Liberdade
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O Colégio e o Centro Universitário, mantidos pela Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado - FECAP, são certificados como Entidades Beneficentes de Assistência Social na área da educação.
O aumento do imposto de importação sobre smartphones, oficializado pela Resolução Gecex nº 852/2026, já começa a gerar impacto no mercado. A alíquota passou de 16% para 20% e está em vigor desde 6 de fevereiro de 2026. Embora o reajuste pareça pequeno à primeira vista, o efeito no preço final pode ser maior do que muitos consumidores imaginam.
De acordo com o professor de Contabilidade da Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado (FECAP), Tiago Slavov, o principal motivo é o chamado “efeito cascata” dos impostos no Brasil. “O Imposto de Importação não incide isoladamente. Ele compõe a base de cálculo de outros tributos, como IPI e ICMS. Isso faz com que um aumento de quatro pontos percentuais gere um impacto ampliado no preço final”, explica.
A resolução aumentou o imposto de importação de mais de mil produtos nas áreas de informática, telecomunicações e bens de capital. No caso dos smartphones, a mudança tende a afetar tanto consumidores quanto empresas que dependem desses equipamentos.
SIMULAÇÃO MOSTRA IMPACTO REAL NO BOLSO
Para ilustrar o efeito prático da medida, o professor da FECAP fez uma simulação considerando a importação de um smartphone com valor aduaneiro de R$ 3.000, antes dos impostos.
Foram adotadas as seguintes premissas:
– IPI: 15%;
– PIS/Cofins-Importação: 11,75%;
– ICMS: 18% (alíquota usada como exemplo, podendo variar conforme o estado).
No cenário anterior, com imposto de importação de 16%, o custo tributário total era de R$ 2.310,37. Com a nova alíquota de 20%, o custo tributário total sobe para R$ 2.478,78. A diferença é de R$ 168,41 por unidade importada.
“Esse valor pode variar conforme o estado, por causa do ICMS, e de acordo com outras despesas da importação. Mas a simulação deixa claro que o impacto vai além do simples aumento nominal da alíquota”, destaca Slavov.
DEBATE ENTRE PROTEÇÃO DA INDÚSTRIA E IMPACTO NO MERCADO
O Ministério da Fazenda defende a medida como forma de proteger a indústria nacional, argumentando que o aumento da entrada de produtos importados estaria prejudicando a produção interna e a cadeia produtiva brasileira.
Por outro lado, empresas e entidades do setor de tecnologia afirmam que muitos itens importados — como smartphones, servidores e roteadores — são essenciais para a modernização das empresas e nem sempre possuem equivalente nacional em quantidade suficiente.
“Há um equilíbrio delicado entre política industrial e impacto no consumo. Medidas de proteção podem estimular a produção local no longo prazo, mas no curto prazo tendem a pressionar preços”, analisa Slavov.
POSSÍVEIS EFEITOS PARA O CONSUMIDOR E NA ECONOMIA
Entre os efeitos esperados estão:
– Repasse do aumento ao consumidor final;
– Pressão sobre a inflação;
– Elevação de custos para empresas e serviços que dependem de tecnologia.
O governo avalia que o impacto inflacionário será limitado e destaca que existem regras de exceção quando não há produção nacional comprovada. No entanto, empresas do setor apontam que o processo para comprovação costuma ser burocrático.
Para Slavov, o consumidor deve se preparar para possíveis reajustes. “Mesmo que o aumento unitário pareça moderado, quando somado a outros custos da cadeia, o efeito pode ser perceptível no preço final nas lojas”, conclui.
O especialista: Tiago Nascimento Borges Slavov é doutor em Contabilidade pela USP e Mestre em Contabilidade pela FECAP. É professor do Programa de Mestrado em Ciências Contábeis da FECAP e coordenador do Núcleo de Apoio Fiscal e Contábil (NAF) da FECAP.