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68,4% dos universitários de SP possuem dívidas, aponta estudo inédito da FECAP

68,4% dos universitários de SP possuem dívidas, aponta estudo inédito da FECAP
Imprensa | 28/04/2026

O Centro de Estudos em Finanças da Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado (FECAP), lança estudo inédito que aponta vulnerabilidade financeira alta entre universitários paulistas: 68,4% dos estudantes têm dívidas ativas e 74,1% não possuem reserva emergencial, impactando em prejuízos emocionais e diretos no desempenho acadêmico.

O Índice FECAP de Endividamento Universitário Paulista (IFEUP), coordenado pelo professor Ahmed El Khatib, realizou o levantamento entre janeiro e março de 2026, com 3.248 entrevistas de alunos de instituições de ensino públicas e privadas.

Entre os principais resultados do estudo, estão:

  • 68,4% possuem alguma dívida ativa;
  • 41,7% atrasaram pagamentos nos últimos 12 meses;
  • 37,2% têm duas ou mais dívidas simultâneas;
  • 74,1% não possuem reserva emergencial;
  • 61,5% relatam ansiedade financeira;
  • 44% afirmam queda de concentração acadêmica;
  • 19% já cogitaram trancar a graduação por razões financeiras.

Segundo o professor El Khatib, o resultado mostra que a universidade deixou de ser apenas um espaço de formação profissional e passou a representar, para muitos jovens, o início da vida financeira marcada por dívidas. “Em 2026, para uma parcela significativa da juventude, a universidade se tornou também o espaço inaugural do endividamento. O estudante não enfrenta apenas desafios acadêmicos: ele convive com custos crescentes de permanência, necessidade de geração precoce de renda e maior exposição ao crédito de curto prazo”, afirma o docente.

Cartão de crédito lidera origem das dívidas

Entre as principais fontes de endividamento, o cartão de crédito aparece como o maior responsável, citado por 46% dos entrevistados. Em seguida, aparecem mensalidades e despesas educacionais (21%), empréstimos pessoais (13%), crédito via aplicativos digitais (11%) e dívidas familiares (6%).

Para o professor da FECAP, o cartão de crédito passou a funcionar como uma extensão artificial da renda mensal. “O crédito deixou de ser um recurso eventual e virou mecanismo de sobrevivência. Em muitos casos, o endividamento não decorre de excesso de consumo, mas de uma incompatibilidade estrutural entre renda disponível e custo mínimo de permanência universitária”, explica.

Pressão emocional e impacto acadêmico agravam o cenário

Além dos números financeiros, o estudo revela que o endividamento tem reflexos diretos na saúde mental e no desempenho acadêmico. 61,5% dos estudantes relatam ansiedade ao lidar com dinheiro, 38% dizem sofrer insônia e 42% afirmam sentir vergonha das próprias dívidas.

O impacto também se reflete na rotina universitária: 44% relataram queda de concentração nos estudos, 23% disseram já ter faltado a aulas por restrição financeira e 19% afirmaram que já cogitaram interromper a graduação por motivos econômicos.

“O endividamento universitário deixou de ser apenas uma questão contábil. Ele virou um fenômeno emocional e institucional, que afeta produtividade acadêmica, permanência no curso e a própria qualidade da formação profissional”, alerta Ahmed.

Jovens de menor renda enfrentam maior risco

A pesquisa identificou que o endividamento é mais intenso entre estudantes de famílias com menor renda. Entre aqueles com renda familiar de até R$ 3 mil, 77,2% estão endividados. Já na faixa entre R$ 3 mil e R$ 7 mil, o percentual é de 69,8%. O índice cai para 55,4% entre famílias com renda de R$ 7 mil a R$ 15 mil, e para 39,7% nas famílias acima de R$ 15 mil.

Metodologia do estudo

O IFEUP foi desenvolvido para permitir comparações futuras entre regiões, perfis de renda, tipos de instituição e faixas etárias, com o objetivo de se tornar referência periódica no acompanhamento da saúde financeira estudantil.

Com base em cinco dimensões analisadas (endividamento direto, liquidez, adimplência, pressão emocional e impacto acadêmico), o índice consolidado do primeiro trimestre de 2026 registrou 63,8 pontos em uma escala de 0 a 100, classificando o endividamento universitário paulista como de vulnerabilidade alta.

O estudo também aponta diferenças regionais: o maior nível de vulnerabilidade foi observado na capital e Grande São Paulo, com índice estimado de 68,9 pontos, influenciado pelo custo elevado de moradia, transporte e despesas urbanas.

“O IFEUP não pretende apenas registrar percentuais isolados. Ele traduz um fenômeno complexo em uma métrica integrada, capaz de orientar universidades e formuladores de políticas públicas. Monitorar a saúde financeira estudantil significa acompanhar a qualidade da transição entre juventude e vida econômica adulta”, conclui o professor.

O pesquisador: Ahmed Sameer El Khatib é Doutor em Finanças e Doutor em Educação, Mestre em Ciências Contábeis e Atuariais, graduado em Ciências Contábeis, Pós-doutor em Contabilidade e Pós-doutor em Administração.  É graduando e doutorando em Psicologia Clínica. É professor e coordenador do Centro de Estudos em Finanças da Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado (FECAP) e professor adjunto de finanças da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP).

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