Liberdade
Av. da Liberdade, 532 - Liberdade, São Paulo
O Colégio e o Centro Universitário, mantidos pela Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado - FECAP, são certificados como Entidades Beneficentes de Assistência Social na área da educação.
O número de ocorrências de roubos e furtos de celulares no estado de São Paulo reduziu em 9,05% no volume total de registros em 2025, em comparação a 2024. Os dados são de um levantamento do Centro de Estudos em Economia do Crime da Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado (FECAP), com base na análise minuciosa dos boletins de ocorrência registrados no período pela Secretaria de Segurança Pública (SSP) estadual.
Segundo o pesquisador responsável pela análise, Erivaldo Vieira, a queda geral do número de ocorrências pode ser atribuído a políticas de segurança pública sazonais mais incisivas, ao aumento do número de prisões efetuadas — que contribuem diretamente para a incapacitação temporária de infratores recorrentes — e, de forma mais residual, à recente queda nas taxas de desemprego, que tende a reduzir a pressão econômica associada à entrada no mercado criminal.
“A queda sustentada em quase todos os meses aponta para um fenômeno estrutural e não apenas conjuntural, indicando que as estratégias de policiamento, repressão qualificada e prevenção podem estar atingindo um ponto de maturação que desestimula a prática criminosa de forma contínua”, analisa.
Total de ocorrências por ano e mês (Roubo + Furto)
| Mês | 2024 | 2025 | Variação Percentual |
| jan | 28276 | 27846 | -1,52% |
| fev | 28520 | 25761 | -9,68% |
| mar | 28966 | 28976 | +0,03% |
| abr | 29062 | 25247 | -13,13% |
| mai | 28656 | 26278 | -8,29% |
| jun | 28217 | 24472 | -13,27% |
| jul | 26928 | 25514 | -5,25% |
| ago | 27308 | 24868 | -8,94% |
| set | 26257 | 25462 | -3,03% |
| out | 28189 | 24875 | -11,76% |
| nov | 27070 | 23397 | -13,57% |
| dez | 28231 | 22612 | -19,90% |
| Total | 335680 | 305308 | -9,05% |
Ocorrências de Roubo e Furto: Totais e Médias (2024 vs. 2025)
| Indicador | 2024 | 2025 | Variação (%) |
| Total de ocorrências | 335.680 | 305.308 | -9,05% |
| Média mensal | 27.973 | 25.442 | -9,05% |
| Média semanal | 6.455 | 5.871 | -9,05% |
| Média diária | 920 | 837 | -9,05% |
A análise comparativa entre 2024 e 2025 revela uma redução geral de 9,05% no total de ocorrências de roubo e furto no período, passando de 335.680 para 305.308 registros.
Segundo o pesquisador responsável pela análise, Erivaldo Vieira, o cenário mostra uma retração robusta e consistente ao longo do ano. “Esse movimento sugere um aumento na eficácia dos mecanismos de dissuasão ou uma alteração na dinâmica de mercado de bens ilícitos. Destaca-se que a queda foi quase universal entre os meses, com exceção de março, que permaneceu em estabilidade estatística (+0,03%), possivelmente influenciado pelo deslocamento do calendário do Carnaval. O declínio mais acentuado ocorreu no último trimestre, culminando em uma redução de quase 20% em dezembro”, aponta.
Roubos caem, furtos aumentam
Quando os dados são separados por tipificação penal revela uma mudança qualitativa relevante na dinâmica criminal. Os roubos, caracterizados por violência ou grave ameaça, apresentaram uma queda expressiva de aproximadamente 19,7%, sinalizando avanços na proteção da integridade física das vítimas e na sensação de segurança. Em contraste, os furtos registraram leve aumento de 1,77%, indicando maior resiliência da criminalidade patrimonial sem contato direto.
Distribuição por tipo de crime (Furto vs. Roubo)
| Tipo de Crime | 2024 | 2025 | Variação Percentual |
| Furto (art. 155) | 166633 | 169582 | +1,77% |
| Roubo (art. 157) | 169047 | 135726 | -19,70% |
| Total Geral | 335680 | 305308 | -9,05% |
Segundo o docente da FECAP, esse padrão é interpretado como migração de modalidade ou substituição de risco, em que o criminoso, diante de policiamento mais ostensivo e maior custo esperado do crime violento, opta por práticas menos arriscadas. “A redução dos roubos sugere eficácia das estratégias de repressão qualificada e prevenção, enquanto o crescimento marginal dos furtos aponta para a necessidade de políticas focadas na redução de oportunidades, vigilância passiva e conscientização da população, especialmente quanto ao descuido com objetos de valor, como telefones celulares”, explica.
CIDADES COM MAIS OCORRÊNCIAS
Quando são analisadas as cidades com mais ocorrências, também se verifica queda da criminalidade de forma descentralizada, com reduções mais intensas em municípios da Região Metropolitana e do Litoral do que na capital.
Enquanto São Paulo registrou queda moderada de 4,11%, cidades como Praia Grande apresentaram declínios expressivos, possivelmente associados a operações sazonais e maior monitoramento. No Grande ABC, São André e São Bernardo do Campo tiveram reduções próximas a 19%, sugerindo ganhos com a integração regional das forças de segurança.
A diferença de intensidade entre a capital e os municípios vizinhos aponta para efeitos espaciais distintos, seja por transbordamentos da saturação policial em São Paulo, seja por maior eficiência relativa das políticas locais em 2025.
Top 20 municípios com mais ocorrências (2024 vs 2025)
| Município | 2024 | 2025 | Variação Percentual |
| S.PAULO | 191681 | 183798 | -4,11% |
| GUARULHOS | 9177 | 7612 | -17,05% |
| CAMPINAS | 7925 | 6985 | -11,86% |
| S.ANDRE | 7632 | 6151 | -19,40% |
| S.BERNARDO DO CAMPO | 6317 | 5110 | -19,11% |
| OSASCO | 5271 | 4793 | -9,07% |
| PRAIA GRANDE | 4344 | 3251 | -25,16% |
| DIADEMA | 3290 | 2856 | -13,19% |
| S.VICENTE | 3079 | 2986 | -3,02% |
| RIBEIRAO PRETO | 2997 | 2875 | -4,07% |
| CARAPICUIBA | 2841 | 2366 | -16,72% |
| GUARUJA* | 2786 | – | – |
| ITAQUAQUECETUBA | 2775 | 2697 | -2,81% |
| SOROCABA | 2744 | 2512 | -8,45% |
| MAUA | 2605 | 1877 | -27,95% |
| SANTOS | 2392 | 2342 | -2,09% |
| TABOAO DA SERRA | 2150 | 1656 | -22,98% |
| SUZANO | 2143 | 1743 | -18,67% |
| S.JOSE DO RIO PRETO | 2068 | 1845 | -10,78% |
| EMBU DAS ARTES | 2031 | 1829 | -9,95% |
| Total dos 20 | 266248 | 247209 | -7,15% |
Em 2024, cerca de 79,3% de todos os roubos e furtos estavam concentrados nas 20 cidades com maior número de ocorrências. Em 2025, essa concentração aumenta para 81,0%, apesar da queda absoluta no número total de crimes. “Isso indica um aumento da concentração espacial do crime, sugerindo que a redução observada no agregado foi mais intensa fora do grupo das grandes cidades. O resultado reforça a relevância de políticas focalizadas territorialmente, já que uma parcela crescente do crime permanece concentrada em poucos centros urbanos”, pontua Vieira.
DISTRITOS DE SP COM MAIS OCORRÊNCIAS
O mapeamento por distritos da cidade de São Paulo mostra maior concentração relativa em áreas específicas. Locais tradicionalmente críticos, como Barra Funda, apresentaram reduções expressivas (-17,71%), possivelmente associadas a intervenções focais ou alterações no uso do espaço urbano. Em contrapartida, áreas de elevada circulação de pessoas e intensa atividade econômica e acadêmica, como Vila Mariana (+13,83%), Liberdade (+11,73%), Bela Vista e Pinheiros, registraram aumentos relevantes, compatíveis com a expansão de crimes oportunistas, especialmente aqueles voltados à subtração de dispositivos móveis.
Top distritos da cidade de São Paulo
| Distrito (SP – capital) | 2024 | 2025 | Variação (%) |
| PINHEIROS | 6.219 | 6.429 | +3,38% |
| BRÁS | 4.512 | 5.239 | +16,12% |
| BELA VISTA | 4.665 | 4.859 | +4,16% |
| BARRA FUNDA | 4.336 | 3.568 | -17,71% |
| BOM RETIRO | 3.849 | 3.640 | -5,43% |
| REPÚBLICA | 3.769 | 3.419 | -9,29% |
| VILA MARIANA | 3.376 | 3.843 | +13,83% |
| CONSOLAÇÃO | 4.821 | 4.848 | +0,56% |
| SANTANA | 3.353 | 3.024 | -9,81% |
| ITAIM BIBI | 3.283 | 3.186 | -2,95% |
| SANTO AMARO | 3.110 | 3.336 | +7,27% |
| IPIRANGA | 2.949 | 2.563 | -13,09% |
| CAPÃO REDONDO | 2.820 | 2.809 | -0,39% |
| LIBERDADE | 2.813 | 3.143 | +11,73% |
| JARDIM PAULISTA | 2.749 | 2.800 | +1,86% |
| SÉ | 2.450 | 2.379 | -2,90% |
| CAMPO LIMPO | 2.130 | 2.109 | -0,99% |
| ITAQUERA* | 2.362 | – | – |
| TOTAL (ajustado) | 63.566 | 63.366 | -0,31% |
“Os 20 distritos com mais ocorrências concentram aproximadamente um terço das ocorrências da capital, participação que se elevou de 33,2% em 2024 para 34,5% em 2025, indicando aumento da concentração espacial mesmo em um contexto de queda do volume total de crimes. Esse padrão sugere um processo de migração intraurbana do crime, no qual a pressão policial em determinados bairros desloca a atividade criminosa para áreas adjacentes percebidas como de menor risco”, aponta o pesquisador da FECAP.
Do ponto de vista da gestão pública, na opinião do pesquisador, o resultado evidencia que a redução agregada da criminalidade não se traduz em melhora homogênea no território, impondo o desafio de estratégias dinâmicas, integradas e territorialmente ajustadas de prevenção e policiamento. O padrão reforça a presença de hotspots persistentes, coerentes com explicações da economia urbana, elevada circulação de pessoas, intensa atividade comercial e limites à dispersão espacial do policiamento.
LOCAIS DA CAPITAL COM MAIS OCORRÊNCIAS
A análise dos principais logradouros da capital com mais ocorrências mostra uma reorganização espacial significativa da criminalidade, com reduções expressivas em eixos historicamente críticos e crescimento relevante em outros corredores urbanos. Vias tradicionalmente associadas a grande fluxo de pessoas, lazer e transporte — como Avenida Paulista, Praça da Luz, Avenida Cruzeiro do Sul e Rua Augusta — apresentaram quedas superiores a 17%, sugerindo efeitos positivos de policiamento direcionado, mudanças no padrão de circulação urbana e possíveis estratégias preventivas associadas a grandes eventos e períodos críticos.
Em contrapartida, observa-se crescimento acentuado em logradouros específicos, como a Avenida Senador Teotônio Vilela (+43%), Avenida Celso Garcia (+25,5%), Rua da Consolação (+24,9%) e Avenida Tiradentes (+18,3%), indicando deslocamento da atividade criminosa para corredores com intensa circulação cotidiana, mas possivelmente menor saturação policial relativa.
Ocorrências de roubo e furto por logradouro (São Paulo – capital)
| Logradouro | 2024 | 2025 | Variação % |
| Vedação da divulgação dos dados relativos | 4.592 | 3.954 | -13,9% |
| Avenida Paulista | 2.354 | 1.791 | -23,9% |
| Praça da Luz | 2.081 | 1.640 | -21,2% |
| Avenida Cruzeiro do Sul | 1.932 | 1.535 | -20,6% |
| Avenida Mário de Andrade | 1.536 | 1.262 | -17,8% |
| Rua Augusta | 1.424 | 1.182 | -17,0% |
| Avenida do Estado | 1.353 | 1.430 | +5,7% |
| Avenida Brigadeiro Faria Lima | 1.009 | 884 | -12,4% |
| Rua da Consolação | 979 | 1.223 | +24,9% |
| Avenida Marechal Tito | 930 | – | – |
| Avenida das Nações Unidas | 858 | 859 | +0,1% |
| Avenida Francisco Matarazzo | 810 | – | – |
| Rua Vergueiro | 774 | 823 | +6,3% |
| Estrada do M’Boi Mirim | 716 | 745 | +4,1% |
| Estrada de Itapecerica | 698 | 673 | -3,6% |
| Avenida Tiradentes | 663 | 784 | +18,3% |
| Avenida Prestes Maia | 643 | 646 | +0,5% |
| Avenida Celso Garcia | 623 | 782 | +25,5% |
| Rua Brigadeiro Tobias | 622 | – | – |
| Av. Senador Teotônio Vilela | 619 | 885 | +43,0% |
| Rua Treze de Maio | – | 699 | – |
| Praça da República | – | 655 | – |
| Av. Pres. Castelo Branco | – | 751 | – |
| Total Geral | 25.216 | 23.203 | -8,0% |
“Esse padrão reforça a hipótese de migração intraurbana do crime, em que a repressão focalizada em determinados eixos desloca delitos oportunistas para áreas adjacentes ou alternativas”, finaliza o pesquisador da FECAP.
O especialista: Erivaldo Vieira é mestre em Teoria Econômica pela Universidade Estadual de Campinas. É docente da FECAP há 24 anos, onde atua como professor de Economia. É pesquisador de indicadores da Economia do Crime, Microeconomia Aplicada e Economia da Informação, além de coordenar o Centro de Estudos em Economia do Crime.
CENTRO DE ESTUDOS EM ECONOMIA DO CRIME
O Centro de Estudos em Economia do Crime foi criado em 2016, com a missão de iluminar os aspectos econômicos do crime. Nosso trabalho principal é informar a sociedade sobre crimes, especialmente roubos e furtos de itens valiosos como automóveis, motocicletas e celulares.
A iniciativa busca gerar conhecimento acessível sobre a economia do crime, visando iluminar causas e consequências da criminalidade para embasar ações práticas.