ESG: o que significa a sigla e como ela é aplicada no Brasil? Especialista explica - FECAP

ESG: o que significa a sigla e como ela é aplicada no Brasil? Especialista explica

Alexandre Garcia, especialista na área e professor da FECAP, comenta o cenário do ESG no...
Imprensa | 20/06/2022
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Alexandre Garcia, especialista na área e professor da FECAP, comenta o cenário do ESG no País 

A sigla ESG tem sido cada vez mais debatida. A abreviação em inglês das palavras Environmental, Social and Governance, traduzida para o português como ASG, corresponde às práticas ambientais, sociais e de governança de uma organização. 

Segundo Alexandre Sanches Garcia, coordenador do Centro de Pesquisa em Mercado de Capitais e Relações com Investidores da Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado (FECAP), a prática das organizações em ESG é mais uma questão cultural do que algo regulamentado ou um “selo”, embora, no Brasil, alguns agentes reguladores de mercado de capitais, como CVM e BACEN, já estejam criando normas para que as organizações passem a incorporar tais práticas. 

“Pesquisas realizadas com investidores e executivos brasileiros apontam que há desejo de que as práticas de ASG sejam incorporadas nas organizações, mas na realidade ainda há um grande espaço entre o discurso e a prática”, afirma. 

O QUE É ESG? 

O ESG pode ser encarado como um conjunto de práticas que impactam positivamente a sociedade. Por exemplo, uma empresa adotar um programa de redução de emissão no nível de gás carbônico (CO2) de suas operações, ou ao aumentar a diversidade de gênero e raça na contratação de pessoas, e não adotar práticas de suborno ou corrupção nos negócios. 

“Mas antes desses exemplos se tornarem práticas é necessário que os proprietários e a alta administração adotem tal prática como política da organização. Ou seja, que esses valores partam da alta administração, seja exigido de seus funcionários e que seja incentivado que todos que se relacionam com a organização também pratiquem”. 

Para Garcia, a adoção do ESG é uma jornada, que deve ser planejada, principalmente para aquelas empresas que estão longe dessas práticas. Primeiramente deve-se focar no “G” da sigla, pois é na questão “governança” que partem as decisões para as mudanças comportamentais e tomada de decisões de investimentos, por exemplo, para substituir determinadas práticas desde as mais simples, como coleta seletiva de lixo, redução do consumo de água, utilização de energia mais limpa, até decisões mais complexas como substituição de maquinários que emitem menos gazes poluentes. Também será necessário contar com um amplo programa de treinamento e conscientização a todos os colaboradores da empresa, começando pela alta administração, para as práticas sociais, que respeitem os direitos humanos, como remuneração justa e a inclusão da diversidade de gênero e raça na força de trabalho, por exemplo. E concomitante a esse processo, definir metas e prazos, com o uso de indicadores de desempenho para cada um dos fatores ESG. 

Pesquisas apontam que apesar de decisões de investimentos necessários e mudanças comportamentais dos executivos, o ESG traz retornos positivos para as empresas no médio e longo prazo. Com o aumento de sua reputação com essas práticas, a empresa pode se beneficiar com aumento nas vendas de seus produtos, consequentemente de seus lucros e isso atrair mais investidores, valorizando o preço de sua ação no mercado de capitais (caso tenha ações negociadas em bolsa de valores). Além disso, pode atrair mais capital financeiro, com taxas melhores de captação de recursos no mercado financeiro (juros sobre empréstimos, por exemplo) e também atrair mais capital humano, como a lealdade de seus funcionários, diminuindo a rotatividade de pessoal. 

Os jovens de hoje, com a disseminação e facilidade à informação, já enxergam os malefícios de empresas que não adotam práticas de ESG. “E isso repercute rapidamente levando consequências à essas empresas, como sua baixa reputação, diminuição de consumo de seus produtos e até a falta do interesse desses jovens em trabalhar nessas empresas”. 

ESG NO BRASIL 

O especialista avalia que as práticas adotadas nas empresas brasileiras podem ser reunidas em três tipos: as organizações que ou nasceram com a consciência de adoção de práticas ESG ou tem tal filosofia na concepção de seus fundadores; as organizações que se orientam pelas demandas sociais e percebem que precisam mudar suas práticas em ESG e; as organizações cujos proprietários ou executivos não respeitam qualquer atitude nesse sentido. 

“Infelizmente condutas antiéticas usadas para enganar pessoas e instituições sempre houve por parte de alguns executivos de empresas. E o termo greenwashing, termo conhecido como “lavagem verde”, procura mascarar comportamentos por meio de propagandas ou discursos enganosos, que ou valorizam demais as práticas e investimentos em ESG ou omitem práticas danosas. Como não há uma lei que pune essas atitudes, serão as pessoas que decidirão punir as empresas, como o boicote de seus produtos, por exemplo”.  

Na opinião de Garcia, o futuro do ESG no Brasil talvez não seja o mesmo que ocorre nos países desenvolvidos. Embora o Brasil possua alguns avanços em fatores ambientais por exemplo, com uso de energias limpas, como hidrelétricas e combustível de etanol, temos uma grande defasagem em questões sociais, com uma desigualdade social extremamente grande. 

“Logo, os desafios são enormes, do tamanho do Brasil, se comparado ao tamanho dos países europeus, que podem desempenhar muito melhor em questões ESG. Portanto, será necessário um esforço de toda a sociedade, incluindo empresários, todos os profissionais que ocupam cargos nas empresas, além do governo, que deve adotar políticas que incentivem a adoção de práticas ESG pelas empresas e aumentar a fiscalização”, completa o pesquisador. 

O especialista: Alexandre Sanches Garcia é Doutor em Administração de Empresas pela Fundação Getúlio Vargas-SP (2017), mestre em Ciências Contábeis e Atuariais pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (1998), com graduação em Ciências Contábeis pela Universidade Presbiteriana Mackenzie (1992). Atuou em empresas de grande porte como PriceWaterhouseCoopers, General Motors e Philip Morris. Sócio de empresa de consultoria, Pró-Reitor da Pós-Graduação e Professor dos Programas de Mestrado em Ciências Contábeis e de Administração da FECAP-Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado e Conselheiro efetivo do Conselho Regional de Contabilidade do Estado de São Paulo (gestão 2020-2023). Título de Acadêmico recebido pela APC-Academia Paulista de Contabilidade. 

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