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	<title>Rafael Barišauskas | FECAP</title>
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	<description>A FECAP é uma instituição brasileira de ensino superior, sem fins lucrativos, cujo campo de estudo é gestão de negócios.</description>
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	<title>Rafael Barišauskas | FECAP</title>
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		<title>Artigo &#8211; Exportações brasileiras de carne no primeiro bimestre de 2026: aceleração tática e a persistência dos gargalos nas cadeias globais</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Vagner Lima]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 06 Apr 2026 15:19:31 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Centro de Estudos em Conjuntura Econômica (CECON)]]></category>
		<category><![CDATA[Imprensa]]></category>
		<category><![CDATA[cecon fecap]]></category>
		<category><![CDATA[exportação de carne]]></category>
		<category><![CDATA[FECAP]]></category>
		<category><![CDATA[Rafael Barišauskas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Ímpeto observado em janeiro de 2026 nas exportações brasileiras de carne bovina e derivados ganhou tração em fevereiro.</p>
<p>O post <a href="https://www.fecap.br/2026/04/06/artigo-exportacoes-brasileiras-de-carne-no-primeiro-bimestre-de-2026-aceleracao-tatica-e-a-persistencia-dos-gargalos-nas-cadeias-globais/">Artigo &#8211; Exportações brasileiras de carne no primeiro bimestre de 2026: aceleração tática e a persistência dos gargalos nas cadeias globais</a> apareceu primeiro em <a href="https://www.fecap.br">FECAP</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p><em>Por: Rafael Barisauskas, professor de Economia na </em><a href="http://www.fecap.br"><em>Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado (FECAP)</em></a><em></em></p>



<p>O ímpeto observado em janeiro de 2026 nas exportações brasileiras de carne bovina e derivados não apenas se manteve, mas ganhou tração em fevereiro.</p>



<p>As exportações de carnes bovinas, <em>in natura, </em>congeladas e processadas e demais subprodutos bovinos tiveram um avanço expressivo de 22,2% no volume total exportado no primeiro bimestre deste ano, para cerca de 557.200 mil toneladas, acima das 455.900 mil toneladas embarcadas no mesmo período do ano passado. Excluindo o sebo bovino e outras gorduras, o total exportado foi de 520.600 toneladas, 23,2% acima na comparação anual, com base em informações da aduana brasileira.</p>



<p>Mais notável, contudo, foi o aumento de quase 40% na receita desses embarques, em dólares, na mesma base de comparação, superando o crescimento do volume exportado. Esse descolamento sinaliza uma importante recuperação das margens do setor, que conseguiu recompor sua rentabilidade a despeito de uma taxa de câmbio mais valorizada neste início de ano, que, em teoria, deveria frear os embarques e prejudicar o faturamento em reais.</p>



<p></p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="597" height="341" src="https://www.fecap.br/wp-content/uploads/2026/04/image-10.png" alt="" class="wp-image-71386" srcset="https://www.fecap.br/wp-content/uploads/2026/04/image-10.png 597w, https://www.fecap.br/wp-content/uploads/2026/04/image-10-300x171.png 300w" sizes="(max-width: 597px) 100vw, 597px" /></figure>



<p></p>



<p>A análise desagregada dos destinos confirma e reforça a hipótese sobre a dinâmica comercial do setor diante do novo arcabouço comercial imposto pela China.</p>



<p>Os envios para o país cresceram 22,8% no primeiro bimestre, totalizando 230.400 toneladas. Excluindo o sebo bovino, o volume total exportado somaria 223.500 toneladas, 21,6% acima do volume exportado no mesmo período do ano anterior. Esse movimento sustenta a leitura de que os frigoríficos brasileiros possam ter engatado uma verdadeira &#8220;corrida&#8221; de curto prazo, acelerando os abates e os embarques para garantir o escoamento de volumes isentos de tarifação antes que o teto da cota de 1,1 milhão de toneladas imposto por Pequim seja atingido. O volume atual representa pelo menos 20,3% da quota isenta do ano.</p>



<p>Assim, considerando as 223.500 toneladas, e mantido o mesmo ritmo do primeiro bimestre ao longo do restante do ano, o Brasil levaria pouco menos de dez meses para estourar o teto da quota chinesa imposta para 2026, deixando cerca de 450.000 aproximadamente fora do mercado chinês a serem redirecionadas a outros países. Se as exportações para a China em 2026 seguissem o mesmo volume do primeiro bimestre de 2025, levaríamos praticamente 12 meses para embarcar o 1,1 milhão de toneladas da quota.</p>



<p></p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img decoding="async" width="600" height="328" src="https://www.fecap.br/wp-content/uploads/2026/04/image-11.png" alt="" class="wp-image-71387" srcset="https://www.fecap.br/wp-content/uploads/2026/04/image-11.png 600w, https://www.fecap.br/wp-content/uploads/2026/04/image-11-300x164.png 300w" sizes="(max-width: 600px) 100vw, 600px" /></figure>



<p></p>



<p>Paralelamente, o Brasil tem conseguido ampliar seus embarques para outros mercados centrais. As exportações de carne bovina, exceto sebo e outras gorduras, para os Estados Unidos registraram um salto de 47,8% no período, totalizando quase 70.000 toneladas. Esse desempenho é impulsionado por uma dupla conjuntura: a retomada dos fluxos a partir de novembro do ano passado, após a suspensão, em julho, das tarifas contra o Brasil, e a forte demanda do mercado americano, que atualmente enfrenta escassez de oferta local de carne.</p>



<p>Outros destinos também apresentaram crescimentos significativos, evidenciando um esforço de diversificação tática: as exportações para o Chile avançaram 22,4% (totalizando 23.600 toneladas), enquanto os embarques para a Rússia saltaram 106% (somando 23.300 toneladas) e as vendas ao Egito cresceram 63,9% (totalizando 16.900 toneladas). Os embarques para o México também têm crescido significativamente, com o país já representando 2% do mercado brasileiro de exportações.</p>



<p>Apesar da expansão em mercados alternativos, a dependência estrutural em relação a poucos parceiros comerciais se manteve. A China continua sendo, de longe, o principal destino da carne bovina brasileira, absorvendo 42,9% das exportações neste primeiro bimestre, ligeiramente abaixo dos 43,5% registrados no ano passado.</p>



<p>Já os Estados Unidos ganharam <em>market share</em> (passando de 11,2% para 13,4%), assim como a Rússia, o Egito, as Filipinas e os Emirados Árabes Unidos. Como resultado, o volume das exportações concentrado nos dez maiores mercados totalizou 80,5% do total embarcado, indicando uma concentração ainda maior do que os 75,4% observados no mesmo período do ano anterior.</p>



<p></p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img decoding="async" width="571" height="338" src="https://www.fecap.br/wp-content/uploads/2026/04/image-12.png" alt="" class="wp-image-71389" srcset="https://www.fecap.br/wp-content/uploads/2026/04/image-12.png 571w, https://www.fecap.br/wp-content/uploads/2026/04/image-12-300x178.png 300w" sizes="(max-width: 571px) 100vw, 571px" /></figure>



<p></p>



<p>Ainda assim, é cedo para que o setor adote um tom otimista. Os números aparentemente superlativos do primeiro bimestre refletem, em grande medida, uma antecipação de embarques que pode cobrar seu preço nos próximos meses. Atualmente, o Brasil já embarcou pelo menos 20% da quota isenta de tarifas para o ano, e, mantido o ritmo atual de embarques, atingiria o teto antes do final de outubro. Uma vez esgotada a cota chinesa, a inflexão nos volumes será inevitável e os volumes excedentes (tarifados em 55%) perderão viabilidade comercial.</p>



<p>Nesse momento, a complexidade das cadeias globais de valor voltará ao centro do palco. O redirecionamento dos fluxos que deixarão de ir para a China esbarrará nas limitações já conhecidas: exigências sanitárias heterogêneas, acordos comerciais assimétricos e a rigidez do mix de produção nacional. Além disso, o aumento da concentração das exportações em poucos mercados eleva a exposição do Brasil a choques externos. A instabilidade e os conflitos no Oriente Médio, por exemplo, continuam sendo uma ameaça latente às rotas logísticas e ao escoamento para os mercados árabes, que vêm ganhando participação.</p>



<p>Por fim, o conflito militar no Oriente Médio encareceu os custos de transporte marítimo e deve limitar os embarques para os mercados da região, como a Arábia Saudita, os Emirados Árabes e Israel. A região representa cerca de 8% das exportações brasileiras de carne bovina, atrás apenas da China e dos Estados Unidos.</p>



<p>Somam-se a isso os desafios internos, como a perspectiva de um câmbio apreciado ao longo de 2026, que tende a comprimir a competitividade das exportações dolarizadas assim que o efeito da &#8220;corrida da cota&#8221; se dissipar. Portanto, o cenário base permanece inalterado: 2026 será um ano de ajustes profundos. Entre o alívio estatístico do primeiro bimestre e a reconfiguração forçada que ocorrerá no segundo semestre, o setor de proteína animal terá de provar sua resiliência e capacidade de adaptação em um ambiente global cada vez mais restritivo e fragmentado.</p>



<p><strong>O autor:&nbsp;</strong>Rafael Barisauskas é professor de Economia na Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado (FECAP). Ingressou na Fastmarkets em 2019 como economista para a América Latina, analisando os mercados regionais de celulose, papel e embalagens, além da cobertura econômica para a região. Rafael trabalha com projeções econômicas desde 2013, acumulando um vasto conhecimento em comércio de commodities e organização industrial. Ele é mestre em Economia pela universidade KU Leuven, na Bélgica, focando sua pesquisa em análise das cadeias globais de valor na indústria de papel e celulose.</p>
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		<title>Artigo &#8211; Brasil e o mercado de carbono: eficiência ambiental como vantagem competitiva</title>
		<link>https://www.fecap.br/2025/08/17/artigo-brasil-e-o-mercado-de-carbono-eficiencia-ambiental-como-vantagem-competitiva/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Vagner Lima]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 17 Aug 2025 15:45:44 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Pesquisa]]></category>
		<category><![CDATA[FECAP]]></category>
		<category><![CDATA[mercado de carbono]]></category>
		<category><![CDATA[Rafael Barišauskas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Por Rafael Barisauskas, publicado originalmente na revista FECAP Agribusiness Insights O Brasil está diante uma oportunidade histórica: transformar sua vocação ambiental em liderança econômica global. Com a regulamentação do Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões (SBCE), aprovada em dezembro de 2024, o país dá um [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p><em>P</em><em>or <a href="https://br.linkedin.com/in/rafaelbarisauskas">Rafael Barisauskas</a>, publicado originalmente na revista <a href="https://www.fecap.br/fecap-agribusiness-center/">FECAP Agribusiness Insights</a></em></p>



<p>O Brasil está diante uma oportunidade histórica: transformar sua vocação ambiental em liderança econômica global. Com a regulamentação do Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões (SBCE), aprovada em dezembro de 2024, o país dá um passo decisivo rumo à consolidação de um mercado de carbono robusto, transparente e alinhado às melhores práticas ESG internacionais. A criação de um arcabouço legal claro e previsível é um passo fundamental para garantir segurança jurídica e atrair investimentos de longo prazo.</p>



<p>Compreender as mudanças institucionais que moldam esse novo ambiente regulatório é essencial para que empresas e formuladores de políticas possam alinhar estratégias de desenvolvimento econômico com os objetivos climáticos, beneficiando a todos os <em>stakeholders</em> das cadeias produtivas.</p>



<p>Inspirado em modelos bem-sucedidos como o da União Europeia, o SBCE estabelece um teto anual decrescente para emissões de gases de efeito estufa (GEE) em setores intensivos, como energia, indústria e transporte. Empresas que emitirem abaixo de suas cotas poderão vender créditos excedentes, enquanto aquelas que excederem precisarão comprar licenças adicionais para compensar.</p>



<p>Além disso, atividades como reflorestamento e captura de carbono poderão gerar créditos compensatórios, ampliando a oferta e incentivando práticas ainda mais sustentáveis. Isso deve criar um ambiente de negócios dinâmico, onde a eficiência ambiental se traduz em vantagem competitiva nacional. Estima-se que o mercado brasileiro de carbono possa gerar entre R$69-128 bilhões em receitas até 2030, além de atrair investimentos em inovação e tecnologias limpas. Os benefícios econômicos do mercado de carbono vão além da mitigação climática. Segundo o Ministério da Fazenda, a implementação do SBCE pode elevar o PIB brasileiro em até 2,25% até 2030, gerando 1,5 milhão de empregos adicionais.</p>



<p>Em paralelo ao avanço regulatório no Brasil, o mercado global de créditos de carbono também vem se expandindo e se sofisticando. O mercado voluntário de carbono (VCM) continua sendo o principal canal de transações, com grandes corporações globais como Meta e Amazon liderando a compra de créditos para compensar suas emissões. Apesar de uma queda de 27,5% na emissão de novos créditos no primeiro trimestre de 2025, segundo dados da Systemica, observou-se um aumento expressivo na demanda por créditos de alta integridade — aqueles com rastreabilidade, adicionalidade e cobenefícios sociais e ambientais.</p>



<p>Apenas nos primeiros três meses de 2025, mais de 55 milhões de toneladas de CO2 equivalente foram efetivamente negociadas, demonstrando o apetite crescente por compensações, de acordo com a Systemica. Esse cenário global cria uma janela de oportunidade estratégica para o Brasil, que reúne condições únicas para se tornar um dos maiores fornecedores de créditos de carbono do mundo.</p>



<p>Assim, a sanção da Lei 15.042/2024 e a criação do SBCE posicionam o país como um <em>hub</em> de soluções agrícolas e climáticas, com potencial para atrair investimentos estrangeiros e gerar divisas. Além disso, o fortalecimento do mercado de carbono estimula o desenvolvimento de instrumentos financeiros sustentáveis, como títulos verdes, linhas de crédito para agricultura regenerativa e financiamento climático, ampliando o impacto positivo sobre a economia nacional.</p>



<p>Segundo relatório do Banco Mundial, o valor total das transações em mercados regulados e voluntários de carbono atingiu cerca de US$ 978 bilhões em 2023, um aumento de 14% em relação ao ano anterior. Paralelamente, o mercado global de títulos verdes superou a marca de US$ 2,5 trilhões em emissões acumuladas, com destaque para projetos de energia renovável, infraestrutura sustentável e agricultura de baixo carbono.</p>



<p><img loading="lazy" decoding="async" width="567" height="407" src="blob:https://www.fecap.br/83445326-10f2-4e66-b9f5-755541483150" alt="Gráfico, Gráfico de pizza

O conteúdo gerado por IA pode estar incorreto."></p>



<p>As mudanças no uso da terra, sobretudo o desmatamento e a agropecuária concentram a maior parte das emissões no Brasil, o que destaca o papel crítico da conservação florestal, do manejo sustentável e da agricultura de baixo carbono. Apesar do setor agropecuário ter ficado de fora da regulamentação do mercado de carbono no Brasil, isto não limita o seu potencial gerador de créditos compensatórios e soluções econômico-climáticas.</p>



<p>A rentabilidade do mercado de carbono brasileiro tende a ser altamente competitiva em relação a outros mercados emergentes. Estudos recentes estimam que o preço médio do crédito de carbono de alta integridade pode variar entre US$ 15 e US$ 50 por tonelada, dependendo do tipo de projeto e da metodologia empregada. Considerando o potencial de emissão de créditos, o Brasil poderia gerar receitas anuais entre US$ 6 e US$ 15 bilhões, apenas com a comercialização internacional. Esta dinâmica representa uma fonte de divisas importante, contribuindo para o equilíbrio da balança comercial e para a diversificação do portfólio de exportações nacionais.</p>



<p>A adoção de sistemas integrados como a Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF) tem se mostrado uma estratégia eficaz para aliar produtividade agropecuária à mitigação de emissões. Além de aumentar a eficiência do uso da terra, o sistema contribui para o sequestro de carbono, a conservação do solo e da biodiversidade, e a redução do uso de agroquímicos.</p>



<p>Segundo a Embrapa, propriedades que adotam ILPF podem registrar aumento de até 30% na produtividade e redução de custos operacionais em até 20%, além de obter receitas adicionais por meio da geração e venda de créditos de carbono. Um hectare sob ILPF pode gerar, em média, de 2 a 4 toneladas de CO2 equivalente em créditos por ano. Mais do que isso, estima-se que a expansão da prática ILPF possa evitar a emissão de até 10 milhões de toneladas de CO2 equivalente por década enquanto melhora a rentabilidade do produtor rural. Tais sistemas ainda elevam a resiliência do produtor ao risco climático, ampliando a rentabilidade e a atratividade do investimento.</p>



<p>De modo complementar, a socio bioeconomia da floresta em pé — baseada no uso sustentável de produtos florestais não madeireiros e na valorização de serviços ecossistêmicos — representa uma fronteira promissora para a geração de créditos de carbono e inclusão produtiva. O fortalecimento de cadeias como a de óleos vegetais, castanhas, resinas e extratos naturais pode gerar renda para comunidades tradicionais e indígenas, ao mesmo tempo em que contribui para a conservação da Amazônia e outros biomas.</p>



<p>Segundo estudo do IPEA (Zenaide Rodrigues Ferreira e José Eustáquio Ribeiro Vieira Filho), o uso de tecnologias sustentáveis na agropecuária, como sistemas integrados e práticas poupadoras de floresta, pode gerar um “<em>efeito poupa-florestas</em>” significativo, contribuindo para a redução das emissões do setor e promovendo uma trajetória de sustentabilidade ambiental. Esse indicador mede a área de vegetação nativa que deixou de ser convertida em uso agropecuário graças ao aumento da produtividade via tecnologias sustentáveis — como ILPF, plantio direto e genética avançada — e demonstra o potencial da agropecuária brasileira em reduzir emissões sem comprometer a produção. Somente em 2020, o efeito poupa-florestas no Brasil alcançou 43,2% do território nacional, o maior entre os países agroexportadores analisados, como Alemanha, França, Índia e Estados Unidos.</p>



<p>No setor florestal, o Brasil possui cerca de 9 milhões de hectares de florestas plantadas, que já respondem por mais de 90% da madeira produzida para fins industriais no país. O valor presente líquido (VPL) de um ativo florestal certificado pode superar R$ 20 mil por hectare ao longo de um ciclo de 7 anos, considerando receitas provenientes de madeira, biomassa, créditos de carbono e outros serviços ecossistêmicos. A rentabilidade média anual do setor tem sido de 12%-18% em projetos florestais integrados a mercados de carbono, evidenciando o apelo econômico dessas iniciativas. O setor também é responsável por uma absorção líquida estimada de 1,8 bilhão de toneladas de CO2 e, segundo dados do Developing Forest Based Industries, o que demonstra o potencial para liderar soluções climáticas com impacto econômico e social.</p>



<p>Assim, o setor florestal brasileiro e empresas do segmento de papel e celulose estão estrategicamente posicionados para se beneficiar desse novo cenário regulatório e financeiro. Empresas com ativos florestais certificados e práticas de manejo sustentável poderão monetizar seus estoques de carbono, diversificando receitas e reforçando sua imagem ESG. Na ponta final da cadeia, a crescente demanda por embalagens sustentáveis e a pressão regulatória internacional — como o EUDR na Europa — ampliam o espaço para soluções baseadas em fibras renováveis e rastreáveis.</p>



<p>Já os setores de&nbsp;energia&nbsp;e&nbsp;indústria, embora com menor participação, oferecem oportunidades significativas de descarbonização via eletrificação, eficiência energética e inovação tecnológica. O papel do mercado de carbono deverá ser de vetor de desenvolvimento sustentável, capaz de alinhar crescimento econômico, inclusão social e preservação ambiental.</p>



<p>A evolução institucional do mercado de carbono brasileiro será determinante para sua credibilidade internacional e para a integração com mercados globais, o que exige governança sólida, transparência e capacidade de <em>enforcement</em>. Para que o mercado brasileiro de carbono atinja sua maturidade, será essencial garantir governança transparente, mecanismos de verificação robustos e integração com mercados internacionais. A criação de um registro nacional de créditos, interoperável com plataformas globais, é um passo necessário para atrair investidores e consolidar o Brasil como hub de soluções climáticas.</p>



<p>Assim, o mercado de carbono não é apenas uma ferramenta de mitigação — é uma alavanca estratégica para o desenvolvimento sustentável do Brasil. Com ativos naturais únicos, capacidade técnica instalada e um novo marco regulatório em vigor, o país tem tudo para liderar a transição para uma economia de baixo carbono. Cabe agora ao setor produtivo, aos formuladores de políticas e à sociedade civil transformar essa oportunidade em realidade, e fazer uso da enorme vantagem competitiva que o Brasil tem no mercado ambiental para consolidar sua posição como líder global em soluções climáticas e econômicas.</p>



<p><strong>O autor: </strong>Rafael Barisauskas é professor de Economia na Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado (FECAP). Ingressou na Fastmarkets em 2019 como economista para a América Latina, analisando os mercados regionais de celulose, papel e embalagens, além da cobertura econômica para a região. Rafael trabalha com projeções econômicas desde 2013, acumulando um vasto conhecimento em comércio de commodities e organização industrial. Ele é mestre em Economia pela universidade KU Leuven, na Bélgica, focando sua pesquisa em análise das cadeias globais de valor na indústria de papel e celulose.</p>
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		<title>&#8220;A FECAP me formou como economista e hoje me permite formar novos profissionais&#8221;, ex-aluno que se tornou professor do centro universitário</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Vagner Lima]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 31 Mar 2025 22:36:16 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Alumni]]></category>
		<category><![CDATA[ex-aluno]]></category>
		<category><![CDATA[FECAP]]></category>
		<category><![CDATA[Rafael Barišauskas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Quando Rafael Barišauskas escolheu a Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado (FECAP) para cursar Ciências Econômicas em 2012, ele já reconhecia na instituição uma combinação rara: tradição acadêmica e conexão com o mercado. Hoje, como Senior Economist for Latin America na Fastmarkets RISI e professor [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Quando <a href="https://www.linkedin.com/in/rafaelbarisauskas/"><a href="https://www.linkedin.com/in/ACoAAB648OwBDce6wFbUqm-RbHwtg4LI0Z8d3sk">Rafael Barišauskas</a></a> escolheu a <a href="http://www.fecap.br">Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado (FECAP)</a> para cursar Ciências Econômicas em 2012, ele já reconhecia na instituição uma combinação rara: tradição acadêmica e conexão com o mercado. Hoje, como Senior Economist for Latin America na Fastmarkets RISI e professor da própria FECAP, sua trajetória comprova como essa formação abriu portas para uma carreira global.</p>



<p>&#8220;A FECAP não apenas me deu as ferramentas para entender a economia, mas me ensinou a aplicá-las em contextos reais&#8221;, reflete Rafael, cujo trabalho hoje envolve analisar cadeias de valor regionais e orientar decisões estratégicas no setor de produtos florestais.</p>



<p>O diferencial da FECAP, segundo Rafael, manifestou-se desde os primeiros anos. &#8220;Tive acesso a professores que iam além da teoria, trazendo para a sala de aula casos reais e desafios do mercado financeiro&#8221;. Essa abordagem prática foi complementada por sua participação no Centro de Estudos de Conjuntura Econômica (Cecon), onde desenvolveu habilidades analíticas cruciais para sua atuação em consultoria. &#8220;O Cecon foi meu primeiro laboratório de economia aplicada, onde aprendi a traduzir dados em insights estratégicos&#8221;, explica.</p>



<p>A transição para o mercado de trabalho foi natural, impulsionada pela reputação da FECAP. &#8220;As portas se abriram porque o mercado reconhece o rigor da formação que recebemos&#8221;, afirma Rafael, que começou sua carreira em importantes consultorias econômicas antes de assumir sua posição atual. Na Fastmarkets RISI, ele aplica diariamente conceitos aprendidos na graduação, desde análise micro e macroeconômica, passando pelo uso de estatística preditiva para elaboração de previsões até a avaliação de políticas de desenvolvimento de longo prazo. &#8220;Minha dissertação sobre economia institucional na FECAP, por exemplo, hoje fundamenta minha análise de cadeias globais de valor&#8221;, destaca.</p>



<p>Após a conclusão de um mestrado internacional na Bélgica, Rafael retornou à FECAP para lecionar, como professor assistente de Agronegócio e Global Value Chains. &#8220;É gratificante poder contribuir para a formação de novos profissionais, replicando a mesma abordagem prática que tanto valorizei como aluno&#8221;. Suas aulas refletem sua experiência internacional, trazendo casos reais do mercado de commodities e agronegócio global.</p>



<p>Fluente em três idiomas e sócio de um e-commerce desde 2015, Rafael personifica o perfil multifacetado que a FECAP ajuda a desenvolver. &#8220;A instituição me ensinou que um economista deve ser tão bom com modelos teóricos quanto em comunicar suas implicações práticas&#8221;, observa. Essa visão se materializa em seu trabalho atual, onde traduz complexas análises regionais em recomendações acionáveis para empresas multinacionais.</p>



<p>Sua trajetória – da sala de aula em São Paulo às conferências internacionais como economista-chefe, e de volta à FECAP como professor – mostra como a instituição forma profissionais capazes de atuar em qualquer cenário global. “A FECAP não apenas me preparou para o mercado, mas me deu as bases para anos depois, ajudar a preparar a próxima geração de economistas. Na FECAP, os alunos aprendem economia como ela realmente é: uma ciência social aplicada, que exige tanto rigor quantitativo quanto sensibilidade para contextos institucionais&#8221;, finaliza.</p>
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