Liberdade
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O Colégio e o Centro Universitário, mantidos pela Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado - FECAP, são certificados como Entidades Beneficentes de Assistência Social na área da educação.
Este boletim reúne um conjunto de dados disponíveis para o Estado de São Paulo e sua capital, além das principais notícias, com o intuito de ajudar na compreensão da situação econômica da região e na formação de expectativas por parte de empresários e consumidores.
Os dados de janeiro mostram que, na variação acumulada no ano, as atividades econômicas seguiram a trajetória observada em 2025: uma queda na produção industrial e de comércio, em contraste com uma alta na produção de serviços. Na variação acumulada dos últimos 12 meses, a atividade produtiva agregada vem crescendo cada vez menos.
Já os dados de fevereiro demonstram que o emprego formal aumentou, mas o salário médio de admissão diminuiu. No acumulado dos últimos doze meses, a inflação voltou a cair. O percentual de famílias endividadas, com contas em atraso e que não terão condições de pagar suas dívidas aumentou. E, em relação ao mesmo mês do ano anterior, a intenção de consumo das famílias e o interesse em expandir o comércio aumentaram.
Ainda com base nos dados de fevereiro, o nível de confiança dos consumidores aumentou, mas o dos empresários do comércio diminuiu. Por fim, os dados de março mostram que o nível de confiança dos empresários da indústria também diminuiu.
Notícias de Fevereiro – Referência para os Dados
No cenário internacional, os EUA e Israel atacaram novamente o Irã. O objetivo é ajudar os manifestantes a derrubar o regime comandado pelo aiatolá Ali Khamenei e, assim, impedir suas ambições nucleares e o desenvolvimento de mísseis balísticos intercontinentais. Em resposta, o Irã lançou uma onda de ataques contra as bases militares dos EUA no Oriente Médio. Os confrontos interromperam o tráfego no Estreito de Ormuz, responsável pelo fluxo de cerca de 20% do petróleo comercializado no mundo.
A Suprema Corte dos EUA derrubou uma parte das tarifas sobre produtos importados que havia sido imposta globalmente pelo presidente americano. A justificativa da Corte foi que, apesar da legislação permitir que o presidente regule a importação de produtos, ela não permite a imposição de tarifas, que é competência do Congresso. Em resposta, o presidente americano anunciou, com base em outro instrumento jurídico, a imposição de uma tarifa global de 10% pelo prazo de 150 dias para substituir, em parte, as tarifas derrubadas pela Suprema Corte. O Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio e Serviços (MDIC) informou que, com as mudanças, 46% das exportações brasileiras aos EUA ficam sem qualquer sobretaxa adicional, 25% estão sujeitas à tarifa global de 10% e 29% das exportações continuam submetidas a tarifas adicionais com base em outro instrumento jurídico.
O Governo da China estabeleceu uma cota anual de cerca de 2,7 milhões de toneladas para a importação de carne a fim de proteger os produtores locais. Já existe uma tarifa de 12% para a importação do produto, que sobe para 55% se a cota for excedida. A cota para o Brasil em 2026 é de 1,1 milhão de toneladas. Em 2025, o Brasil exportou para o país 1,7 milhão de toneladas, que representa 48% do volume total exportado.
O Governo Federal anunciou o aumento da tarifa de importação sobre mais de mil produtos, incluindo smartphones e equipamentos industriais – como navios, tratores, empilhadeiras, robôs industriais, tomógrafos e aparelhos de ressonância magnética. O objetivo, segundo o governo, é apenas proteger a produção nacional. No entanto, com o aumento da tarifa, o governo estima arrecadar até R$ 14 bilhões por ano, o que contribui para cumprir a meta de superávit fiscal de 2026 de R$ 34,3 bilhões. Após repercussão negativa e desgaste político, o governo revogou parte do aumento do imposto sobre produtos eletrônicos e bens de capital.
A Argentina e o Uruguai já aprovaram o acordo Mercosul-União Europeia. No Paraguai, o texto segue no Legislativo. E no Brasil, a Câmara dos Deputados aprovou, mas ainda falta o aval do Senado. Além disso, falta também o Governo Federal enviar para a Câmara o decreto sobre as salvaguardas do acordo, que são instrumentos de proteção que permitem o país reagir em caso de surtos de importações que causem grande prejuízo aos produtores nacionais. O decreto é uma resposta às regras mais rígidas para importações agrícolas aprovadas pelo Parlamento Europeu com o mesmo objetivo. Na Europa, a Comissão Europeia implementou o acordo, porém provisoriamente, pois ele será avaliado juridicamente pelo Tribunal de Justiça da União Europeia. O acordo reúne mais de 700 milhões de pessoas e representa 35% do comércio mundial.
O presidente Lula viajou neste mês para a Índia e para a Coreia do Sul. O objetivo é ampliar as relações econômicas com esses países. Entre as diversas parcerias anunciadas, incluem-se os setores de fármacos e cosméticos no caso da Coreia do Sul, e os setores de aviação e minerais críticos no caso da Índia. De acordo com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex), a expectativa de investimentos destes países no Brasil é de aproximadamente R$ 300 bilhões.
Em 2025, o presidente Lula fez 16 viagens internacionais, totalizando 50 dias, em 19 países, para participações em fóruns e visitas de Estado. É importante avaliar os resultados dessas viagens, pois elas custaram R$ 44,4 milhões no ano passado aos cofres públicos.
O Conselho do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) aprovou um plano emergencial para recompor a sua liquidez, em decorrência da liquidação do Banco Master. O plano prevê a elevação das contribuições mensais dos bancos associados e a antecipação das contribuições futuras. O FGC já desembolsou R$ 36 bilhões para ressarcir os credores do Banco Master, mas ainda faltam, pelo menos, R$ 4 bilhões. Além de outros R$ 6,3 bilhões do Will Bank.
O Governo Federal anunciou um programa de microcrédito para as famílias do Cadastro Único (CadÚnico). Ele atenderá inicialmente as famílias de São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte. O objetivo é combater a pobreza e a desigualdade por meio da oferta de crédito e da qualificação das famílias de maior vulnerabilidade social. Não se trata apenas da concessão de crédito, mas também da assistência ao próprio negócio. O crédito varia de R$ 500 a R$ 21 mil, com prazo de 4 a 12 meses.
Em fevereiro foi realizada a 35ª edição do “Feirão Serasa Limpa Nome”, uma feira para a renegociação das dívidas dos consumidores. A renegociação contempla dívidas com bancos, financeiras, empresas de contas básicas (luz, água e gás), operadoras de telefonia, entre outros segmentos. O objetivo da feira é reduzir a inadimplência, que, em janeiro de 2026, atingiu 81,3 milhões de consumidores, com 327 milhões de débitos ativos, que somam R$ 524 bilhões de dívidas.
A Universidade de São Paulo (USP), em parceria com a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial de São Paulo (Senai-SP), anunciou a construção de uma microfábrica (PocketFab) de semicondutores, com aproximadamente 200 metros quadrados, que operará em escala reduzida, orientada a lotes e para aplicações específicas. A capacidade produtiva estimada é de 10 milhões de componentes por ano e, entre as aplicações industriais previstas, estão o setor automotivo, a indústria de máquinas e equipamentos e a área de saúde. O objetivo é reduzir a dependência de semicondutores estrangeiros, devido às oscilações na oferta global após a pandemia.
Atividade Econômica
O volume de vendas do setor varejista no Estado de São Paulo iniciou 2026 em queda, o segundo pior resultado, empatado com o do Rio Grande do Sul, e em contraste com o crescimento observado na média do Brasil. Vale a pena também destacar que o setor de móveis apresenta variação negativa desde setembro de 2024, em contraste com o setor de eletrodomésticos, que apresenta variação positiva desde novembro de 2024.
Em janeiro de 2026, o volume de vendas no comércio varejista ampliado no Estado de São Paulo, medido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), registrou queda de 1,9% em relação ao mesmo mês do ano anterior, em contraste com o crescimento observado no País de 1,1%. As maiores variações ocorreram em Mato Grosso (+9,1%), no Tocantins (+9,0%), no Rio Grande do Sul (-1,9%) e no Piauí (-2,5%). Entre as subcategorias analisadas pelo IBGE, os destaques positivos em São Paulo foram os tecidos, vestuário e calçados (+10,2%), os eletrodomésticos (+7,2%) e os artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos (+4,1%). Por outro lado, as piores performances ficaram para os móveis (-13,5%), para os veículos, motocicletas, partes e peças (-9,0%) e para o atacado especializado em produtos alimentícios, bebidas e fumo (-6,6%).
O volume de serviços no Estado de São Paulo iniciou 2026 com o mesmo comportamento observado em 2025: uma variação positiva, maior do que a registrada no Brasil.
Em janeiro de 2026, o volume de serviços no Estado de São Paulo, medido pelo IBGE, registrou uma alta de 6,5% em relação ao mesmo mês do ano anterior. A média do País foi de +3,3%. Já as atividades turísticas subiram 5,0% nesse período. As maiores variações positivas ocorreram em Mato Grosso (+44,8%), em Rondônia (+18,9%) e em Roraima (+15,9%), enquanto as maiores variações negativas ocorreram no Rio de Janeiro e em Alagoas (-3,2%), no Ceará (-3,7%) e no Acre (-9,4%). Os destaques em São Paulo ficaram nos setores de serviços profissionais, administrativos e complementares (+11,3%) e de serviços de informação e comunicação (+11,2%).
Por fim, como observado nas outras atividades, a produção industrial no Estado de São Paulo apresentou no início de 2026 o mesmo padrão ao longo de quase todo o ano de 2025, uma variação negativa, em contraste com o resultado positivo registrado no País.
Em janeiro de 2026, a produção industrial no Estado de São Paulo, medida pelo IBGE, registrou queda de 1,5% em relação ao mesmo mês do ano anterior. Já a produção industrial nacional registrou uma alta de 0,2%, na mesma base de comparação. Os maiores resultados positivos foram observados em Pernambuco (+27,7%) e no Espírito Santo (+14,5%), enquanto os maiores resultados negativos ocorreram na Bahia (-10,3%) e no Rio Grande do Norte (-24,9%). O resultado das indústrias extrativas em São Paulo foi de -1,3%, enquanto o da indústria de transformação foi de -1,5%. E, dentre as indústrias de transformação, os principais resultados positivos ficaram no setor de fabricação de produtos farmoquímicos e farmacêuticos (+9,2%), de máquinas e equipamentos (+7,4%) e de bebidas (+3,2%). Já as maiores quedas ficaram no setor de fabricação de equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos (-11,4%), de metalurgia (-8,7%) e de produtos têxteis (-5,9%).

O Índice de Atividade Econômica Regional do Banco Central (IBCR), que mede a evolução conjunta dos setores produtivos da economia (comércio, serviços, indústria e agropecuária), é divulgado mensalmente pelo Banco Central (BC), e ajuda na definição da taxa básica de juros pelo Comitê de Política Monetária (Copom). Ele também serve como “prévia” do PIB, embora tenha uma metodologia diferente. Na comparação com o mesmo mês do ano anterior (janeiro de 2025), a atividade econômica no Estado de São Paulo cresceu 0,7%. Já no acumulado dos últimos 12 meses, o crescimento no Estado foi de 0,8%, bem abaixo da média nacional de 2,3%. Na divisão por região, o crescimento foi de 5,4% no Centro-Oeste, 3,0% no Norte, 2,6% no Nordeste, 2,0% no Sul e 1,8% no Sudeste.

Os dados sobre a produção do comércio, dos serviços e da indústria, apresentados pelo IBGE, bem como o IBCR do Banco Central, referem-se a janeiro de 2025. Logo, ainda não refletem os acontecimentos apresentados no início deste Boletim.
Emprego
O emprego formal aumentou, e mais do que na média do Brasil, porém, o salário médio diminuiu, e mais do que no País.
Com base no Novo Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), em fevereiro de 2026, o emprego formal no Estado de São Paulo apresentou saldo positivo de 95.896 postos de trabalho, o que representou um aumento de 0,66% no estoque em relação ao mês anterior, resultado superior à média do Brasil, de +0,53%. No entanto, o salário médio de admissão diminuiu 4,60% e atingiu R$2.593,00, uma queda maior do que a observada na média do País, de -2,33%.
Na divisão por grupo, o saldo de postos de trabalho foi maior para as mulheres (65.629), para as pessoas com 18 a 24 anos (40.715) e para as pessoas com ensino médio completo (68.167).

Os maiores aumentos ocorreram em Goiás (+0,89%), no Rio Grande do Sul (+0,84%) e em Santa Catarina (+0,82%), ao passo que Paraíba (-0,22%), Rio Grande do Norte (-0,40%) e Alagoas (-0,63%) apresentaram variações negativas.
E na geração de emprego por setor, os destaques ocorreram na educação infantil e no ensino fundamental (+10.331), na administração pública em geral (+7.626), no fornecimento de alimentos preparados preponderantemente para empresas (+6.007) e no fornecimento e gestão de recursos humanos para terceiros (+5.685).
Inflação
No acumulado dos últimos doze meses, a inflação voltou a cair em São Paulo; porém, ainda é maior do que a observada na média do Brasil.
Segundo o IBGE, em fevereiro de 2026, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) da Região Metropolitana de São Paulo (RMSP), que reflete a variação no custo de vida das famílias com rendimentos de 1 a 40 salários-mínimos (SM), subiu 0,97% em relação ao mês anterior. Para o País, o variação no custo de vida foi de +0,70%. Na divisão mais detalhada por item, entre os maiores aumentos, estão a passagem aérea (+16,92%), o feijão carioca (+11,43%), o seguro voluntário de veículo (+5,35%) e o transporte por aplicativo (+3,01%). Por outro lado, dentre as maiores reduções, estão o caderno (-3,58%), o cinema, teatro e concertos (-3,56%), o ar-condicionado (-3,37%) e o azeite de oliva (-3,29%). Vale destacar também alguns itens que compõem o grupo educação, dada a variação de preços muito acima da média. Os destaques ficaram para o ensino médio (+8,36%), o ensino fundamental (+8,32%), a pré-escola (+7,98%), a creche (+6,94%) e o ensino superior (+4,51%).
Nos últimos 12 meses, o IPCA acumulou um aumento de 4,70%. Os destaques ficaram para a passagem aérea (+32,02%), o chocolate em barra e bombom (+27,51%), o transporte por aplicativo (+19,62%), a energia elétrica residencial (+15,61%), os jogos de azar (+15,17%), o café moído (+13,45%), o leite longa vida (-16,10%), o arroz (-23,27%) e o azeite de oliva (-23,98%). Na média do Brasil, o IPCA subiu 3,81%.
Já o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), da RMSP, que reflete a variação no custo de vida das famílias com rendimentos de 1 a 5 SMs, subiu 0,78% no mês. Para o País, a variação no custo de vida foi de +0,56%. Na divisão mais detalhada por item, os destaques são os mesmos do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), exceto no ar-condicionado e no azeite de oliva. Nos últimos 12 meses, o índice subiu 4,37%. Na média do Brasil, o INPC aumentou 3,36%.

Endividamento
No município de São Paulo, o percentual de famílias endividadas, com contas em atraso e que não terão condições de pagar suas dívidas aumentou, tanto em relação ao mês anterior quanto em comparação ao mesmo mês do ano anterior. No entanto, permanecem menores quando comparados a média do Brasil.
Em fevereiro de 2026, a Pesquisa de Endividamento e Intenção de Consumo das Famílias (PEIC-SP), realizada pela FECOMÉRCIO-SP, apontou que o percentual de famílias endividadas atingiu 70,00%, um aumento de 1,11 ponto percentual (p.p.) em relação ao mês anterior e de 2,30 p.p. em comparação a fevereiro de 2025. Para as famílias com renda até dez salários-mínimos (SMs), o percentual é de 73,53%, enquanto para as famílias com renda maior de dez SMs, 59,77%.
Já a proporção de famílias com dívidas em atraso foi de 20,41%, um aumento de 0,56 p.p. em relação ao mês anterior e de 1,44 p.p. em comparação com fevereiro de 2025. Para as famílias com renda de até dez SMs (25,19%), ao passo que para as famílias com renda maior que dez SMs (8,59%).
E, por fim, o percentual de famílias que não terão condições de pagar as dívidas atingiu 8,99%, um aumento de 0,24 p.p. em relação ao mês anterior e de 0,73 p.p. em comparação com fevereiro de 2025. Para as famílias com renda de até dez SMs (11,57%), em contraste com as famílias com renda superior a dez SMs (3,32%).

Índices de Confiança
O nível de confiança dos consumidores no município de São Paulo aumentou pela segunda vez em 2026, quando comparado ao mesmo mês do ano anterior, o que diverge da queda observada ao longo de todo o ano de 2025.
Em fevereiro de 2026, o Índice de Confiança do Consumidor (ICC), calculado pela FECOMÉRCIO-SP, não apresentou variação em relação ao mês anterior. Já na comparação com o mesmo mês do ano anterior (fevereiro de 2025), o índice subiu 5,7%. Para consumidores com até 35 anos de idade, o nível de confiança aumentou 4,1%, enquanto para aqueles com mais de 35 anos, aumentou 8,6%. Para as mulheres, o nível de confiança aumentou 2,4%, enquanto, para os homens, aumentou 9,2%. O subindicador que reflete a percepção dos consumidores em relação às condições atuais teve uma alta de 2,4%, enquanto o subindicador que reflete as suas expectativas subiu 7,9%.
Depois de quatro aumentos consecutivos, o nível de confiança dos empresários do comércio no município de São Paulo diminuiu, em contraste com o aumento observado no País. Mas quando comparado com o mesmo mês do ano anterior, teve um leve aumento, e foi melhor em relação à média do Brasil.
O Índice de Confiança do Empresário do Comércio (ICEC), também calculado pela FECOMÉRCIO-SP, registrou, em fevereiro deste ano, uma queda de 0,6% em relação ao mês anterior. Na comparação com o mesmo mês do ano anterior (fevereiro de 2025), o índice registrou um aumento de 0,2%. Na divisão por tipo de produto, os empresários produtores de não-duráveis apresentaram um aumento de 5,5%, ao passo que os de semiduráveis apresentaram uma diminuição de -4,1%. Já na divisão por número de empregados, o índice aumentou 2,4% entre os empresários com mais de 50 empregados. O subindicador que reflete a percepção dos empresários em relação às condições atuais diminuiu 2,7%, enquanto o que reflete as expectativas dos empresários diminuiu em 1,9%. Já o subindicador que reflete a estratégia de investimento aumentou 5,1%.
Os empresários da indústria do Estado de São Paulo apresentaram um aumento do pessimismo, tanto em relação às condições atuais quanto em relação às suas expectativas para os próximos seis meses.
O Índice de Confiança do Empresário Industrial Paulista (ICEI-SP), calculado pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP), em parceria com a Confederação Nacional da Indústria (CNI), registrou, em março de 2026, uma queda de 6,3% em relação ao mês anterior. O indicador evidencia um aumento no pessimismo entre os empresários. Na comparação com o mesmo mês do ano anterior (março de 2025), o índice registrou uma queda de 5,5%. O subindicador que reflete as condições atuais apresentou redução de 5,9%, enquanto o subindicador que reflete as expectativas para os próximos seis meses diminuiu 2,7%.

Os dados sobre o nível de confiança dos empresários paulistas da indústria, calculados pela FIESP, referem-se a março de 2026. Logo, já podem refletir os acontecimentos que serão apresentados no final deste Boletim.
Perspectiva
A intenção de consumo das famílias do município de São Paulo aumentou pela quinta vez consecutiva, e na comparação com o mesmo mês do ano anterior, cresceu mais do que o observado na média do Brasil (+1,5%). No entanto, o resultado por nível de renda apresenta um comportamento muito diferente.
Em fevereiro de 2026, o Índice de Intenção de Consumo das Famílias (ICF-SP), calculado pela FECOMÉRCIO-SP, aumentou 0,7% em relação ao mês anterior. Na comparação com o mesmo mês do ano anterior (fevereiro de 2025), o índice subiu 5,8%. Para as famílias com renda de até dez SMs, o índice cresceu 8,4%, em contraste com a diminuição de 0,9% para as famílias com renda acima de dez SMs.
Dentre os sete itens avaliados, as maiores variações ocorreram no acesso ao crédito (+16,9%), no momento para duráveis (+8,8%) e na perspectiva de consumo (+8,6%). No entanto, as diferenças por nível de renda são muito grandes. Por exemplo, o momento para duráveis e o acesso ao crédito para as famílias com renda de até dez SMs aumentaram 14,5% e 23,3%, respectivamente, ao passo que, para as famílias com renda acima de dez SMs, o momento para duráveis diminuiu 4,1% e o acesso ao crédito aumentou apenas 2,4%.

Pelo lado da oferta, em comparação com o mesmo mês do ano anterior, o interesse pela expansão do comércio na Região Metropolitana de São Paulo aumentou após cinco quedas consecutivas.
O Índice de Expansão do Comércio (IEC-SP), também calculado pela FECOMÉRCIO-SP, registrou um aumento de 0,5% em relação ao mês anterior. Na comparação com o mesmo mês do ano anterior (fevereiro de 2025), o índice registrou alta de 4,3%. Dentre os seus dois componentes, a expectativa de contratação de funcionários aumentou 7,4%, enquanto o nível de investimento das empresas diminuiu 2,5%.
Em razão da data de publicação deste boletim, algumas notícias já podem impactar os indicadores econômicos de março, que serão divulgados no próximo mês.
No cenário internacional, o mês foi marcado pela guerra dos EUA e Israel contra o Irã. O fechamento do Estreito de Ormuz, uma rota importante de exportação de petróleo, tem impacto na energia, no comércio e na logística global. As ações militares, as ameaças e os anúncios de um acordo de cessar-fogo têm levado a uma alta volatilidade no preço do barril de petróleo, do tipo Brent, que oscilou entre US$ 77 e US$ 118 no mês.
O aumento no preço internacional do petróleo pressiona o preço do diesel no Brasil, que importa cerca de 30% do consumo interno. Entre as várias ações do Governo Federal para mitigar os efeitos da alta do diesel, estão a suspensão da PIS/Cofins sobre a importação e comercialização do diesel, imposto que representa 5,2% na formação do preço; um subsídio para produtores e importadores, desde que comprovado que o valor foi transferido para os consumidores finais; um aumento na alíquota de exportação de petróleo para 12%; além de medidas de transparência e fiscalização para combater o aumento abusivo de preços. Há também duas propostas: o aumento da mistura obrigatória de biodiesel ao óleo diesel de 15% para 17%; e a isenção do ICMS (imposto estadual) sobre a importação de diesel, com compensação de 50% da perda de arrecadação pela União.
O Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central (BC), decidiu reduzir a taxa básica de juros para 14,75% ao ano, apesar do início da guerra no Oriente Médio. A última vez que o BC reduziu os juros foi em maio de 2024.
Por fim, o presidente Lula sancionou a lei que permite a instalação de farmácia em áreas de venda nos supermercados, desde que em ambiente físico segregado e exclusivo à atividade.
Para mais detalhes sobre alguns dos indicadores apresentados, inclusive com outras medidas de variação, acesse: clique aqui.
Expediente CECON
Coordenação
Allexandro Emmanuel Mori Coelho, Professor Doutor
Equipe Econômica
Jobson Monteiro de Souza, Professor Doutor
Rafael Barišauskas, Professor Mestre
Termo de isenção de responsabilidade
Este relatório foi preparado pela equipe integrante do Centro de Estudos em Conjuntura Econômica (CECON) da Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado (FECAP), utilizando os melhores esforços dos responsáveis. As informações foram obtidas através de fontes públicas críveis, e estão sujeitas a revisões sem aviso prévio. O CECON e a FECAP não se responsabilizam por quaisquer decisões econômicas ou de investimento tomadas com base nas informações deste relatório. O conteúdo deste relatório é livre, não podendo ser comercializado ou monetizado por terceiros de nenhuma forma. Este produto possui caráter exclusivamente informativo e não deverá ser usado para constituir qualquer decisão de compra ou venda de ativos ou produtos ou de investimento.