Logística das vacinas: especialista aponta fatores que atrasam a distribuição - FECAP

Logística das vacinas: especialista aponta fatores que atrasam a distribuição

A vacinação contra a Covid-19, finalmente, parece estar andando a passos mais...
Imprensa | 08/07/2021
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A vacinação contra a Covid-19, finalmente, parece estar andando a passos mais rápidos pelo Brasil. Contudo, algumas medidas poderiam acelerar o tempo de distribuição da vacina, fazendo as doses chegarem mais rápido ao braço dos brasileiros. 

Segundo a doutora e mestra em Administração de Empresas e professora dos cursos de Graduação e Pós-graduação da Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado (FECAP), Sandra Façanha, a questão central para agilizar a logística é criar um segundo ponto de distribuição no nordeste do país, além do principal ponto do Ministério da Saúde existente hoje, que fica no aeroporto de Guarulhos. 

A especialista lembra que as diversas vacinas, de diferentes laboratórios, têm condições diferentes de conservação, variando de poucos graus positivos para até 70 graus negativos, o que necessita de ainda mais agilidade na distribuição, a fim de contribuir para a preservação do produto. 

PONTO DE DISTRUIÇÃO NO NORDESTE ACELERARIA DISTRIBUIÇÃO 

“Considero um erro, em um país geograficamente enorme como o nosso, em que existem vários países dentro de um País, termos somente um centro de distribuição com capacidade de câmaras frias de 80 graus negativos. Mais um grande ponto de distribuição no nordeste do Brasil ajudaria bastante. A região tem aeroportos internacionais que podem receber mais rapidamente voos vindos da Europa ou Estados Unidos trazendo doses, por exemplo”.

TRANSPORTE TEM ENTRAVES 

A especialista aponta ainda que a infraestrutura logística do Brasil se baseia basicamente em rodovias. No entanto, apesar da extensa malha rodoviária disponível, a qualidade das rodovias é um problema e as vacinas são transportadas por elas. 

“Se pensarmos na região Norte, há ainda outro agravante: o transporte por navegação depende do calado (nível das águas) dos rios. Uma viagem de uma semana pode demorar duas ou mais, a depender das condições pluviais”.

Outra opção, o transporte aéreo, também tem entraves: aeronaves comerciais não conseguem alcançar a maior parte dos municípios, porque precisam de infraestrutura para pouso inexistente na maioria das localidades. Restam somente as aeronaves de pequeno porte, que costumam ser, proporcionalmente, mais caras. 

AUMENTAR NÚMERO DE POSTOS DE VACINAÇÃO 

Outra medida que aceleraria a vacinação seria aumentar o número de postos de imunização: a otimização e velocidade da logística depende da ‘last mile’, ou última milha. É aquele percurso entre o centro de distribuição e o local da entrega do produto. Isso não vale só para as vacinas, mas para qualquer produto. 

“Se você tem um determinado bairro grande, e nesse bairro existem apenas dois ou três pontos de vacina, pode ser que o veículo que distribui as vacinas demore no trânsito para chegar em postos distantes. Agora, se em um mesmo bairro há 20 postos diferentes, eles seriam mais próximos e, em grandes cidades como São Paulo, isso aceleraria a entrega. Uma solução para aumentar os locais de vacinação seria estender a aplicação para farmácias, por exemplo, algo que foi pensado no início da pandemia”. 

TECNOLOGIA FACILITA 

Por fim, Sandra diz que a tecnologia é uma aliada da logística e deve ser aproveitada. 

“Eu já fui vacinada, mas já havia feito o meu cadastro antecipadamente em um aplicativo: automaticamente, já constava no aplicativo lá o lote da vacina, quando devo tomar a segunda dose e mais informações. Em termos de distribuição, aplicativos também podem ser usados para acelerar o processo: ter controle de estoque e armazenagem, controle de consumo, não só das vacinas, mas dos insumos relacionados, como seringas, agulhas, caixas refrigeradas, etc.”, finaliza. 

A especialista 

Sandra Façanha é Doutora e Mestre em Administração pela FEA/USP (Universidade de São Paulo), Mestre em Logística e Distribuição pela Cranfield University (Inglaterra, UK), MBA Executivo pela COPPEAD (UFRJ) e Bacharelado em Administração (Ênfase em Comércio Exterior) pela Universidade Veiga de Almeida (RJ). Atuou por mais de 20 anos em diversas posições gerenciais nas áreas de operações, logística e cadeia de suprimentos em empresas de médio e grande porte no Rio de Janeiro, São Paulo, Recife e Los Angeles (EUA). 

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