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O Colégio e o Centro Universitário, mantidos pela Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado - FECAP, são certificados como Entidades Beneficentes de Assistência Social na área da educação.
A busca por economia doméstica tem ganhado cada vez mais relevância no orçamento das famílias brasileiras. De acordo com o professor e coordenador do Centro de Estudos em Finanças da Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado (FECAP), Ahmed El Khatib, muitas vezes a solução está em ajustes simples na rotina. Ações aparentemente pequenas podem gerar impacto financeiro significativo ao longo do tempo.
“A economia doméstica não depende de uma grande mudança isolada, mas da soma de hábitos cotidianos mais eficientes. Ajustar o uso dos equipamentos e reduzir desperdícios invisíveis faz diferença real no bolso”, afirma o especialista.
Pequenas mudanças, quando repetidas diariamente, geram impacto acumulado. “O segredo está na consistência. Ajustar a geladeira, evitar o stand-by e reduzir alguns minutos do banho pode parecer pouco isoladamente, mas, ao longo do mês e do ano, isso se transforma em economia concreta para as famílias”, conclui Ahmed.
Chuveiro elétrico é o principal vilão da conta
O chuveiro elétrico merece atenção especial. Responsável por mais de 30% da conta de luz em muitas residências, ele combina alto consumo com uso diário.
“O tempo de banho é o fator mais relevante. Passar de 8 para 15 minutos praticamente dobra o custo”, explica o professor.
Em um chuveiro típico de 5.500 W, um banho de 8 minutos por dia representa cerca de 22 kWh por mês, com custo aproximado de R$ 15,95 por pessoa. Já um banho de 15 minutos eleva o consumo para cerca de 41,25 kWh mensais, ou R$ 29,91 por pessoa. Em uma família de quatro pessoas, essa diferença pode ultrapassar R$ 670 por ano.
A temperatura da água também influencia. “Usar a posição verão ou morno pode reduzir o consumo em cerca de 30%”, diz Ahmed. Na prática, isso reduz o gasto mensal de cerca de 22 kWh para 15,4 kWh por pessoa, com economia aproximada de R$ 4,79 mensais. Em uma família de quatro pessoas, isso representa cerca de R$ 230 por ano.
Para equilibrar conforto e economia, o especialista recomenda banhos entre cinco e oito minutos. “Não adianta apenas reduzir a temperatura e manter banhos longos. O ganho real vem da combinação de menor tempo e menor consumo energético”, orienta.
Ajuste correto da geladeira evita desperdício
Um dos pontos de atenção está na geladeira, um dos eletrodomésticos que funcionam continuamente. Segundo Ahmed, um modelo típico pode consumir cerca de 40 kWh por mês, o que representa aproximadamente R$ 29 mensais. “Quanto mais a geladeira ‘força’ para resfriar, maior o consumo, sem ganho relevante no uso doméstico”, explica.
O erro mais comum é ajustar o termostato para temperaturas mais baixas do que o necessário. Além disso, hábitos como abrir a geladeira com frequência ou deixar a porta aberta por tempo prolongado também pesam na conta. “Toda vez que a porta é aberta, o ar frio escapa e o motor precisa trabalhar novamente”, destaca.
Ele destaca que um ajuste inadequado ou uso incorreto pode elevar esse consumo em cerca de 10%, adicionando aproximadamente 4 kWh por mês — o equivalente a R$ 2,90 mensais, R$ 35 por ano ou R$ 175 em cinco anos. “É um desperdício invisível que encarece a conta sem a pessoa perceber”, destaca.
Stand-by: o consumo que acontece sem perceber
Outro fator frequentemente ignorado é o consumo em stand-by, quando aparelhos permanecem conectados à tomada mesmo sem uso. Equipamentos como TVs, videogames, roteadores, impressoras, micro-ondas com relógio digital e carregadores estão entre os principais vilões.
“Dependendo da combinação, o consumo em stand-by pode equivaler ao de uma geladeira por quase dois meses”, destaca. “Esse gasto pode representar até 12% da conta de luz em alguns casos. Não é um mito, é um custo contínuo, 24 horas por dia”, alerta Ahmed.
Na prática, um conjunto de aparelhos consumindo 10 watts continuamente pode gerar cerca de 7,2 kWh por mês, com custo aproximado de R$ 5,22. Se o consumo chegar a 30 watts, o gasto sobe para 21,6 kWh mensais, ou cerca de R$ 15,66. Em um ano, isso pode representar entre R$ 62 e R$ 188.
Segundo ele, o uso de réguas com interruptor é uma solução prática. “É a forma mais simples de cortar o consumo fantasma, desligando todos os aparelhos ao mesmo tempo enquanto não estiverem em uso, podendo gerar economia de R$ 120 a R$ 180 por ano”.
Atente-se à eficiência energética dos eletrodomésticos
Na hora de comprar um equipamento, a eficiência energética deve ser levada em consideração. Ahmed cita o exemplo de geladeiras com capacidades semelhantes, mas com consumo bastante distinto.
Enquanto um modelo pode consumir cerca de 31 kWh por mês, outro semelhante pode chegar a 55,3 kWh mensais. Essa diferença de 24,3 kWh representa aproximadamente R$ 21,84 por mês.
“Ao longo de uma vida útil de 15 anos, isso pode gerar uma diferença de quase R$ 4 mil. Isso mostra que eficiência energética não é detalhe técnico, é dinheiro real sendo desperdiçado”, finaliza.
O especialista: Ahmed Sameer El Khatib é Doutor em Finanças e Doutor em Educação, Mestre em Ciências Contábeis e Atuariais, graduado em Ciências Contábeis, Pós-doutor em Contabilidade e Pós-doutor em Administração. É graduando e doutorando em Psicologia Clínica. É professor e coordenador do Centro de Estudos em Finanças da Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado (FECAP) e professor adjunto de finanças da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP).