Este boletim reúne um conjunto de dados disponíveis para o Estado de São Paulo e sua capital, além de algumas notícias, com o intuito de ajudar na compreensão da situação econômica da região, bem como na formação de expectativas por parte dos empresários e consumidores.
As pesquisas indicam uma divergência entre os setores no crescimento da atividade econômica. O emprego formal é o salário médio continuam crescendo. Por outro lado, o custo de vida continua aumentando no acumulado dos últimos 12 meses, e mais do que a média observada para o Brasil. Ademais, o nível de confiança dos consumidores e dos empresários, bem como suas perspectivas de consumo e produção continuam caindo. E esses resultados negativos são maiores do que a média nacional.
E, por fim, as notícias mostram que o nível de incerteza na economia internacional ainda vai continuar. Além disso, o governo federal anunciou uma série de medidas que terão impacto em alguns indicadores nos próximos meses.
Notícias de Abril – Referência para os Dados
No plano internacional, o início do mês de abril foi marcado pelo “Dia da Libertação”, o anúncio do governo americano de elevação de suas tarifas comerciais para compensar as tarifas praticadas contra os EUA. Para os países que cobram até 20% de tarifa dos EUA, a tarifa recíproca será de 10%. E para os países acima de 20%, a tarifa recíproca será metade da praticada contra o país. O Brasil terá tarifa de 10%, a União Europeia de 20% e a China de 34%.
Após o anúncio, a tensão passou para como os países iriam reagir, isto é, se haveria retaliação, e em que grau. No caso da China, a resposta foi rápida e firme, com o anúncio de uma tarifa retaliatória recíproca de 34% sobre as importações dos EUA. Os EUA responderam com um aumento na tarifa para 104% e a China respondeu com um aumento para 84%. Além disso, a China restringiu o comércio e investimentos a 18 empresas e entidades dos EUA. Os americanos responderam novamente com um aumento na tarifa para 145%, seguido pela China com um novo aumento para 125%, que de acordo com o governo chinês, já inviabilizaria qualquer comércio entre os dois países.
Depois de toda essa escalada nas tensões entre os dois países, o presidente americano Donald Trump anunciou uma pausa de 90 dias nas tarifas para a União Europeia, bem como para os outros países que não retaliaram os EUA. Está muito difícil prever o tamanho do impacto dessas medidas e contramedidas no comércio internacional. E, para cada país, existe a preocupação de como essas medidas irão impactar no crescimento do PIB e na taxa de inflação.
Na política nacional, o destaque foi o evento o “O Brasil dando a Volta por Cima”, com o balanço das políticas do Governo Federal nos dois primeiros anos de mandato. O evento mostrou que o governo se dedicou à reconstrução e ampliação de políticas, como por exemplo, os programas Farmácia Popular e Minha Casa, Minha Vida (MCMV), além de acordos e parcerias internacionais. No caso do programa MCMV, o governo criou uma nova faixa para beneficiar as famílias com renda mensal até R$ 12 mil, e para imóveis até R$ 500 mil. A taxa de juros será de 10,5% ao ano e em 420 parcelas mensais. A estimativa é que a nova faixa movimente até R$ 30 bilhões.
Apesar dos anúncios positivos por parte de governo, o mês ficou marcado pela revelação de um esquema de fraude do INSS, que ocorreu através de descontos indevidos nos benefícios de aposentados e pensionistas para entidades sindicais e associações, entre 2019 e 2024. Os descontos sem autorização podem chegar a pelo menos R$ 6,3 bilhões. Ainda não está claro qual o montante total desviado e como as vítimas serão ressarcidas.
Por fim, em São Paulo, o destaque foi o evento Agrishow 2025, a principal feira de negócios do agronegócio brasileiro e que ocorreu em Ribeirão Preto, reunindo cerca de 800 marcas expositoras com o objetivo de fechar negócios em máquinas e equipamentos, fertilizantes, defensivos e sementes, bem como em serviços de capacitação, crédito e seguro rural. A estimativa é que a feira de agronegócio movimente R$ 15 bilhões.
Atividade Econômica
Os volumes de vendas no setor varejista, industrial e de serviços do mês de abril, calculados pelo IBGE, serão publicados apenas em junho.
No entanto, a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP), em parceria com a Confederação Nacional da Indústria (CNI), realiza uma pesquisa mensal chamada de “Sondagem Industrial”. De acordo com a pesquisa, em abril de 2025, as indústrias do Estado de São Paulo indicaram uma queda na produção tanto em relação ao mês anterior (o terceiro mês consecutivo), como na comparação com o mesmo mês do ano anterior. Além disso, a pesquisa também indicou que o estoque efetivo de produtos finais ficou acima do planejado ou usual.
Uma outra pesquisa, elaborada pela Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias (ABCR), mede o fluxo de veículos em rodovias pedagiadas, um importante termômetro da atividade econômica, pois reflete tanto o transporte de mercadorias quanto o deslocamento de passageiros. Enquanto o fluxo de veículos leves está intimamente ligado ao consumo das famílias e ao turismo, o de veículos pesados é um indicador relevante do transporte de cargas e da dinâmica do setor industrial e agropecuário.
O Índice ABCR, do Estado de São Paulo, em abril de 2025, registrou pequeno aumento de 0,74% em relação ao mês anterior. O fluxo de veículos leves avançou 1,16%, enquanto o fluxo de veículos pesados apresentou variação de +0,74%. Os resultados também são positivos no acumulado do ano, porém, na comparação com o mesmo mês do ano anterior, o fluxo de veículos pesados recuou 1,3%.
No caso do comércio varejista, a FECOMÉRCIO-SP realiza um pesquisa mensal para identificar a percepção dos empresários do setor em relação à inadequação de estoques para “acima” (quando há a sensação de excesso de mercadorias) e para “abaixo” (caso os empresários avaliem a falta de itens disponíveis para suprir a demanda em curto prazo).
O índice de Estoque (IE), de abril de 2025, registrou queda no percentual de empresários que consideram ter excesso de produtos nas prateleiras, alcançando 26,9%, e uma alta tanto no percentual com estoque adequados (para 53,5%), como na parcela que consideram estarem com falta de mercadorias nas prateleiras (para 19,4%). Assim, observa-se uma melhora no volume de vendas do comércio varejista.
Emprego
O emprego formal no Estado de São Paulo aumentou, mas um pouco menos do que foi observado para o país. Já o salário médio de admissão subiu mais do que a média nacional.
Com base no Novo Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), em abril, o emprego formal no Estado de São Paulo apresentou saldo positivo de 72.283 postos de trabalho, o que representou aumento de 0,50% no estoque em relação ao mês anterior. Além disso, o salário médio de admissão cresceu 1,53%, e alcançou o valor de R$ 2.552,62.
Na geração de emprego por setor, os destaques foram as atividades de apoio à agricultura e à pecuária (+5,11%), o transporte rodoviário de carga (+1,70%) e a construção de edifícios (+1,45%).
Além disso, o maior saldo positivo de postos de trabalho ocorreu para as pessoas com o ensino médio completo, com idade entre 18 e 24 anos e para as mulheres.
Inflação
O custo de vida na capital de São Paulo, medido pelo IPCA, continua aumentando no acumulado dos últimos 12 meses, o que justificaria o aumento na taxa básica de juros realizado pelo Banco Central. A variação mensal e a acumulada nos últimos 12 meses em São Paulo foram maiores do que as variações registradas na média do Brasil. O INPC apresentou o mesmo comportamento, apesar de sua variação ter sido menor do que o IPCA.
Segundo o IBGE, em abril deste ano, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) na capital de São Paulo, que reflete a variação no custo de vida das famílias com rendimentos de 1 a 40 salários mínimos, subiu 0,52% em relação ao mês anterior. O destaque foi a passagem áerea, com uma redução de 13,78% no mês. No acumulado dos últimos 12 meses, a variação foi de +5,95%. E neste caso, o destaque ainda vai para o café moído, com aumento acumulado de 65,34%, além de carnes (26,15%), óleo de soja (23,04%) e ovo de galinha (20,57%). Vale destacar também o feijão carioca, com uma variação de -17,35%. Já o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), que reflete a variação no custo de vida das famílias com rendimentos de 1 a 5 salários mínimos, subiu 0,60%. No acumulado dos últimos 12 meses, a variação foi de +5,71%. Os produtos em destaque são os mesmos do IPCA.
Índices de Confiança
Pelo quarto mês consecutivo, o nível de confiança dos consumidores diminuiu no município de São Paulo, e alcançou o menor nível desde setembro de 2022. O destaque foi a queda maior para os homens.
Em abril de 2025, o Índice de Confiança do Consumidor (ICC), calculado pela FECOMÉRCIO-SP, registrou uma queda de 3,64% em relação ao mês anterior. Para os homens a redução foi de 4,40%, enquanto para as mulheres a queda foi de 2,85%. Os subindicadores que refletem a percepção dos consumidores em relação as condições atuais e em relação as suas expectativas diminuíram.
O nível de confiança do empresário do comércio no município de São Paulo também diminuiu, e pelo quinto mês consecutivo, mas a variação negativa foi a menor no período. Um resultado pior em comparação à média do Brasil, que ficou estável. A avaliação dos empresários paulistanos ainda é de pessimismo, mas alguns grupos já apresentam uma variação positiva no mês.
O Índice de Confiança do Empresário do Comércio (ICEC), também calculado pela FECOMÉRCIO-SP, registrou em abril deste ano uma redução de 0,43% ante o mês anterior. Na divisão por tipo de produto, apenas os empresários produtores de duráveis apresentaram queda (-1,94%). E na divisão por número de empregados, os empresários que possuem mais de 50 empregados apresentaram aumento expressivo (+5,04%).
Os subindicadores que refletem a percepção dos empresários em relação as condições atuais e a estratégia de investimento diminuíram em relação ao mês anterior, ao passo que o subindicador que reflete as expectativas dos empresários aumentou. Porém, em comparação ao mesmo mês do ano anterior, os três subindicadores registraram uma queda.
Apesar do nível de confiança do empresário industrial ter aumentado no mês, ele ainda permanece pessimista, uma percepção presente desde novembro de 2024.
O Índice de Confiança do Empresário Industrial Paulista (ICEI-SP), calculado pela FIESP, em parceria com a CNI, registrou, em maio de 2025, uma alta de 1,73% em relação ao mês anterior. O subindicador que reflete as condições atuais aumentou 2,14%, enquanto o subindicador das expectativas para os próximos 6 meses aumentou 1,26%. Entretanto, em comparação ao mesmo mês do ano anterior, os dois indicadores registraram uma queda.
Perspectiva
A intenção de consumo das famílias do município de São Paulo diminuiu, principalmente para as famílias de maior renda. Além disso, dentre os sete itens avaliados, a maior redução continua sendo o momento para compra de bens duráveis. Esse resultado é pior do que o observado para a média do Brasil, com destaque que o momento para compra de bens duráveis para o país apresentou uma pequena variação positiva.
Em abril de 2025, o Índice de Intenção de Consumo das Famílias (ICF- SP), calculado pela FECOMÉRCIO-SP, registrou uma queda de 2,28% em relação ao mês anterior. Para as famílias com renda até dez salários mínimos (SMs), a intenção diminuiu 1,92% no período, ao passo que para as famílias com renda acima de dez SMs diminuiu 3,20%. Dentre os sete itens avaliados, apenas o emprego atual obteve uma variação positiva (1,0%), enquanto a maior variação negativa ficou pela terceira vez seguida para o momento para compra de bens duráveis (-7,88%).
Já pelo lado da oferta, é o quinto mês consecutivo que ocorre uma diminuição do interesse na expansão do comércio entre os empresários da Região Metropolitana de São Paulo. Entretanto, a variação negativa foi a menor no período.
O Índice de Expansão do Comércio (IEC-SP), também calculado pela FECOMÉRCIO-SP, registrou uma queda de 1,00% em relação ao mês anterior. Dentre os seus dois componentes, o nível de investimento das empresas obteve a maior queda (-1,89%).
Em razão da data de publicação deste boletim, já existem algumas notícias que poderão impactar os indicadores econômicos de maio, que serão divulgados no próximo mês.
No mês de maio, a China e os EUA chegaram a um acordo para suspender por 90 dias o aumento das tarifas fixadas em abril. E durante o Fórum Empresarial Brasil-China, em Pequim, o país anfitrião anunciou investimentos no Brasil de R$ 27 bilhões. Dentre os setores beneficiados, estão os carros elétricos, a energia limpa e o combustível de aviação.
Além disso, o governo federal anunciou algumas medidas que mudam as regras do Bolsa Família e do setor elétrico. No entanto, foram as medidas para atingir a meta de política fiscal que mais geraram agitação no mercado. Especificamente, a mudança na alíquota do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) para determinadas transações. No mesmo mês, o Banco Central aumentou a taxa de juros para 14,75% ao ano, a maior taxa desde julho de 2006.
E, por fim, uma granja comercial em Montenegro, Rio Grande do Sul, registrou o primeiro caso de gripe aviária no país. Como resultado, mais de 30 países já suspenderam as importações de frango e derivados do Brasil, como por exemplo, a China e a União Europeia.
Expediente CECON
Coordenação
Allexandro Emmanuel Mori Coelho, Professor Doutor
Equipe Econômica
Jobson Monteiro de Souza, Professor Doutor
Rafael Barišauskas, Professor Mestre
Termo de isenção de responsabilidade
Este relatório foi preparado pela equipe integrante do Centro de Estudos em Conjuntura Econômica (CECON) da Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado (FECAP), utilizando os melhores esforços dos responsáveis. As informações foram obtidas através de fontes públicas críveis, e estão sujeitas a revisões sem aviso prévio. O CECON e a FECAP não se responsabilizam por quaisquer decisões econômicas ou de investimento tomadas com base nas informações deste relatório. O conteúdo deste relatório é livre, não podendo ser comercializado ou monetizado por terceiros de nenhuma forma. Este produto possui caráter exclusivamente informativo e não deverá ser usado para constituir qualquer decisão de compra ou venda de ativos ou produtos ou de investimento.