao Desenrola Empresas. O objetivo da iniciativa é contribuir para a redução da inadimplência e a recomposição da capacidade de consumo das famílias, ao permitir a regularização de débitos em condições mais favoráveis, o que pode gerar efeitos positivos sobre o crédito e a atividade econômica no curto prazo.

O Ministério da Fazenda lançou o “Painel de Caracterização das Desonerações Tributárias”, que permite identificar os beneficiários dos incentivos fiscais e sua distribuição entre programas, regiões e setores. Em 2024, as desonerações somaram R$ 339,86 bilhões, distribuídos em 87 programas. Desse total, 59% dos benefícios foram destinados a municípios de baixa vulnerabilidade e 46% a setores de baixa intensidade tecnológica. A ferramenta é particularmente importante diante do debate sobre o custo dos incentivos para as contas públicas. Assim, a disponibilidade desses dados permitirá aos gestores públicos, ao Congresso Nacional e aos pesquisadores avaliar, revisar e aprimorar as políticas de desoneração tributária.

O Governo Federal ampliou o acesso às linhas de financiamento do programa Plano Brasil Soberano. As empresas exportadoras e seus fornecedores que comprovarem um impacto de pelo menos 1% no faturamento, em razão das tarifas impostas pelos Estados Unidos ou do conflito no Oriente Médio, poderão acessar as linhas de crédito do programa. Antes, o impacto mínimo exigido para adesão era de 5% no faturamento. O programa oferece financiamento para capital de giro, aquisição de máquinas e equipamentos, adaptação de produtos, serviços e processos, entre outras finalidades. O objetivo da ampliação é mitigar os efeitos de choques externos sobre a atividade econômica e a capacidade exportadora das empresas brasileiras.

Por fim, o Governo Federal prorrogou por mais seis meses as cotas de importação com alíquota zero para veículos elétricos e híbridos desmontados e semidesmontados. A cota é de US$ 463 milhões em importações desses veículos. Por outro lado, para as importações acima da cota, a tarifa será elevada para 35% em julho, para os modelos semidesmontados, e para 35% em janeiro de 2027, para os modelos desmontados.

Atividade Econômica

Em comparação aos demais entes federativos, o varejo paulista registrou, até maio, a maior queda no volume de vendas frente ao mesmo período do ano anterior. Uma queda maior, na mesma base de comparação, ocorreu pela última vez em maio de 2020 (-10,0%).

Em maio de 2026, o volume de vendas no comércio varejista ampliado no Estado de São Paulo, medido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), registrou queda de 6,4% em relação ao mesmo mês do ano anterior, enquanto a média do Brasil diminuiu 0,6%.

Entre as subcategorias analisadas pelo IBGE, os maiores avanços ocorreram em tecidos, vestuário e calçados (+13,7%), livros, jornais, revistas e papelaria (+12,5%) e combustíveis e lubrificantes (+10,7%). Por outro lado, os piores desempenhos foram observados no atacado especializado em produtos alimentícios, bebidas e fumo (-31,5%) e no setor de móveis (-10,2%).

No acumulado de janeiro a maio, o volume de vendas do comércio varejista ampliado paulista caiu 4,2%, ao passo que, na média do País, observou-se uma alta de 1,3%. As maiores variações positivas ocorreram em Pernambuco (+8,8%), em Tocantins (+8,7%) e em Goiás (+6,9%). São Paulo apresentou o pior resultado, seguido pelo Piauí (-1,9%).

No varejo paulista, os maiores avanços ocorreram nos setores de equipamentos e materiais para escritório, informática e comunicação (+12,4%) e de tecidos, vestuário e calçados (+9,0%). Por outro lado, os piores resultados ocorreram no atacado especializado em produtos alimentícios, bebidas e fumo (-15,6%), em móveis (-11,9%) e em veículos, motocicletas, partes e peças (-8,1%).

Em comparação aos demais entes federativos, o Estado de São Paulo ficou na sétima posição em termos de taxa de crescimento do volume de serviços, no acumulado até maio, ante igual período do ano anterior. Um resultado melhor, na mesma base de comparação, foi observado pela última vez em maio de 2022 (+10,9%).

Em maio de 2026, o volume de serviços no Estado de São Paulo, medido pelo IBGE, registrou alta de 1,7% em relação ao mesmo período do ano anterior. A média do País foi de +0,4%. Os destaques ficaram para os setores de serviços de informação e comunicação (+6,0%) e de transportes, serviços auxiliares aos transportes e correio (-3,2%). Já as atividades turísticas caíram 0,9% nesse período, menos do que o observado no País (-1,6%).

No acumulado de janeiro a maio, o volume de serviços prestados subiu 3,9%. A média do País foi de +1,9%. As maiores variações positivas ocorreram no Distrito Federal (+10,5%), em Roraima (+8,6%) e em Rondônia (+6,6%), enquanto as maiores variações negativas ocorreram no Amazonas (-5,5%), no Ceará (-5,5%) e em Tocantins (-4,5%). Já as atividades turísticas cresceram apenas 0,3% nesse período.

No acumulado até maio, a produção industrial paulista registrou queda frente ao mesmo período do ano anterior. Um recuo maior, na mesma base de comparação, ocorreu pela última vez em abril de 2023 (-2,4%).

Em maio de 2026, a produção industrial no Estado de São Paulo, medida pelo IBGE, registrou queda de 1,0% em relação ao mesmo mês do ano anterior. Já a produção nacional registrou alta de 0,2%, na mesma base de comparação. As indústrias extrativas cresceram 8,4%, enquanto a indústria de transformação diminuiu 1,2%.

Na indústria de transformação, o principal resultado positivo ocorreu no setor de fabricação de coque, de produtos derivados do petróleo e de biocombustíveis (+10,3%). Já as maiores quedas ocorreram nos setores de confecção de artigos do vestuário e acessórios (-14,1%) e de fabricação de produtos de metal, exceto máquinas e equipamentos (-10,9%).

No acumulado de janeiro a maio, a produção industrial caiu 0,5%. Já a produção nacional registrou alta de 1,4%, na mesma base de comparação. Vale destacar o crescimento de 6,9% na fabricação de coque, de produtos derivados do petróleo e de biocombustíveis em São Paulo. Os maiores resultados positivos na produção industrial foram observados no Espírito Santo (+21,9%), em Pernambuco (+14,9%) e no Rio de Janeiro (+7,8%), enquanto os maiores resultados negativos ocorreram no Rio Grande do Norte (-15,5%), no Maranhão (-6,2%) e na Bahia (-5,1%).

O resultado das indústrias extrativas em São Paulo foi de -3,3%, enquanto o da indústria de transformação foi de -0,5%.

O Índice de Atividade Econômica Regional do Banco Central (IBCR), que mede a evolução conjunta dos setores produtivos da economia (comércio, serviços, indústria e agropecuária), é divulgado mensalmente pelo Banco Central (BC) e ajuda na definição da taxa básica de juros pelo Comitê de Política Monetária (Copom). Ele também serve como “prévia” do PIB, embora tenha uma metodologia diferente.

Em comparação com o mesmo mês do ano anterior (maio de 2025), a atividade econômica no Estado de São Paulo subiu 0,1%. Já no acumulado em 12 meses, o crescimento no Estado foi de 0,4%, bem abaixo da média nacional de 1,4%.

Entre os 17 estados pesquisados, as maiores altas foram observadas no Rio de Janeiro (+5,0%) e no Espírito Santo (+3,9%), enquanto os menores avanços ocorreram no Amazonas (+0,9%), seguido pelo Rio Grande do Norte, Paraná e Minas Gerais (todos com +1,5%). Assim, São Paulo apresentou o pior resultado no período.

Os dados sobre a produção do comércio, dos serviços e da indústria, apresentados pelo IBGE, bem como o IBCR do Banco Central, referem-se a maio de 2026 e, portanto, ainda não refletem os acontecimentos apresentados no início deste Boletim.

Emprego

O emprego formal aumentou no Estado de São Paulo, porém um pouco abaixo da média do Brasil. Já o salário médio aumentou, e esse aumento foi maior do que o observada no País.

Com base no Novo Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), em junho de 2026, o emprego formal no Estado de São Paulo apresentou saldo positivo de 34.981 postos de trabalho, o que representou um aumento de 0,24% no estoque em relação ao mês anterior, resultado inferior à média do Brasil, de +0,30%.

Os maiores aumentos ocorreram no Amapá (1,04%), no Acre (+0,88%) e no Mato Grosso (0,85%), ao passo que Espírito Santo (-0,24%) e Tocantins (-0,06%) apresentaram variações negativas.

Na divisão por grupos, o saldo de postos de trabalho foi maior entre as mulheres (+19.838), entre as pessoas de 18 a 24 anos (+27.087) e entre aquelas com ensino médio completo (+23.625). Vale também destacar a redução do saldo para as pessoas com ensino superior completo (-2,683) e para aquelas a partir de 50 anos (-5.919).

Na divisão por setores, os destaques ocorreram no transporte rodoviário de carga (+7.432), na locação de mão de obra temporária (+7.039), no cultivo de laranja (+4.493), nas atividades de atendimento hospitalar (+3.119), nas atividades de teleatendimento (-2.762) e na educação (-6.312).

Por fim, o salário médio de admissão aumentou 1,80% e atingiu R$2.724,94, um aumento maior do que o observada na média do País, de 0,71%.

No acumulado do ano, o estoque de emprego formal no Estado de São Paulo cresceu 1,75% e, nos últimos 12 meses, 1,46%, resultados menores do que os observados na média do País, 1,96% e 2,05%, respectivamente.

Inflação

Após três aumentos consecutivos, a inflação acumulada em 12 meses em São Paulo caiu, embora tenha permanecido acima da média observada no Brasil.

Segundo o IBGE, em junho de 2026, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) da Região Metropolitana de São Paulo (RMSP), que reflete a variação no custo de vida das famílias com rendimentos de 1 a 40 salários-mínimos (SMs), caiu 0,03% em relação ao mês anterior. Para o País, a variação no custo de vida foi de +0,16%.

Na divisão mais detalhada por item, entre os maiores aumentos, estão o feijão carioca (+8,42%), a passagem aérea (+4,65%) e o transporte por aplicativo (+3,04%). Por outro lado, entre as maiores reduções, estão o café moído (-4,15%), o óleo de soja (-3,47%) e o seguro voluntário do veículo (-3,32%). Dado o seu peso no orçamento, cabe mencionar a variação de preços do frango em pedaços (-1,87%) e da energia elétrica residencial (-1,67%).

Em razão do conflito no Oriente Médio, vale também destacar a variação de preço dos combustíveis. O etanol teve uma redução de 3,61%, a gasolina de 0,87% e o óleo diesel de 0,82%, enquanto o gás de botijão apresentou um aumento de 0,41%.

No mesmo mês do ano anterior (junho de 2025), o IPCA apresentou alta de 0,29%. Já nos últimos 12 meses, registrou aumento de 4,98%. Os destaques ficaram para a passagem aérea (+66,89%), o feijão carioca (+39,96%), o chocolate em barra e bombom (+18,70%), os jogos de azar (+15,17%), o óleo diesel (+14,02%), o arroz (-9,99%), o açúcar refinado (-13,21%), o café moído (-15,64%) e o azeite de oliva (-21,37%).

Na média do Brasil, o IPCA subiu 4,64%. Portanto, ficou acima do teto da meta de inflação de 4,5% ao ano estabelecido pelo Banco Central para o país.

Já o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), da RMSP, que reflete a variação no custo de vida das famílias com rendimentos de 1 a 5 SMs, caiu 0,07% no mês. Para o País, a variação no custo de vida foi de +0,14%. Na divisão mais detalhada por item, os destaques foram os mesmos do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), exceto o óleo diesel.

No mesmo mês do ano anterior (junho de 2025), o INPC apresentou alta de 0,35%. E nos últimos 12 meses, o índice subiu 4,57%. Na média do Brasil, o INPC aumentou 4,33%.

Endividamento

Em comparação a junho de 2025, o percentual de famílias endividadas no município de São Paulo aumentou. Em contrapartida, a proporção de famílias com contas em atraso e sem condições de pagar suas dívidas diminuiu. Ademais, todos os indicadores permaneceram abaixo da média nacional.

Em junho de 2026, a Pesquisa de Endividamento e Intenção de Consumo das Famílias (PEIC-SP), realizada pela FECOMÉRCIO-SP, apontou que o percentual de famílias endividadas ficou em 74,1%, uma redução de 0,1 ponto percentual (p.p.) em relação ao mês anterior, mas 2,8 p.p. acima do observado em junho de 2025. Para as famílias com renda de até dez salários-mínimos (SMs), o percentual foi de 77,4%, enquanto para as famílias com renda maior que dez SMs, foi de 64,5%.

Já a proporção de famílias com dívidas em atraso ficou em 20,7%, uma queda de 0,3 p.p. em relação ao mês anterior e de 0,8 p.p. na comparação a junho de 2025. Para as famílias com renda de até dez SMs, a proporção foi de 25,1%, ao passo que, para as famílias com renda maior que dez SMs, foi de 9,8%.

Por fim, o percentual de famílias que não terão condições de pagar as suas dívidas ficou em 8,5%, uma queda de 0,4 p.p. frente ao mês anterior e de 0,5 p.p. frente a junho de 2025. Para as famílias com renda de até dez SMs, o percentual foi de 11,3%, em contraste com 2,9% entre aquelas com renda superior a dez SMs.

Índices de Confiança

O nível de confiança dos consumidores no município de São Paulo aumentou pela sexta vez consecutiva em 2026 ante o mesmo mês do ano anterior, em contraste com a queda observada durante todo o ano de 2025.

Em junho de 2026, o Índice de Confiança do Consumidor (ICC), calculado pela FECOMÉRCIO-SP, registrou alta de 2,9% em relação ao mês anterior. Já na comparação com o mesmo mês do ano anterior (junho de 2025), o índice subiu 9,9%. Para os consumidores com renda de até dez SMs, o nível de confiança aumentou 11,3%, enquanto para aqueles com renda superior a dez SMs, aumentou 7,2%. Já para os consumidores com até 35 anos de idade, o nível de confiança aumentou 8,3%, ao passo que, para aqueles com mais de 35 anos, aumentou 12,8%.

O subindicador que reflete a percepção dos consumidores sobre as condições atuais registrou alta de 9,0%, enquanto o que reflete as suas expectativas subiu 10,5%.

Pelo terceiro mês consecutivo, a confiança dos empresários do comércio no município de São Paulo permanece em patamar pessimista, e a variação mensal indica uma intensificação dessa postura. Esse resultado difere do observado na média do Brasil, em que a confiança dos empresários encontra-se em patamar otimista e apresenta variação mensal positiva.

O Índice de Confiança do Empresário do Comércio (ICEC), também calculado pela FECOMÉRCIO-SP, registrou, em junho deste ano, queda de 1,1% em relação ao mês anterior.

Em comparação com o mesmo mês do ano anterior (junho de 2025), o índice registrou uma diminuição de 7,1%. Na divisão por tipo de produto e número de empregados, as maiores reduções foram observadas entre os empresários produtores de semiduráveis (-17,8%) e entre aqueles que possuem até 50 empregados (-7,3%).

O subindicador que reflete a percepção dos empresários sobre as condições atuais diminuiu 6,2%, enquanto o que reflete as expectativas dos empresários diminuiu 12,5%. Já o subindicador que reflete a estratégia de investimento diminuiu apenas 0,8%.

Os empresários da indústria do Estado de São Paulo permanecem pessimistas e apresentam um aumento dessa postura, em comparação com o mesmo mês do ano anterior, desde dezembro de 2024.

O Índice de Confiança do Empresário Industrial Paulista (ICEI-SP), calculado pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP), em parceria com a Confederação Nacional da Indústria (CNI), registrou, em julho de 2026, queda de 5,7% em relação ao mês anterior. A variação evidencia um aumento no pessimismo entre os empresários.

Na comparação com o mesmo mês do ano anterior (julho de 2025), o índice apresentou queda de 2,9%. O subindicador que reflete as condições atuais apresentou queda de 2,0%, enquanto o de expectativas para os próximos seis meses diminuiu 6,4%.

Os dados sobre o nível de confiança dos empresários da indústria paulista, calculados pela FIESP, referem-se a julho de 2026 e, portanto, já podem refletir os acontecimentos que serão apresentados no final deste Boletim.

Perspectiva

A intenção de consumo das famílias do município de São Paulo diminuiu pela quarta vez consecutiva em relação ao mês anterior, em contraste com o crescimento de 0,1% observado no País. Já na comparação com o mesmo mês do ano anterior, a intenção aumentou pela nona vez consecutiva, acima da média do Brasil (+3,2%).

Em junho de 2026, o Índice de Intenção de Consumo das Famílias (ICF-SP), calculado pela FECOMÉRCIO-SP, diminuiu 0,4% em relação ao mês anterior. Em comparação com o mesmo mês do ano anterior (junho de 2025), o índice subiu 7,3%. Para as famílias com renda de até dez SMs, o índice cresceu 8,9%, enquanto para as famílias com renda acima de dez SMs, cresceu 3,0%.

Entre os sete itens avaliados, as maiores variações ocorreram no momento para duráveis (+16,1%) e no acesso ao crédito (+10,3%).

No entanto, as diferenças entre os níveis de renda são muito grandes. As variações no momento para duráveis e no acesso ao crédito para as famílias com renda de até dez SMs foram de +20,6% e +13,9%, respectivamente. Já para as famílias com renda acima de dez SMs, foram de +5,6% e +1,4%, respectivamente.

Pelo lado da oferta, o interesse pela expansão do comércio na Região Metropolitana de São Paulo diminuiu pelo quarto mês consecutivo em relação ao mês anterior, embora, na comparação com o mesmo mês do ano anterior, tenha permanecido estável.

O Índice de Expansão do Comércio (IEC-SP), também calculado pela FECOMÉRCIO-SP, registrou queda de 0,8% em relação ao mês anterior. Já na comparação com o mesmo mês do ano anterior (junho de 2025), não apresentou variação. Entre os seus dois componentes, a expectativa de contratação de funcionários diminuiu 1,3%, enquanto o nível de investimento das empresas aumentou 1,6%.

Em razão da data de publicação deste boletim, algumas notícias já podem impactar os indicadores econômicos de julho, que serão divulgados no próximo mês.

Os Estados Unidos estabeleceram uma tarifa de importação adicional de 12,5% para produtos brasileiros, com base em uma investigação realizada sobre 60 parceiros comerciais, que constatou a importação de mercadorias produzidas nesses países, total ou parcialmente, com trabalho forçado. Para uma parte das exportações brasileiras, essa tarifa soma-se à tarifa adicional de 25%, especificamente sobre os produtos brasileiros, anunciada anteriormente pelo governo do presidente Donald Trump. A sobretaxa acumulada de 37,5% afetará cerca de 16,5% das exportações brasileiras destinadas aos EUA, correspondendo a aproximadamente US$ 6,6 bilhões em vendas ao mercado norte-americano. Entre os setores afetados estão os de máquinas e equipamentos, móveis, confecções e calçados.

O Governo Federal manteve neste mês o subsídio de R$ 0,44 por litro de gasolina e R$ 1,12 por litro de diesel. No entanto, o subsídio adicional de R$ 0,35 por litro de diesel foi retirado, embora a retomada dos ataques no Oriente Médio tenha voltado a pressionar as cotações internacionais do petróleo.

O Governo Federal prorrogou para até 31 de agosto o Desenrola Brasil 2.0, o programa de renegociação de dívidas dos consumidores. A prorrogação não exigirá novos aportes públicos e permitirá que pessoas ainda em negociação com as instituições financeiras concluam o processo de regularização de suas dívidas.

A Enel reajustou as tarifas de fornecimento de energia elétrica em 24 municípios do Estado de São Paulo. O aumento médio para os consumidores residenciais foi de 8,97%, enquanto para as indústrias e grandes estabelecimentos comerciais foi de 15%.

Para mais detalhes sobre alguns dos indicadores apresentados, inclusive com outras medidas de variação, acesse o site: clique aqui.

Expediente CECON
Coordenação
Allexandro Emmanuel Mori Coelho, Professor Doutor
Equipe Econômica
Jobson Monteiro de Souza, Professor Doutor
Rafael Barišauskas, Professor Mestre

Termo de isenção de responsabilidade

Este relatório foi preparado pela equipe integrante do Centro de Estudos em Conjuntura Econômica (CECON) da Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado (FECAP), utilizando os melhores esforços dos responsáveis. As informações foram obtidas através de fontes públicas críveis, e estão sujeitas a revisões sem aviso prévio. O CECON e a FECAP não se responsabilizam por quaisquer decisões econômicas ou de investimento tomadas com base nas informações deste relatório. O conteúdo deste relatório é livre, não podendo ser comercializado ou monetizado por terceiros de nenhuma forma. Este produto possui caráter exclusivamente informativo e não deverá ser usado para constituir qualquer decisão de compra ou venda de ativos ou produtos ou de investimento.

Notícias Relacionadas

SIGA A FECAP NAS REDES SOCIAIS

Quer saber mais sobre a POST na FECAP?