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Onde investir em 2026? Segundo especialista, juros, eleições e volatilidade exigem estratégia e diversificação

O ano de 2026 deve ser marcado por um ambiente de investimentos mais desafiador, fique atento a onde investir.
Imprensa | 14/01/2026
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O ano de 2026 deve ser marcado por um ambiente de investimentos mais desafiador, com volatilidade elevada, incertezas fiscais, cenário eleitoral e tensões internacionais influenciando diretamente juros, câmbio e preços dos ativos. A avaliação é de Marcelo Cambria, coordenador da pós-graduação em Mercado de Capitais da  Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado (FECAP). O especialista destaca a importância de planejamento, estratégia de longo prazo e diversificação para atravessar o período com mais segurança e eficiência.

Segundo Cambria, o cenário macroeconômico tende a ser impactado principalmente pelo processo eleitoral no Brasil. “Desde a definição dos candidatos até a ausência ou presença de programas de governo claros, tudo interfere nas expectativas de juros e câmbio. Essas variáveis se influenciam mutuamente e afetam diretamente as decisões de investimento”, afirma.

O professor ressalta que há expectativa de queda gradual da taxa de juros ao longo do ano, já refletida nas curvas futuras, mas alerta que isso não é uma certeza. “A depender das contas públicas, da arrecadação e do ritmo da atividade econômica, esse movimento pode ser interrompido ou revertido”, explica.

Renda fixa segue atrativa, mas renda variável pode ganhar espaço

Mesmo com a perspectiva de queda dos juros, Cambria avalia que a renda fixa ainda oferece boas oportunidades em 2026. “Se o investidor entender que os juros vão cair, travar taxas mais altas em títulos de prazo maior pode permitir a captura de ganhos antes do vencimento”, observa.

Na renda variável, o cenário é mais cauteloso. Após uma performance expressiva do Ibovespa em 2025, o especialista não acredita na repetição do mesmo ritmo. “A volatilidade, as eleições e as tensões internacionais não favorecem a estabilidade dos ativos”, diz. Ainda assim, a eventual queda dos juros tende a beneficiar ações, já que reduz o custo de capital das empresas e aumenta seu valor no longo prazo.

Fundos imobiliários, câmbio e investimentos no exterior

No mercado de fundos imobiliários, Cambria aponta que o retorno gradual das empresas ao modelo presencial ou híbrido pode favorecer ativos de maior qualidade, especialmente lajes corporativas bem localizadas. “Ainda é um mercado desafiador, mas há espaço para oportunidades seletivas”, afirma.

Em relação ao câmbio, o professor destaca um cenário de forte volatilidade. “O real sofreu apreciação em determinados momentos, mas também enfrentou desvalorização com a redução do fluxo de capital estrangeiro, o que torna o dólar mais caro”, explica.

Já nos investimentos internacionais, especialmente no mercado americano, Cambria recomenda cautela. “Os múltiplos indicam que o mercado está caro em relação à média histórica. Isso não significa que haverá uma queda imediata, mas aumenta a probabilidade, dependendo de como os Estados Unidos irão se comportar diante dos eventos geopolíticos recentes”, analisa.

Setores promissores e segmentos que exigem atenção

Entre os setores com maior potencial de valorização em 2026, o especialista destaca aqueles ligados à automação, tecnologia e inteligência artificial. “São áreas que aumentam a eficiência das empresas, reduzem custos e seguem como prioridade estratégica”, afirma.

Por outro lado, setores mais sensíveis à manutenção de juros elevados exigem cautela, especialmente varejo e bens de consumo duráveis, que dependem fortemente de financiamento. “Além disso, é preciso acompanhar as políticas públicas de proteção à indústria e ao comércio nacional, que podem influenciar diretamente esses segmentos”, acrescenta.

Desafios de pequenos e grandes investidores

Cambria explica que a principal diferença entre pequenos e grandes investidores está no acesso à informação, ao timing de mercado e à capacidade de diversificação. “O grande investidor consegue ajustar exposições de forma mais coordenada, acompanhar curvas de juros e diversificar com mais profundidade, muitas vezes com carteiras de 20 ou mais ativos”, afirma.

Já o pequeno investidor enfrenta restrições de capital que dificultam esse nível de diversificação e a adoção de estratégias mais complexas. “Por isso, ele precisa ser ainda mais disciplinado na definição da estratégia e no respeito ao seu perfil de risco”, alerta.

Diversificação é proteção

Para o professor, a diversificação continua sendo um dos principais pilares da gestão de patrimônio. “Ela tem um papel mais claro de proteção do que de maximização de retorno. Ao reduzir o risco e o desvio padrão da carteira, o investidor evita ficar exposto a um único movimento de mercado”, explica.

Erros comuns e princípios para decisões mais seguras

Entre os erros mais frequentes no início do ano, Cambria aponta a concentração excessiva de investimentos e o abandono da estratégia de longo prazo. “Colocar todo o recurso em um único ativo pode até gerar ganhos expressivos em casos raros, mas o risco é muito alto e, na maioria das vezes, não é recomendável”, afirma.

Segundo ele, decisões mais seguras e eficientes devem ser guiadas por uma estratégia que vá além de 2026. “O investidor precisa pensar em prazo mais longo, respeitar seu perfil de risco e evitar decisões impulsivas. Segurança e eficiência não se constroem em um único ano, mas ao longo do tempo”, conclui.

O especialista: Marcelo Cambria é doutorando em Contabilidade, mestre em Controladoria e Contabilidade, e bacharel em Ciências Contábeis pela FEA/USP.  Possui mais de 27 anos experiência em finanças e mercado financeiro, tendo atuado em grandes companhias e no setor bancário, gerente executivo de finanças, contabilidade, riscos e relações com investidores, com operações de custódia, tesouraria e gestão de ativos. É co-autor do livro “Curso de Mercado Financeiro – Tópicos Especiais”, da Ed. Atlas, e revisor do livro “Administração Financeira”, da Ed. McGraw-Hill. É sócio-diretor da MC Consult e coordenador da pós-graduação em Mercado de Capitais da  Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado (FECAP).

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