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Carnaval: roubos e furtos de celulares crescem durante a folia, veja onde aconteceram mais ocorrências na capital em 2025

Carnaval: roubos e furtos de celulares crescem durante a folia, veja onde aconteceram mais ocorrências na capital em 2025
Centro de Estudos em Economia do Crime (CEEC) | 09/02/2026
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Levantamento do Centro de Estudos em Economia do Crime da Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado (FECAP), com base na análise minuciosa dos boletins de ocorrência registrados no período pela Secretaria de Segurança Pública (SSP) estadual, mostra que os roubos e furtos de celulares na capital paulista aumentam durante o Carnaval. No mês de março de 2025, quando ocorreram as festividades do ano passado, houve alta de 3,2% no número de ocorrências nas vias mais visadas pelos criminosos, em comparação à folia de 2024, ocorrida em fevereiro daquele ano.

“No período de Carnaval de 2025, o volume total de ocorrências permaneceu praticamente estável, mas ocorreu uma forte realocação espacial dos crimes, diretamente associada à dinâmica dos grandes eventos”, explica o pesquisador responsável pela análise, Erivaldo Vieira.

Vias que tradicionalmente concentram blocos de grande porte apresentaram quedas expressivas, como a Avenida Paulista (-41%), a Avenida Marques de São Vicente (-44%) e a Avenida Auro Soares de Moura Andrade (-60%), sugerindo redução da exposição criminal nesses eixos durante o período analisado.

Em contrapartida, observa-se crescimento abrupto em logradouros específicos, com destaque para a Rua Treze de Maio (+258%), a Rua Rui Barbosa (+85%) e a Rua Coronel Xavier de Toledo (+43%), além da forte concentração na Avenida Pedro Álvares Cabral, que passa a figurar como um dos principais palcos para os megablocos.

Ocorrências de roubo e furto de celulares por logradouro | Carnaval – São Paulo (Fev 2024 vs. Mar 2025)

LogradouroFevereiro 2024Março 2025Variação %
Avenida Paulista11266-41,1%
Rua Augusta171
Rua Treze de Maio1968+257,9%
Rua da Consolação115
Avenida Brigadeiro Luís Antônio1317+30,8%
Avenida Nove de Julho17
Avenida Ipiranga3944+12,8%
Avenida São João4532-28,9%
Praça da República5853-8,6%
Rua Coronel Xavier de Toledo2840+42,9%
Rua Bento Freitas22
Avenida Mário de Andrade124120-3,2%
Avenida Francisco Matarazzo2225+13,6%
Avenida Marques de São Vicente8749-43,7%
Avenida Auro Soares de Moura Andrade3012-60,0%
Rua Tagipuru17
Rua Peixoto Gomide16
Rua Rui Barbosa1324+84,6%
Avenida Pedro Álvares Cabral263
Rua Domingos de Morais53
Rua Vergueiro39
Avenida Professor Noé Azevedo19
Rua Conselheiro Ramalho18
Rua dos Pinheiros39
Rua Fradique Coutinho28
Rua Henrique Schaumann43
Rua Mourato Coelho3439+14,7%
Rua Teodoro Sampaio27
Rua Álvaro Anes33
Rua Cunha Gago29
Rua Edson Dias26
Total geral1.1321.168+3,2%

“Esse padrão reforça a hipótese de que o crime segue os fluxos temporários de grandes aglomerações, ajustando-se rapidamente à mudança de trajetos e endereços dos blocos carnavalescos”, aponta Vieira.

Na opinião do pesquisador da FECAP, os dados impõem à política pública um desafio claro: o policiamento e a prevenção precisam ser tão móveis quanto os eventos, exigindo planejamento antecipado, leitura fina dos trajetos e uso intensivo de microdados para mitigar picos localizados durante grandes festas urbanas.

Segundo o docente da FECAP, a Operação Carnaval 2025 refletiu uma mudança estratégica relevante na atuação das forças de segurança, com foco em ações coordenadas, inteligência operacional e uso intensivo de tecnologia. “Houve um avanço importante na integração entre policiamento ostensivo, monitoramento e investigação, o que permitiu respostas mais rápidas e intervenções mais precisas nos pontos críticos”, afirma.

Entre as principais inovações, Vieira destaca o uso de agentes infiltrados nos blocos, atuando de forma disfarçada, o que aumentou o efeito surpresa e ampliou a taxa de prisões em flagrante. “Esse tipo de policiamento reduz a previsibilidade da ação policial e eleva o risco percebido pelos criminosos, o que tende a desestimular a atuação das quadrilhas”, explica.

Outro fator decisivo foi o emprego de drones para vigilância aérea. “A tecnologia permitiu identificar padrões de movimentação suspeita e orientar, em tempo real, as equipes em solo, aumentando a eficiência das abordagens”, diz. Além disso, o pesquisador ressalta que a recuperação imediata de aparelhos subtraídos ainda durante os eventos contribuiu para reduzir o prejuízo econômico das vítimas.

Vieira também chama atenção para o crescimento expressivo do uso do aplicativo Celular Seguro, que permite aos cidadãos comunicar de forma eficiente e ágil as ocorrências de roubos e furtos de celulares, contribuindo para a redução desses crimes.

O especialista: Erivaldo Vieira é mestre em Teoria Econômica pela Universidade Estadual de Campinas. É docente da FECAP há 24 anos, onde atua como professor de Economia. É pesquisador de indicadores da Economia do Crime, Microeconomia Aplicada e Economia da Informação, além de coordenar o Centro de Estudos em Economia do Crime.

CENTRO DE ESTUDOS EM ECONOMIA DO CRIME

O Centro de Estudos em Economia do Crime foi criado em 2016, com a missão de iluminar os aspectos econômicos do crime. Nosso trabalho principal é informar a sociedade sobre crimes, especialmente roubos e furtos de itens valiosos como automóveis, motocicletas e celulares.

A iniciativa busca gerar conhecimento acessível sobre a economia do crime, visando iluminar causas e consequências da criminalidade para embasar ações práticas.

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