Acordo envolvendo BRB reduz risco imediato, mas não substitui solução prudencial e reforço de governança
O acordo firmado para viabilizar apoio financeiro ao Banco de Brasília (BRB) representa uma resposta relevante para reduzir riscos imediatos
Imprensa | 10/06/2026
O acordo firmado para viabilizar apoio financeiro ao Banco de Brasília (BRB) representa uma resposta relevante para reduzir riscos imediatos. No entanto, segundo Fabio Coimbra, professor da Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado (FECAP), é preciso separar três dimensões: o acordo institucional, a estrutura financeira e a solução prudencial.
“A principal questão não se limita à disponibilidade de recursos. Em crises bancárias, é preciso avaliar se houve reconhecimento adequado de perdas, provisões suficientes, capital compatível com os riscos assumidos, qualidade dos ativos, garantias efetivamente executáveis e uma estrutura de governança capaz de restaurar a confiança”, afirma.
A operação foi estruturada após acordo homologado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e atende a exigências do Banco Central para fortalecer a situação financeira do BRB. O empréstimo será concedido pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC), sem utilização direta de recursos federais.
Solução financeira é apenas parte da resposta
Na avaliação do professor, medidas de suporte financeiro são importantes para preservar a estabilidade do sistema, mas não substituem mecanismos essenciais de controle e gestão. “Arranjos financeiros e regras mais rigorosas de compliance são necessários, mas não substituem balanços confiáveis, gestão de riscos independente, auditoria com autonomia e estruturas de governança efetivas”, destaca.
Para Coimbra, qualquer processo consistente de recuperação institucional exige mais do que recursos emergenciais. É necessário garantir que os problemas que levaram à deterioração da confiança sejam identificados, tratados e monitorados de forma permanente.
Governança no centro da recuperação
O professor da FECAP destaca que a restauração da credibilidade de uma instituição financeira depende diretamente da qualidade de seus mecanismos de governança. Segundo ele, o Conselho de Administração, o Comitê de Auditoria e o Comitê de Riscos exercem papel fundamental na supervisão das atividades, na avaliação dos riscos e na promoção da transparência perante investidores, reguladores e depositantes.
“Uma recuperação sustentável exige responsabilização, transparência e estruturas de governança capazes de assegurar que os controles internos funcionem de forma efetiva. Sem isso, a confiança tende a permanecer fragilizada”, explica.
Reconstrução da confiança exige abordagem ampla
Para o especialista, a experiência internacional mostra que a recuperação de instituições financeiras depende de uma combinação de medidas financeiras, prudenciais e de governança. Embora a injeção de recursos contribua para reduzir riscos imediatos e preservar a estabilidade, a reconstrução da confiança demanda ações mais abrangentes e de longo prazo.
“A recuperação da confiança exige uma solução financeira, prudencial e de governança. São dimensões complementares e indispensáveis para que a instituição volte a operar com credibilidade e sustentabilidade”, conclui.
O especialista: Fabio Coimbra é professor da FECAP, doutor pela FEA-USP, conselheiro independente e membro de comitês de auditoria e riscos. Trabalhou por 21 anos no Banco Central do Brasil, em posições técnicas e de liderança, com atuação internacional no BIS, Comitê da Basileia e FSB. Foi sócio da PwC na prática de consultoria. É especialista em governança corporativa, gestão de riscos, compliance, regulação e supervisão financeira.