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Filantropia no Brasil tem potencial de expansão, diz especialista

O Brasil é um país generoso. As pessoas doam bastante, doam na comunidade, doam quando os amigos...
Fundo de Bolsas | 08/07/2021
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O Brasil é um país generoso. As pessoas doam bastante, doam na comunidade, doam quando os amigos pedem, doam nas ruas. Mas não doam o tempo todo e não doam todos os meses, e há um grande potencial para crescimento da doação e da generosidade. 

Essa é a opinião do professor de Responsabilidade Social Corporativa da Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado (FECAP), João Paulo Vergueiro

“Entre 140 países avaliados pelo Índice Mundial da Solidariedade, nós ficamos apenas em 54º lugar no ranking de 2020 – que por sinal foi a nossa melhor posição até hoje. E na pandemia nós doamos mais de R$ 7 bilhões, um valor inédito em nossa história. Então estamos no caminho do crescimento, da promoção da doação, mas ainda há muito o que se fazer”. 

O especialista diz que, no geral, no Brasil, as causas mais citadas são crianças, saúde e educação. 

“Outras causas acabam aparecendo e se alternando de acordo com as pesquisas realizadas. Não há exatamente uma causa que precisa de mais apoio – toda causa tem seu mérito e precisa receber atenção. Algumas são mais evidentes, como crianças morando nas ruas, por exemplo, ou saúde, e outras mesmo não sendo tão visíveis não deixam de precisar de apoio, como doenças raras e direitos humanos.” 

FILANTROPIA É MAIS QUE ASSISTENCIALISMO 

Vergueiro diz que, culturalmente, existe uma confusão e até um certo preconceito sobre o que é a filantropia no Brasil. 

“Há um certo preconceito com a palavra filantropia. Ela é muitas vezes entendida como assistencialismo, apenas como ajuda ao mais necessitado. Mas filantropia é isso e muito mais – é financiar causas que acreditamos, é trabalharmos por um país melhor por meio das ONGs e da doação, é gerar impacto. Então podemos tanto fazer filantropia de forma mais imediata, mais emergencial, como podemos também fazer filantropia de forma mais estratégica, doando para causas e organizações que vão transformar o país. Essa decisão vai de cada um, e até podemos expressar, cada um de nós, várias formas de fazer filantropia ao mesmo tempo.” 

FILANTROPIA ENTRE EMPRESARIADO 

O especialista diz que, no Brasil, muita mistura entre a filantropia individual e a corporativa. Por exemplo: as empresas doam e a família proprietária da organização diz que faz fazendo filantropia por meio das suas empresas. 

“Você pergunta se a família tem instituto para realizar doações e respondem que tem o da empresa. São ambientes distintos e que deveriam ser separados: uma coisa é a doação do patrimônio familiar, outra do patrimônio corporativo. Porém, claro, há muitos bons exemplos de empresários e empresárias no país fazendo filantropia de forma adequada e com grande impacto. Ainda que não sejam tantos como em outros países, cada vez mais vemos mais nomes empresariais aparecendo.” 

EMPRESAS ESTÃO MAIS ENGAJADAS 

Muitas empresas despertaram para os ganhos de marketing que a filantropia e o apoio a algumas causas geram, especialmente temas contemporâneos da sociedade, como racismo e homofobia. Segundo o professor, há geralmente boa sinergia entre marketing e causas, quando as iniciativas são verdadeiras e bem conduzidas.  

“Realmente há cada vez mais empresas preocupadas com esses temas. A disseminação do conceito de ESG (meio ambiente, social e governança) também colabora bastante, porque as empresas passam a prestar atenção na comunidade, no social, não apenas no ambiental.” 

BUROCRACIA ATRAPALHA 

O Brasil tem uma estrutura burocrática e economicamente ineficiente, na visão do professor. Nesse cenário, um modelo mais bem desenvolvido de incentivos tributários ajudaria a incentivar mais a filantropia no País. 

“Precisamos construir um modelo universal e que democratize os incentivos tributários. E há outras formas de incentivar mais a filantropia: falar mais disso de forma permanente nas mídias, estimular a doação dos funcionários das empresas, facilitar e baratear cada vez mais o processo de doação, inclusive com tecnologia, etc.” 

TODO MUNDO PODE AJUDAR 

E como a sociedade civil e as pessoas comuns podem ajudar a filantropia no Brasil? 

“Escolhendo causas para poiar de forma mais permanente, mais estratégica. Ou seja, não apenas doando nas emergências, nas tragédias, na rua ou na igreja, e sim também escolhendo ONGs que atuam nas causas que as pessoas defendem e se comprometendo a doar para elas todos os meses, de forma recorrente, e financiando que faz trabalhos sérios para que tenhamos um país melhor para todo mundo. Doar – e promover a doação, é uma grande forma de qualquer pessoa ajudar a filantropia no país.”, finaliza o professor. 

O especialista 

João Paulo Vergueiro é diretor executivo da ABCR – Associação Brasileira de Captadores de Recursos. Professor e coordenador do Fundo de Bolsas da FECAP e do Alumni Alvaristas, administrador e mestre em administração pública pela FGV-SP, e bacharel em Direito pela USP. Conselheiro da Fundação Amor Horizontal, da Kibô-no-Iê e do Conselho Regional de Administração de São Paulo, voluntário na pastoral da comunicação da Paróquia N. Sra. da Saúde e membro da ABRH-SP.

FUNDO DE BOLSAS FECAP 

O Fundo de Bolsas FECAP foi criado para promover a inclusão e a diversidade dentro da Instituição, proporcionando que jovens de alto potencial acadêmico, mas pouco acesso, tenham oportunidade de ter uma formação de excelência.  

Com a proposta de garantir um crescimento constante dos benefícios disponíveis para um número cada vez maior de alunos, ano após ano, a iniciativa incentiva ex-alunos a, após a sua formação, restituir ao Fundo o valor que foi investido nele durante sua vida acadêmica. Dessa maneira, o mesmo recurso beneficiará mais estudantes. 

É possível fazer uma doação única, ou se tornar um doador ou doadora recorrente, garantindo que tenhamos recursos crescentes para impactar cada vez mais e melhor a vida de jovens estudando na FECAP. 

Saiba mais sobre o Fundo de Bolsas FECAP: clique aqui!

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