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	<title>Matheus Albergaria | FECAP</title>
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	<description>A FECAP é uma instituição brasileira de ensino superior, sem fins lucrativos, cujo campo de estudo é gestão de negócios.</description>
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	<title>Matheus Albergaria | FECAP</title>
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		<title>Pandemia acentuou desigualdades na economia brasileira</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Vagner Lima]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 20 Jun 2022 23:12:24 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Imprensa]]></category>
		<category><![CDATA[FECAP]]></category>
		<category><![CDATA[Graduação]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Para o professor de economia da FECAP, Matheus Albergaria, a desigualdade econômica aumentou no Brasil durante o período pós-pandemia. Segundo ele, os principais canais do aumento das desigualdades no país estão relacionados à renda, educação e saúde dos brasileiros.  A pandemia da COVID-19 causou muitos [&#8230;]</p>
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<p><em>Para o professor de economia da FECAP, Matheus Albergaria, a desigualdade econômica aumentou no Brasil durante o período pós-pandemia. Segundo ele, os principais canais do aumento das desigualdades no país estão relacionados à renda, educação e saúde dos brasileiros.</em> </p>



<p>A pandemia da COVID-19 causou muitos estragos na vida de milhões de pessoas. De fato, há indícios de que a desigualdade aumentou no Brasil nos últimos anos. Os mais pobres sofreram os maiores impactos, perdendo emprego, renda, oportunidades educacionais e condições de saúde, ao passo que os mais ricos conseguiram recuperar ou manter seu poder de compra ao longo do tempo, além de disporem de melhores condições de acesso à saúde e educação durante esse período.&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p>A COVID-19 expôs e aumentou as desigualdades econômicas por toda a parte, conforme avalia o professor de Economia da <a href="http://www.fecap.br/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado (FECAP)</a>, <a href="https://www.linkedin.com/in/malbergariademagalhaes/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Matheus Albergaria</a>:&nbsp;&nbsp;</p>



<p>“À medida que andamos pelos bairros da cidade de São Paulo, notamos um maior número de moradores de rua e de pessoas pedindo esmola, o que sugere que a desigualdade de renda aumentou no período-pandemia”, frisa.&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p>Alguns indicadores corroboram esses padrões de concentração, como o índice de Gini e outras medidas de concentração de renda. “Aparentemente, quem era pobre ficou ainda mais pobre, ao passo que quem era rico ficou mais rico no período posterior à pandemia”, salienta o professor, advertindo que esse é um sinal sugestivo de aumento da desigualdade na sociedade brasileira contemporânea.&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p><strong>Brasil e a desigualdade&nbsp;</strong>&nbsp;&nbsp;</p>



<p>O Brasil foi um dos países que mais sofreram com a pandemia. Vale lembrar que, historicamente, nosso país sempre foi um dos mais desiguais do mundo. “Padrões de desigualdade nestes moldes também valem para países como Índia, Rússia, Estados Unidos e diversos países africanos, por exemplo”, diz Albergaria.&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p>Segundo o professor de economia da FECAP: “Convivemos, ao mesmo tempo, com pessoas subsistindo em situação de miséria e pessoas vivendo em ‘ilhas de prosperidade’; como se tivéssemos dois países diferentes dentro do Brasil: um pobre e subdesenvolvido e outro materialmente próspero e desenvolvido”.&nbsp;</p>



<p>Matheus Albergaria vai além, ao destacar alguns dos potenciais mecanismos a partir dos quais a pandemia causou uma piora nas condições de vida da população: “A pandemia acabou exacerbando a questão da desigualdade no Brasil, a partir de distintos canais. Dependendo da ocupação de algumas pessoas, elas puderam trabalhar a partir de casa e continuaram recebendo seus salários normalmente. Essas pessoas tiveram um maior grau de estabilidade econômica ao longo dos últimos anos e, consequentemente, acabaram ficando relativamente mais ricas do que aquelas pessoas que perderam o emprego ou passaram a trabalhar sob piores condições, por exemplo”.&nbsp;</p>



<p><strong>Educação</strong>&nbsp;&nbsp;</p>



<p>Segundo o economista, um importante canal a partir do qual a desigualdade aumentou – e deve aumentar ainda mais nos próximos anos – foi a educação. “Algumas pessoas tiveram poucas oportunidades educacionais oferecidas durante a pandemia, seja por falta de acesso à educação e treinamento profissional, seja por conta de novas formas de ensino, o que acabou prejudicando a aprendizagem de parte da população no período. Como economistas, sabemos que algumas dessas pessoas provavelmente terão salários inferiores no futuro – uma vez que há uma relação direta entre educação e ganhos salariais ao longo do tempo – em comparação àquelas que tiveram condições de investir em educação e treinamento durante a pandemia”, comentou Albergaria.&nbsp;</p>



<p><strong>Saúde</strong>&nbsp;&nbsp;</p>



<p>Outro canal a partir do qual a desigualdade aumentou e deve aumentar ainda mais no futuro foi a saúde. “Ao longo dos últimos anos, observamos a ocorrência de altas taxas de mortalidade na população brasileira, principalmente no caso de pessoas de baixa renda ou sem acesso a condições adequadas de saúde”, salienta.&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p>O professor relembrou o fato de que as 600 mil mortes ocorridas no período pós-pandemia, além de deixar profundas cicatrizes emocionais, em termos de saúde, para alguns sobreviventes, também contribuíram para a aumentar a desigualdade, haja visto que prejudicou a qualidade de vida de alguns brasileiros que foram contaminados pela COVID-19.&nbsp;</p>



<p><strong>Medidas do Governo</strong>&nbsp;&nbsp;</p>



<p>O economista acredita que os governos, seja em nível municipal, estadual ou federal, devem atentar para o fato de que a desigualdade deve aumentar no futuro, seja por conta dos canais por ele mencionados – renda, educação e saúde &#8212; seja por outros possíveis canais alternativos. Em termos gerais, esses canais podem vir a exercer significativos impactos sobre a vida econômica dos brasileiros no longo prazo: “hoje, sabemos da importância de eventos específicos, ocorridos ao longo da história de uma localidade, que podem vir a ter efeitos econômicos permanentes sobre as condições de vida da população. Neste sentido, é importante que o governo passe a focar em políticas públicas voltadas para o combate à desigualdade, atentando ainda para possíveis consequências da mesma, como um possível aumento da criminalidade ao longo dos próximos anos”, finaliza.&nbsp;</p>



<p><strong>O especialista:</strong> Matheus Albergaria é Pós-doutor em Economia pela USP, Doutor em Administração de Empresas pela USP, Mestre em Artes pela The Ohio State University, Mestre em Teoria Econômica pela USP e graduado em Ciências Econômicas pela UFMG. Atua como professor na Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado desde o ano de 2003.&nbsp;</p>
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		<title>Nobel de Economia: professor da FECAP aponta possíveis ganhadores</title>
		<link>https://www.fecap.br/2021/10/08/nobel-de-economia-professor-da-fecap-aponta-possiveis-ganhadores/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[fecap]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 08 Oct 2021 12:07:04 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Imprensa]]></category>
		<category><![CDATA[Academia Real de Ciências da Suécia]]></category>
		<category><![CDATA[Matheus Albergaria]]></category>
		<category><![CDATA[nobel de economia]]></category>
		<category><![CDATA[Prêmio Nobel]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A Academia Real de Ciências da Suécia deve divulgar na próxima segunda-feira (11/10/2021) o(s) nome(s) dos economistas agraciados com o Prêmio em Ciências Econômicas em Memória de Alfred Nobel, também conhecido como Nobel de Economia, premiação mundial que reconhece os pesquisadores que deram contribuições notáveis [&#8230;]</p>
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<p>A Academia Real de Ciências da Suécia deve divulgar na próxima segunda-feira (11/10/2021) o(s) nome(s) dos economistas agraciados com o Prêmio em Ciências Econômicas em Memória de Alfred Nobel, também conhecido como Nobel de Economia, premiação mundial que reconhece os pesquisadores que deram contribuições notáveis da ciência econômica para a humanidade.</p>



<p>A escolha dos agraciados costuma render “apostas” e dividir opiniões no meio acadêmico. Porém, independentemente dos escolhidos, acompanhar os resultados do Nobel é uma forma de se inteirar sobre as principais áreas de pesquisas científicas e sobre o que é visto como o mais alto nível da economia contemporânea.</p>



<p>Temas que geraram um volume maciço de pesquisa nos últimos tempos costumam ser um dos indicadores sobre o qual um pesquisador ou pesquisadora pode levar o prêmio. Outro indicador relevante é o tempo de maturação das pesquisas, conforme explica o professor de Economia da <strong><a href="https://www.fecap.br/">Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado (FECAP),</a></strong> <strong><a href="https://www.linkedin.com/in/malbergariademagalhaes/">Matheus Albergaria</a></strong>. Ele aponta que é comum os indicados ao prêmio serem selecionados por pesquisas feitas diversos anos antes. &#8220;O Nobel de Economia representa, na verdade, uma premiação posterior às contribuições acadêmicas dos autores agraciados. Esse caráter posterior ocorre, uma vez que leva tempo para que o impacto dessas pesquisas seja percebido e apreciado pela comunidade acadêmica de economia&#8221;.</p>



<p>Esse é o caso do matemático John Nash, que em 1951, aos 23 anos, propôs um teorema matemático que deu origem ao conceito de “equilíbrio de Nash” e acabou rendendo ao autor, 45 anos mais tarde, o Nobel de Economia. Seu trabalho revolucionou o estudo de estratégia econômica e a área de Teoria dos Jogos, servindo ainda de inspiração para o filme “Uma Mente Brilhante”, de 2001.</p>



<p><strong>Alternância de temas</strong></p>



<p>Ao analisar os últimos premiados do Nobel de Economia, Albergaria observa que houve uma alternância de temas ao longo dos anos. No ano de 2020, por exemplo, foram agraciados com o Prêmio os economistas Paul Milgrom e Robert Wilson, por seus estudos na área de microeconomia, com destaque para pesquisas relacionadas a leilões. Já em 2019, Abhijit Banerjee, Esther Duflo e Michael Kremer receberam o prêmio por estudos relativos à área de desenvolvimento econômico, focados na redução da pobreza. E no ano anterior, William D. Nordhaus e Paul M. Romer levaram o Nobel por contribuições relacionadas à macroeconomia de longo prazo. “No ano de 2021, podemos esperar uma premiação voltada a uma área pouco convencional da economia, como economia comportamental ou experimental, ou ainda, uma volta a temas de macroeconomia ou econometria”, avalia.</p>



<p>Para o professor, um economista que tem boas chances de ser agraciado com o Prêmio neste ano é o professor do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), Daron Acemoglu, um dos autores do livro “Porque Falham as Nações”. Em termos gerais, Acemoglu desenvolveu diversas pesquisas focadas em macroeconomia, com destacada ênfase no papel das instituições para o desempenho de longo prazo dos países.</p>



<p>“Acemoglu revolucionou a maneira dos economistas entenderem a importância das instituições no longo prazo. Em um trabalho conjunto com Simon Johnson e James Robinson, publicado no início dos anos 2000, Acemoglu conseguiu pensar em uma maneira engenhosa de verificar o impacto das instituições sobre o posterior desenvolvimento de países como o Brasil e Estados Unidos, antigas colônias do século XVI. Os resultados dessa pesquisa sugerem que alguns eventos podem ter efeitos permanentes de longo prazo sobre a trajetória de desenvolvimento de localidades específicas. Na minha visão pessoal, ele é a maior aposta”. Acemoglu está na lista de “Pesquisadores Altamente Citados” da Clarivate Analytics, antiga divisão de Propriedade Intelectual e Ciência da Thomson Reuters, mais um indicativo de que o pesquisador possa levar o prêmio.</p>



<p>Outro nome citado na lista da Clarivate Analytics é o da professora de Economia da Tecnologia na Stanford Graduate School of Business, Susan Athey. Porém, na opinião de Albergaria, apesar da pesquisadora ter uma obra de fôlego, suas chances são menores. “As pesquisas de Susan estão mais focadas na área de organização industrial e leilões, tema que já foi agraciado no ano passado. Ela pode vir a ganhar o Nobel, mas não agora”.</p>



<p>Embora representantes do Brasil já tenham sido indicados às categorias do Nobel, nenhum brasileiro ganhou o prêmio até o momento. Em relação às pesquisas feitas na área, o professor Albergaria explica que os economistas brasileiros com maior notoriedade são aqueles que atuam no meio acadêmico norte-americano. Porém, ele avalia que são poucas as chances de um representante do país ganhar o Prêmio neste ano. “Embora nós tenhamos bons economistas brasileiros que atuam nos EUA, eles são relativamente jovens e ainda não têm um alto volume de contribuições. Mas, esse é um cenário que pode mudar no futuro próximo”.</p>



<p><strong>Sobre o Prêmio Nobel de Economia</strong></p>



<p>O Prêmio Nobel foi criado com o objetivo de cumprir o testamento do químico e engenheiro sueco Alfred Nobel. A premiação acontece desde 1901 em cinco categorias principais: química, literatura, paz, física e medicina. O prêmio de Economia foi instituído apenas em 1969, quando o Banco Central da Suécia decidiu patrocinar a categoria em comemoração ao seu tricentenário.</p>



<p>Para a escolha dos agraciados, a Academia Real de Ciências da Suécia organiza um comitê, composto por membros do meio acadêmico da Suíça e do Banco Central Sueco, que enviam cartas a cientistas, professores e acadêmicos de diversos países pedindo indicações para a disputa.</p>



<p>Em suas 52 edições, o Nobel de Economia reconheceu o trabalho de 86 pessoas. A lista completa de todos os ganhadores pode ser vista no site oficial <strong><a href="https://www.nobelprize.org/prizes/economic-sciences/">Nobelprize.org</a></strong>.</p>



<p><strong>O especialista</strong></p>



<p>Matheus Albergaria é Pós-doutor em Economia pela USP, Doutor em Administração de Empresas pela USP, Mestre em Artes pela The Ohio State University, Mestre em Teoria Econômica pela USP e graduado em Ciências Econômicas pela UFMG. Atua como professor na Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado desde o ano de 2003.</p>
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		<title>Por que está tão difícil conseguir uma corrida por aplicativo atualmente? A resposta pode estar nos custos impostos aos motoristas, diz economista</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Vagner Lima]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 02 Sep 2021 15:04:43 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Imprensa]]></category>
		<category><![CDATA[Economia]]></category>
		<category><![CDATA[FECAP]]></category>
		<category><![CDATA[Matheus Albergaria]]></category>
		<category><![CDATA[transporte por ablicativo]]></category>
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<p>Experimente fazer o seguinte teste: abra qualquer aplicativo de corridas compartilhadas, simule uma viagem curta e veja o que acontece. Provavelmente, vai demorar alguns bons minutos até que um motorista aceite realizar o trajeto escolhido. O motivo dessa demora parece estar relacionado aos altos custos impostos aos motoristas parceiros desses aplicativos no período recente, com destaque para o preço dos combustíveis, especialmente a gasolina.&nbsp;</p>



<p>A percepção é do professor de Economia da <a href="http://www.fecap.br">Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado (FECAP)</a>, <a href="https://www.linkedin.com/in/malbergariademagalhaes/">Matheus Albergaria</a>. Ele próprio é um consumidor do serviço, visto que não tem carro para transitar por São Paulo, por opção própria. </p>



<p>“Conversando com mais de um motorista desses aplicativos, ouço eles dizerem que ocorreram significativos aumentos nos custos de oferta do serviço como um todo. O principal custo, segundo eles, é o aumento do preço dos combustíveis, com destaque para a gasolina. De acordo com os motoristas, esse aumento de custos faz com que eles tenham de realizar um maior número de corridas para bater suas respectivas metas diárias”.&nbsp;</p>



<p>O professor diz que, ainda segundo os motoristas com quem conversa, as empresas de aplicativo não reduziram o percentual descontado dos motoristas a cada corrida, mesmo durante a pandemia, com esse percentual girando em torno de 20 a 25% do valor da corrida.&nbsp;</p>



<p>Em conjunto, esses dois fatores correspondem a um “choque de oferta” no mercado de aplicativos de corridas compartilhadas (ou seja, a uma pronunciada contração da oferta desses serviços), o que pode vir a ter sérias consequências sobre o bem-estar de ambos os lados do mercado (produtores e consumidores de corridas).&nbsp;</p>



<p>Segundo Albergaria, quando esses aplicativos surgiram, havia uma indústria de táxis consolidada no país. Em termos gerais, os aplicativos de corridas compartilhadas reduziram o poder de mercado dessa indústria, ao mesmo tempo em que aumentaram o bem-estar dos consumidores de corridas compartilhadas, uma vez que baratearam o serviço, ao mesmo tempo em que aumentaram a diversidade de opções para cada consumidor.&nbsp;</p>



<p>Na opinião do economista, a triste ironia do momento atual é que talvez agora os aplicativos passem a refletir um cenário semelhante àquele que vivíamos com a indústria de táxi há alguns anos. </p>



<p>&#8220;Com a chegada dos aplicativos, a novidade era o passageiro conseguir fazer praticamente qualquer corrida que quisesse, não importando a distância ou valor. Por outro lado, vale destacar a ironia do período recente, uma vez que estamos vivendo um cenário no qual passamos a ter mais dificuldade em conseguir fazer corridas compartilhadas no momento.”&nbsp;</p>



<p>Uma das consequências da atual situação, na visão de Albergaria, é que um motorista que já trabalhe com aplicativos de corridas compartilhadas há algum tempo e decida abandonar essa ocupação acaba levando consigo toda a sua experiência e conhecimento acumulados, também conhecidos como “capital humano” pelos economistas.&nbsp;</p>



<p>“Em alguns casos, o profissional que deixa de trabalhar para o aplicativo leva junto toda uma experiência profissional que pode ser difícil de repor no curto prazo. Isso não quer dizer que novos motoristas não possam substitui-lo, mas as empresas de corridas compartilhadas podem vir a perder trabalhadores valiosos e qualificados, como no caso de motoristas que falam línguas estrangeiras, por exemplo. Em conjunto, essas perdas podem ter sérias consequências sobre a produtividade do serviço, assim como os lucros das empresas de aplicativos de corridas compartilhadas”.&nbsp;</p>



<p>O economista finaliza com uma recomendação para as empresas de aplicativos de corridas:&nbsp;</p>



<p>“As grandes empresas do setor devem pensar o que podem fazer para continuar se apresentando como serviços diferenciados que tragam benefícios, não apenas para si mesmas, mas também para os motoristas, seus principais representantes, assim como para os consumidores de corridas compartilhadas, que já se acostumaram com um serviço diferenciado a preços menores do que antigamente. Uma estratégia nesses moldes pode ser fundamental para a sobrevivência dessas empresas e de seus motoristas&#8221;.&nbsp;</p>
								</div>
				</div>
					</div>
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		</section>
				</div>
		<p>O post <a href="https://www.fecap.br/2021/09/02/por-que-esta-tao-dificil-conseguir-uma-corrida-por-aplicativo-atualmente-a-resposta-pode-estar-nos-custos-impostos-aos-motoristas-diz-economista/">Por que está tão difícil conseguir uma corrida por aplicativo atualmente? A resposta pode estar nos custos impostos aos motoristas, diz economista</a> apareceu primeiro em <a href="https://www.fecap.br">FECAP</a>.</p>
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		<item>
		<title>Correios: Governo deveria levar em conta equilíbrio de forças relacionadas aos pontos positivos e negativos da privatização da estatal, opina especialista da FECAP</title>
		<link>https://www.fecap.br/2021/08/20/correios-governo-deveria-levar-em-conta-equilibrio-de-forcas-relacionadas-aos-pontos-positivos-e-negativos-da-privatizacao-da-estatal-opina-especialista-da-fecap/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Vagner Lima]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 20 Aug 2021 15:25:18 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[Economia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Texto: Vagner Lima Está aberto o caminho para a privatização dos Correios. A proposta, que prevê mais eficiência à empresa, foi recentemente aprovada na Câmara dos Deputados e segue agora para o Senado, antes de ser sancionada pelo presidente da República.  Apesar do otimismo de [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://www.fecap.br/2021/08/20/correios-governo-deveria-levar-em-conta-equilibrio-de-forcas-relacionadas-aos-pontos-positivos-e-negativos-da-privatizacao-da-estatal-opina-especialista-da-fecap/">Correios: Governo deveria levar em conta equilíbrio de forças relacionadas aos pontos positivos e negativos da privatização da estatal, opina especialista da FECAP</a> apareceu primeiro em <a href="https://www.fecap.br">FECAP</a>.</p>
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<p>Texto: <a href="https://www.linkedin.com/in/vagnerlimajornalista/">Vagner Lima</a></p>



<p>Está aberto o caminho para a privatização dos Correios. A proposta, que prevê mais eficiência à empresa, foi recentemente aprovada na <a href="https://www.moneytimes.com.br/tag/camara-dos-deputados/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Câmara dos Deputados</a> e segue agora para o Senado, antes de ser sancionada pelo presidente da República. </p>



<p>Apesar do otimismo de parte do mercado e de empresários sobre o tema, o professor de Economia da Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado (FECAP) <a href="https://www.linkedin.com/in/malbergariademagalhaes/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Matheus Albergaria</a> lembra que, em determinadas ocasiões, pode ser vantajoso manter esse tipo de serviço sob poder do estado.&nbsp;</p>



<p>“Os serviços de correios são, por definição, um exemplo daquilo que os economistas chamam de monopólio estatal, dada a importância estratégica da empresa para a sociedade. Exatamente por isso, a teoria referente à área de economia do setor público preconiza que serviços dessa natureza sejam mantidos sob o guarda-chuva do governo”, opina.&nbsp;</p>



<p>PRIVATIZAÇÃO IDEAL&nbsp;</p>



<p>O professor diz que, em princípio, um processo de privatização dos correios pode ser muito bem-vindo, desde que executado de forma a aumentar a eficiência dos serviços prestados, ao mesmo tempo que provoque redução de preços e tarifas, beneficiando os consumidores desses serviços.&nbsp;</p>



<p>“O ideal seria que, ao invés da transferência de direitos para apenas uma empresa, houvesse a alternativa de dividir o serviço entre várias empresas. O governo poderia pensar em uma privatização em moldes semelhantes ao da telefonia móvel brasileira, com mais empresas participantes no mercado, o que talvez garantisse mais eficiência aos serviços prestados e menores tarifas para os cidadãos”.&nbsp;</p>



<p>Além disso, uma única empresa vencedora da concorrência precisa estar disposta a fazer investimentos de altas cifras, uma vez que a operação dos correios é muito cara.&nbsp;</p>



<p>A grande questão, segundo o professor, é equalizar no balanço de forças. Ou seja, resta saber se o ganho dos fornecedores dos serviços dos correios será, em última instância, maior ou menor que as potenciais perdas dos consumidores.&nbsp;</p>



<p>“De acordo com as notícias recentes, o processo vai ocorrer a partir de um sistema de leilão, com a empresa que der o maior lance assumindo a direção dos correios de forma privada. O ponto positivo dessa estratégia pode ser mais eficiência e rapidez nos serviços de entrega. Por outro lado, em termos de possíveis pontos negativos, há a possibilidade de aumento de preços e tarifas, prejudicando os consumidores, em última instância”.&nbsp;</p>



<p>FUTURO DOS EMPREGADOS&nbsp;</p>



<p>Embora tenha sido divulgado que os funcionários terão 18 meses de estabilidade em suas funções, Albergaria acredita que seria bom para o vencedor da licitação manter o capital humano da empresa, mesmo após o período de obrigatoriedade de não demitir.&nbsp;</p>



<p>&#8220;Dado o alto número de funcionários dos Correios, essas pessoas sofrerão perda de renda e de emprego, depois que passar a carência. Quem assumir a empresa poderá ganhar muito com essa força de trabalho, uma vez que alguns dos funcionários carregam todo um conhecimento relacionado ao funcionamento das principais operações dos correios, ou seja, têm um valioso capital humano, na linguagem dos economistas”, finaliza.&nbsp;</p>



<p><strong>O ESPECIALISTA&nbsp;</strong>&nbsp;</p>



<p>Matheus Albergaria é Pós-doutor em Economia pela USP, Doutor em Administração de Empresas pela USP, Mestre em Artes pela The Ohio State University, Mestre em Teoria Econômica pela USP e graduado em Ciências Econômicas pela UFMG. Atua como professor na Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado desde o ano de 2003.&nbsp;</p>
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		<title>Como a privatização da Eletrobrás e a seca dos reservatórios afetarão a retomada econômica? Especialista da FECAP opina</title>
		<link>https://www.fecap.br/2021/06/30/como-a-privatizacao-da-eletrobras-e-a-seca-dos-reservatorios-afetarao-a-retomada-economica-especialista-da-fecap-opina/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Vagner Lima]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 30 Jun 2021 17:30:09 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Imprensa]]></category>
		<category><![CDATA[crise hídrica]]></category>
		<category><![CDATA[Economia]]></category>
		<category><![CDATA[eletrobrás]]></category>
		<category><![CDATA[FECAP]]></category>
		<category><![CDATA[Matheus Albergaria]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Muitos estados e cidades afirmam que terão vacinado até setembro, com pelo menos uma dose, todos os adultos em idade produtiva. Assim, a tão esperada retomada econômica poderá ter mais fôlego.  Contudo, dois fatores podem atrasar o sonho do “novo normal”: (i) a privatização da [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-size: 14pt;">Muitos estados e cidades afirmam que terão vacinado até setembro, com pelo menos uma dose, todos os adultos em idade produtiva. Assim, a tão esperada retomada econômica poderá ter mais fôlego. </span></p>
<p><span style="font-size: 14pt;">Contudo, dois fatores podem atrasar o sonho do “novo normal”: (i) a privatização da Eletrobrás e (ii) a possibilidade de uma anunciada crise hídrica. Em conjunto, esses fatores certamente poderão encarecer a conta de luz. </span></p>
<p><span style="font-size: 14pt;">PRIVATIZAÇÃO </span></p>
<p><span style="font-size: 14pt;">A medida provisória aprovada pelo Congresso Nacional abre caminho para a privatização da <a href="https://eletrobras.com/pt/Paginas/Home.aspx">Eletrobrás</a>, mas a “venda” da empresa deve se concretizar, de fato, apenas no ano de 2022. </span></p>
<p><span style="font-size: 14pt;">&#8220;Se a possível privatização da empresa vai aumentar ou baratear a conta de luz, vai depender muito de como ocorrerá o processo. Se o governo dividir a concessão entre distintas empresas, incentivando um maior grau de competitividade entre essas empresas, provavelmente a conta vai baratear. Por outro lado, se a concessão for repartida entre poucas empresas, de modo que elas tenham poder de mercado, em moldes semelhantes a um oligopólio, a conta de luz poderá aumentar”, opina <a href="https://www.linkedin.com/in/malbergariademagalhaes/">Matheus Albergaria</a>, professor de Economia da <a href="http://www.fecap.br">Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado (FECAP)</a>. </span></p>
<p><span style="font-size: 14pt;">O especialista diz que o mais importante a se pensar em relação à privatização é que, em princípio, a medida deveria aumentar o grau de competição entre as empresas. </span></p>
<p><span style="font-size: 14pt;">“Historicamente, sabemos que, quanto mais competitivos são os mercados, maior tende a ser o bem-estar dos consumidores e da sociedade como um todo, uma vez que, em mercados assim, os preços tendem a se aproximar dos custos de produção, ao mesmo tempo em que há uma quantidade ofertada de bens e serviços que tende a maximizar o bem-estar social”. </span></p>
<p><span style="font-size: 14pt;">O professor diz que o melhor modelo de privatização, não apenas para o setor elétrico, mas para a maioria dos setores da economia, é aquele que tende a estimular a competitividade entre as empresas do setor. </span></p>
<p><span style="font-size: 14pt;">“A título de exemplo, vale a pena pensar no setor de telefonia. Há cerca de 20 anos, havia apenas a antiga TELESP em São Paulo. Os preços eram mais altos e os consumidores tinham menos diversidade de escolha, em termos de bens e serviços oferecidos. Hoje temos um número maior de empresas atuantes no setor, ainda que esse número não seja plenamente competitivo. Vale destacar que essas poucas empresas oferecem muito mais diversidade, em termos de bens e serviços ofertados, assim como preços menores do que antes, quando havia apenas uma única empresa estatal no mercado. Outro exemplo interessante corresponde ao setor de aviação civil: hoje existem muito mais empresas disputando os consumidores no mercado de voos domésticos e internacionais, tanto em termos de preços quanto de qualidade dos serviços oferecidos.” </span></p>
<p><span style="font-size: 14pt;">CRISE HÍDRICA </span></p>
<p><span style="font-size: 14pt;">Albergaria também acredita que uma possível crise hídrica causada pela seca dos reservatórios pode vir a aumentar o preço da energia. </span></p>
<p><span style="font-size: 14pt;">“É algo que já observamos anteriormente na história do Brasil. Por um lado, a seca dos reservatórios pode ser vista como um choque adverso de oferta, uma vez que tende a reduzir a oferta de água e, em última instância, aumentar o custo de produção de energia hidrelétrica. Por outro lado, um processo de abertura da economia ao comércio internacional está, em geral, associado a menores preços no País, uma vez que estimula a competição entre empresas domésticas, que passam a ter de enfrentar maior concorrência de empresas estrangeiras. O saldo líquido dessas forças que atuam em sentidos contrários será visto no futuro próximo: se acontecer a seca dos reservatórios, poderá ocorrer um aumento no preço da energia, devido ao choque adverso de oferta. Mas esse aumento pode não ser tão pronunciado, caso ocorra maior abertura da economia. De fato, o próprio processo de abertura ao comércio internacional dependerá dos cenários político e econômico domésticos, ainda atrelados às campanhas de vacinação contra a Covid-19 nos estados e municípios brasileiros&#8221;, finaliza. </span></p>
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		<title>Artigo: Quanto vale a vida?</title>
		<link>https://www.fecap.br/2021/06/23/artigo-quanto-vale-a-vida/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Vagner Lima]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 23 Jun 2021 14:18:53 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Imprensa]]></category>
		<category><![CDATA[coronavírus]]></category>
		<category><![CDATA[covid-19]]></category>
		<category><![CDATA[Economia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Autoria: Matheus Albergaria, professor de Economia da Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado (FECAP) Contato: matheus.fecap@gmail.com   Na última semana, o Brasil alcançou a triste marca de 500.000 óbitos por COVID-19. Este resultado, além de extremamente lamentável de um ponto de vista social, tem sérias consequências para as famílias brasileiras atingidas pela pandemia. Mais do [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-size: 14pt;"><strong>Autoria:</strong> <em><a href="https://www.linkedin.com/in/malbergariademagalhaes/">Matheus Albergaria</a>, p</em></span><em><span style="font-size: 14pt;">rofessor de Economia da </span></em><span style="font-size: 14pt;"><a href="http://www.fecap.br"><em>Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado (FECAP)</em></a><br />
Contato: </span><a href="mailto:matheus.fecap@gmail.com"><span style="font-size: 14pt;">matheus.fecap@gmail.com</span></a><span style="font-size: 14pt;">  </span></p>
<p><span style="font-size: 14pt;">Na última semana, o Brasil alcançou a triste marca de 500.000 óbitos por COVID-19. Este resultado, além de extremamente lamentável de um ponto de vista social, tem sérias consequências para as famílias brasileiras atingidas pela pandemia. Mais do que isso, as vidas perdidas também correspondem a um importante custo econômico para a sociedade, uma vez que passa a haver um número permanentemente menor de pessoas atuando como trabalhadores, investidores e consumidores na economia.  </span></p>
<p><span style="font-size: 14pt;">Uma importante questão relacionada a esse trágico acontecimento é a seguinte: qual é o valor da vida, medido em unidades monetárias? Ou seja, seria possível medir o valor de cada vida perdida em reais, assim como o custo econômico associado ao número de óbitos registrados no período recente? Questionamentos nesses moldes são extremamente relevantes no atual momento, uma vez que permitiriam uma melhor compreensão da magnitude das perdas econômicas associadas à pandemia, facilitando a tomada de decisão de distintas esferas de governo. Em princípio, formuladores de políticas públicas, ao lidarem com potenciais soluções alternativas relacionadas à pandemia deveriam ser capazes de comparar os custos e benefícios associados a cada uma das alternativas disponíveis, o que somente ocorreria caso esses custos e benefícios fossem expressos nas mesmas unidades de medida (ou seja, em valores monetários).  </span></p>
<p><span style="font-size: 14pt;">À primeira vista, parece muito difícil falar do valor monetário da vida em si, uma vez que algumas pessoas podem crer que a vida tem valor infinito (seria difícil imaginar que qualquer pessoa estaria disposta a perder a vida em troca de uma determinada quantidade de dinheiro, por exemplo). Ainda assim, vale destacar que um raciocínio nesses moldes pode ser enganoso, uma vez que há pessoas na sociedade que estão, de fato, dispostas a correr riscos no dia-a-dia, em troca de potenciais ganhos econômicos. A título de exemplo, vale destacar que alguns profissionais – como operários da construção civil que trabalham em arranha-céus ou operadores de empresas de energia que fazem a manutenção de redes elétricas – estão mais dispostos a assumir riscos ocupacionais do que outros em troca de maiores salários.  </span></p>
<p><span style="font-size: 14pt;">Ao longo das últimas décadas, os economistas chegaram a uma maneira engenhosa de atribuir um valor monetário à vida humana. Especificamente, uma forma dos economistas atribuírem valor à vida humana corresponde a analisar os riscos que as pessoas estão voluntariamente dispostas a se expor e o quanto elas deveriam receber para correr esses riscos. Assim, ao compararem os ganhos salariais de distintas ocupações profissionais, controlando para diferenças em termos de nível de instrução, experiência e outros possíveis determinantes dos salários, economistas chegaram a uma estimativa inicial do valor da vida. Alguns estudos estimaram que a vida humana vale, em média, cerca de US$ 10 milhões (dez milhões de dólares). </span></p>
<p><span style="font-size: 14pt;">Levando em conta essa última estimativa, podemos ter uma noção dos custos econômicos associados à perda de 500.000 vidas no Brasil. As vidas perdidas ao longo do período pós-pandemia correspondem, em média, a um custo monetário de US$ 5.000.000.000.000,00 (cinco trilhões de dólares) ou R$ 25.086.000.000.000,00 (aproximadamente vinte e cinco trilhões e oitenta e seis bilhões de reais, levando em conta uma taxa de câmbio de R$ 5,00 por US$ 1,00). Ou seja, olhando apenas para o número de óbitos registrados desde o início da pandemia no país – sem levar em conta as perdas econômicas decorrentes do fechamento de empresas, das perdas de postos de trabalho e do aumento do custo de vida das famílias – observamos a ocorrência de um custo econômico superior a 25 trilhões de reais ao longo de um período de um ano e meio, aproximadamente. </span></p>
<p><span style="font-size: 14pt;">Embora reveladora, essa estimativa inicial do custo econômico da pandemia – em termos de vidas perdidas – apresenta algumas limitações. Em primeiro lugar, vale destacar que o valor calculado pode corresponder a uma estimativa enviesada dos custos da pandemia no país, uma vez que não leva em conta outros importantes custos de oportunidade das pessoas que perderam a vida no período recente. Em segundo lugar, caso ocorra uma subnotificação do número de óbitos no país – conforme parece ser a situação atual – é possível que haja um viés para baixo do valor monetário das vidas perdidas. Ou seja, há a possibilidade de que a estimativa apresentada corresponda a um valor inferior ao verdadeiro custo das vidas perdidas.  </span></p>
<p><span style="font-size: 14pt;">Como resolver essas limitações inerentes ao cálculo do valor das vidas perdidas no país? Uma possível solução seria a preparação de pesquisas adicionais que tentassem estimar o valor monetário das vidas perdidas a partir de dados mais precisos, tanto em termos de notificação do número de óbitos quanto da estrutura ocupacional dos trabalhadores e trabalhadoras brasileiros falecidos no período recente. Outra possibilidade complementar seria a estimação conjunta das perdas econômicas ocorridas no país, tanto em termos de vidas quanto em termos de fechamento de empresas e postos de trabalho, por exemplo. Em princípio, estudos nesses moldes poderiam gerar estimativas mais precisas dos custos associados à pandemia. Em termos gerais, tentativas de cálculo do valor monetário da vida podem ser extremamente importantes no atual momento vivido pelo país, uma vez que permitiriam uma melhor compreensão da magnitude das perdas econômicas associadas à pandemia. Cada vida perdida importa (e tem valor). </span></p>
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		<title>Professores da FECAP participam de seminário realizado pela USP</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Vagner Lima]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 31 May 2021 16:15:07 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Institucional]]></category>
		<category><![CDATA[1º BEL Seminars]]></category>
		<category><![CDATA[Ahmed Sameeer El Khatib]]></category>
		<category><![CDATA[FECAP]]></category>
		<category><![CDATA[Matheus Albergaria]]></category>
		<category><![CDATA[usp]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O 1º BEL Seminars, organizado pela Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (FEA) da Universidade de São Paulo (USP), aconteceu de 25 a 26 de maio de 2021, de forma on-line. Participaram do evento Ahmed Sameeer El Khatib e Matheus Albergaria, professores da FECAP, instituição que apoiou o seminário.  O evento Behavior Science Lab Seminars (BEL Seminars) buscou reunir pesquisadores e profissionais [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-size: 14pt;">O 1º BEL Seminars, organizado pela Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (FEA) da Universidade de São Paulo (USP), aconteceu de 25 a 26 de maio de 2021, de forma on-line. Participaram do evento <a href="https://www.linkedin.com/in/ahmed-e-9b2220182/">Ahmed Sameeer El Khatib</a> e <a href="https://www.linkedin.com/in/malbergariademagalhaes/">Matheus Albergaria</a>, professores da <a href="http://www.fecap.br">FECAP</a>, instituição que apoiou o seminário. </span></p>
<p><span style="font-size: 14pt;">O evento Behavior Science Lab Seminars (BEL Seminars) buscou reunir pesquisadores e profissionais de mercado, com o objetivo de fomentar o intercâmbio de conhecimento sobre o comportamento humano nas organizações, bem como nas relações dos indivíduos no mercado e em como isso afeta a tomada de decisões. </span></p>
<p><span style="font-size: 14pt;">O professor Ahmed apresentou o artigo “Felicidade traz dinheiro? Uma revisão sistemática da literatura sobre a economia da felicidade”, no qual analisou a sistemática da literatura, trazendo à tona sete grandes temas pesquisados desde os achados de Easterlin (1974): (1) Conceitualização da Felicidade; (2) Compreensão do Sujeito (Ser humano); (3) Relações humanas; (4) Facilidades físicas ou materiais; (5) Meio Ambiente; (6) Política e Governo; e (7) Mensuração da Felicidade. </span></p>
<p><span style="font-size: 14pt;">Já o professor Matheus Albergaria apresentou o workshop “<i>Compliance</i> e Comportamento: o que podemos aprender a partir da evidência experimental?”. Durante o workshop, o professor Albergaria fez uma detalhada exposição da literatura relacionada ao tema de <i>compliance</i> em economia e administração, com destaque para resultados de experimentos de laboratório e campo. A principal conclusão oriunda dessa literatura, segundo ele, é que ainda resta um longo caminho em termos de detalhes relacionados à importância de fatores como contexto e características individuais dos atores sob estudo. </span></p>
<p><span style="font-size: 14pt;">Saiba mais sobre o evento <a href="https://behaviorallab.com.br/">clicando aqui</a>!</span></p>
<p><strong><span style="font-size: 14pt;">OS PROFESSORES </span></strong></p>
<p><span style="font-size: 14pt;"><b>Ahmed Sameer El Khatib:</b> graduado em Ciências Contábeis (Universidade de São Paulo), Mestre em Ciências Contábeis e Atuariais (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo) e Doutor em Administração de Empresas (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo). Concluiu seu estágio pós-doutoral na Universidade de São Paulo e é Professor de Contabilidade Financeira, Finanças e Auditoria na Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado – FECAP. </span></p>
<p><span style="font-size: 14pt;"><b>Matheus Albergaria:</b> Pós-doutor em Economia pela USP, Doutor em Administração de Empresas pela USP, Mestre em Artes pela The Ohio State University, Mestre em Teoria Econômica pela USP e graduado em Ciências Econômicas pela UFMG. Membro do Conselho Editorial do International Journal of Multivariate Data Analysis (IJMDA) e Editor Associado do RAUSP Management Journal, desde os anos de 2015 e 2018, respectivamente. Atua como professor na Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado (FECAP) desde o ano de 2003. </span></p>
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		<title>Real digital: falta de acesso à internet e educação financeira do brasileiro podem ser entraves</title>
		<link>https://www.fecap.br/2021/05/24/real-digital-falta-de-acesso-a-internet-e-educacao-financeira-do-brasileiro-podem-ser-entraves/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Vagner Lima]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 24 May 2021 14:12:17 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Imprensa]]></category>
		<category><![CDATA[banco central do brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Economia]]></category>
		<category><![CDATA[FECAP]]></category>
		<category><![CDATA[Matheus Albergaria]]></category>
		<category><![CDATA[moeda digital]]></category>
		<category><![CDATA[real digital]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Ao que tudo indica, o Banco Central do Brasil está trabalhando na criação do “Real Digital”, a primeira moeda digital brasileira. A autoridade financeira segue a tendência mundial de digitalização do dinheiro, a exemplo da China, primeira potência mundial a lançar sua moeda digital, e [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://www.fecap.br/2021/05/24/real-digital-falta-de-acesso-a-internet-e-educacao-financeira-do-brasileiro-podem-ser-entraves/">Real digital: falta de acesso à internet e educação financeira do brasileiro podem ser entraves</a> apareceu primeiro em <a href="https://www.fecap.br">FECAP</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-size: 14pt;">Ao que tudo indica, o <a href="https://www.bcb.gov.br/">Banco Central do Brasil</a> está trabalhando na criação do “Real Digital”, a primeira moeda digital brasileira. A autoridade financeira segue a tendência mundial de digitalização do dinheiro, a exemplo da China, primeira potência mundial a lançar sua moeda digital, e dos Estados Unidos, que prometem o dólar digital até julho de 2021.&nbsp;</span></p>
<p><span style="font-size: 14pt;"><strong>O QUE É UMA MOEDA DIGITAL</strong>&nbsp;</span></p>
<p><span style="font-size: 14pt;">Segundo o professor de Economia da <a href="http://www.fecap.br">Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado (FECAP)</a> <a href="https://www.linkedin.com/in/malbergariademagalhaes/">Matheus Albergaria</a>, pode ser visto como moeda virtual todo “dinheiro digital” criado e armazenado eletronicamente.&nbsp;</span></p>
<p><strong><span style="font-size: 14pt;">É preciso delimitar algumas definições:&nbsp;</span></strong></p>
<ul>
<li data-leveltext="-" data-font="Calibri" data-listid="2" aria-setsize="-1" data-aria-posinset="1" data-aria-level="1"><span style="font-size: 14pt;">A moeda digital é uma versão digital do dinheiro e, teoricamente, deve cumprir as funções básicas de uma moeda. Ou seja, deve funcionar como: (i) meio de troca, (ii) unidade de conta e (iii) reserva de valor.&nbsp;</span></li>
<li data-leveltext="-" data-font="Calibri" data-listid="3" aria-setsize="-1" data-aria-posinset="2" data-aria-level="1"><span style="font-size: 14pt;">As&nbsp;cryptomoedas, como o Bitcoin, são um subgrupo das moedas digitais. Toda&nbsp;cryptomoeda&nbsp;é uma moeda digital, mas nem toda moeda digital é uma&nbsp;cryptomoeda.&nbsp;</span></li>
<li data-leveltext="-" data-font="Calibri" data-listid="4" aria-setsize="-1" data-aria-posinset="3" data-aria-level="1"><span style="font-size: 14pt;">Serviços como o&nbsp;<a href="https://www.paypal.com/br/webapps/mpp/account-selection?kid=p46461943924&amp;gclid=Cj0KCQjwna2FBhDPARIsACAEc_WD67E2DrxiRuu5o-ncbmdg8nPHL8RJ1pmUYUGOgaNZXfTH0aLRFEsaAid6EALw_wcB&amp;gclsrc=aw.ds">Pay-pal</a>, que cria uma carteira digital para o usuário, que pode adicionar cartões de crédito como forma de pagamento, podem ser comparados às moedas digitais, embora apresentem diferenças em termos de funcionalidades específicas.&nbsp;</span></li>
</ul>
<p><strong><span style="font-size: 14pt;">VANTAGENS&nbsp;</span></strong></p>
<p><span style="font-size: 14pt;">Segundo Albergaria, &#8220;as moedas digitais devem ter as mesmas três funções clássicas de uma ‘moeda física’: ser meio de troca, ser uma reserva de valor e ser unidade de conta, como falam os economistas, tecnicamente. A grande vantagem é que ela reduz o que os economistas chamam de tempo de transação.”&nbsp;</span></p>
<p><span style="font-size: 14pt;">O ex-professor da Universidade de Chicago e Nobel de Economia de 1991, Ronald Coase (1910-2013), teorizou sobre a importância dos chamados “custos de transação” em economia.</span></p>
<p><span style="font-size: 14pt;">Basicamente, os custos de transação correspondem aos custos de utilização do mercado, segundo Coase. Exemplos de custos dessa natureza são os recursos gastos com a utilização de moedas físicas, como as idas ao banco para sacar dinheiro, os custos de armazenamento e moeda, o transporte das cédulas pelas instituições bancárias, dentre outros.&nbsp;</span></p>
<p><span style="font-size: 14pt;">“Se imaginarmos que, nos anos de 1980 e 1990, quem precisasse de dinheiro tinha que obrigatoriamente se dirigir a um banco, em dias e horários específicos, e esperar em uma fila para sacar o dinheiro, para a partir daí realizar transações, podemos notar que as moedas digitais facilitam muito o funcionamento dos mercados em economias capitalistas, uma vez que reduzem consideravelmente os custos de transação”, diz Albergaria.&nbsp;</span></p>
<p><strong><span style="font-size: 14pt;">ENTRAVES NO BRASIL&nbsp;</span></strong></p>
<p><span style="font-size: 14pt;">O professor diz que a criação de moedas digitais deve ser uma tendência para os próximos anos, mas vê entraves para sua concretização no país no momento atual.&nbsp;</span></p>
<p><span style="font-size: 14pt;">“Veremos cada vez mais iniciativas de empresas e bancos centrais para criar moedas digitais. Contudo, no Brasil, há desafios: a falta de educação financeira do brasileiro médio, e o acesso à internet, que não é universal. Mais do que isso, durante a pandemia, fica a dúvida de como a economia brasileira vai reagir aos efeitos adversos da Covid-19, assim como a maneira a partir da qual a instauração de uma moeda digital se daria no atual contexto econômico, que se encontra bastante fragilizado, na verdade”.</span></p>
<p><strong><span style="font-size: 14pt;">O ESPECIALISTA&nbsp;</span></strong></p>
<p><span style="font-size: 14pt;">Matheus Albergaria é Pós-doutor em Economia pela USP, Doutor em Administração de Empresas pela USP, Mestre em Artes pela The Ohio&nbsp;State University, Mestre em Teoria Econômica pela USP e graduado em Ciências Econômicas pela UFMG. Atua como professor na Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado desde o ano de 2003.</span></p>
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		<title>Por que há tanta incerteza na economia atualmente?</title>
		<link>https://www.fecap.br/2021/04/06/por-que-ha-tanta-incerteza-na-economia-atualmente/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Vagner Lima]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 06 Apr 2021 17:17:05 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Imprensa]]></category>
		<category><![CDATA[Economia]]></category>
		<category><![CDATA[FECAP]]></category>
		<category><![CDATA[incerteza]]></category>
		<category><![CDATA[macroeconomia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Autoria: Matheus Albergaria (matheus.fecap@gmail.com)  Professor de Economia da Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado (FECAP)  A incerteza desempenha um papel fundamental na economia, afetando decisões de consumo, emprego e investimento de consumidores e empresas. De fato, os economistas vêm destacando os potenciais efeitos adversos da incerteza [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-size: 14pt;"><strong>Autoria:</strong> <a href="https://www.linkedin.com/in/malbergariademagalhaes/">Matheus Albergaria</a> </span><span style="font-size: 14pt;">(<a href="mailto:matheus.fecap@gmail.com">matheus.fecap@gmail.com</a>) </span></p>
<p><em><span style="font-size: 14pt;">Professor de Economia da </span><a href="http://www.fecap.br"><span style="font-size: 14pt;">Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado (FECAP) </span></a></em></p>
<p><span style="font-size: 14pt;">A incerteza desempenha um papel fundamental na economia, afetando decisões de consumo, emprego e investimento de consumidores e empresas. De fato, os economistas vêm destacando os potenciais efeitos adversos da incerteza há décadas. Segundo alguns autores, quando aumenta o grau de incerteza na economia, o nível de atividade &#8211; mensurado a partir de medidas como o Produto Interno Bruto (PIB) ou o índice de produção industrial, por exemplo &#8211; pode vir a contrair de maneira significativa.</span></p>
<p><span style="font-size: 14pt;">Como isto ocorre? Em um cenário de alta incerteza, as famílias da economia passam a comprar menos bens e serviços, uma vez que acreditam que pode ser melhor guardar um pouco de dinheiro para o caso de algum imprevisto, como despesas adicionais com saúde ou alimentação, por exemplo. Por outro lado, as empresas da economia começam a ficar receosas de investir, ou seja, de construir novas edificações, comprar mais máquinas ou aumentar suas frotas de veículos, por exemplo. Assim, com o aumento da incerteza, várias empresas acabam optando por postergar importantes decisões de investimento, o que aumenta a diferença entre a capacidade máxima de produção das empresas da economia e sua produção efetiva (também conhecida como “capacidade ociosa&#8221;). Em meio a esse contexto, ganha destaque um tipo especial de capacidade ociosa, no qual um determinado número de trabalhadores não consegue encontrar vagas de emprego na economia (o chamado “desemprego involuntário”).</span></p>
<p><span style="font-size: 14pt;">Quais são os impactos econômicos da incerteza gerada pelo Coronavírus? Neste caso, o cenário atual fornece um exemplo concreto dos impactos da incerteza sobre a economia. Uma vez que a pandemia do COVID-19 corresponde a um evento inédito, ela pode ser vista como um “choque de incerteza” em nível agregado, com claros efeitos adversos em termos econômicos. Ao longo dos próximos parágrafos, vou tentar descrever de maneira resumida a maneira pela qual a pandemia aumentou a incerteza vigente na economia brasileira no período recente.  </span></p>
<p><span style="font-size: 14pt;">Em um primeiro momento, o surgimento da pandemia aumentou consideravelmente a incerteza entre as pessoas na sociedade, dado o fato de ser um evento sem precedentes. Especificamente, a velocidade de disseminação do vírus por várias localidades, assim como o considerável aumento no registro de casos e óbitos ao longo do ano de 2020, elevou ainda mais a incerteza, uma vez que as famílias e empresas não sabiam o que esperar do futuro próximo. Durante esse primeiro momento de pandemia, foi extremamente difícil fazer previsões acerca de sua evolução, assim como de possíveis soluções associadas. </span></p>
<p><span style="font-size: 14pt;">Em um segundo momento, a disseminação de informações difusas &#8211; tanto em termos de conteúdo quanto de veracidade &#8211; fez com que as famílias e empresas da economia nem sempre soubessem como agir durante a pandemia, o que também acabou elevando a incerteza agregada. A divulgação das chamadas “fake news”, com ênfase sobre os impactos negativos da pandemia, assim como as possíveis formas de combater esses impactos, acabou por confundir os agentes econômicos, elevando ainda mais a incerteza no país. De fato, alguns economistas já vinham destacando há décadas o importante papel de informações (corretas) para o funcionamento dos mercados. </span></p>
<p><span style="font-size: 14pt;">Em um terceiro momento, a variedade de soluções propostas para a resolução da pandemia em distintas localidades &#8212; como estados e municípios brasileiros &#8212; assim como a falta de coordenação na tomada de decisões, também contribuíram para aumentar a incerteza na sociedade. A título de exemplo, vale destacar as diferenças, em termos de conteúdo, das informações referentes às políticas de saúde implementadas por distintas esferas de governo, assim como o <i>timing</i> de implementação dessas decisões, o que acabou por confundir parte da população acerca do verdadeiro estado da pandemia no país em distintas ocasiões. </span></p>
<p><span style="font-size: 14pt;">Tomados em conjunto, esses três grandes momentos contribuíram para aumentar significativamente a incerteza na economia nacional. Ou seja, a escalada do número de casos e de óbitos a uma velocidade espantosa, assim como a divulgação de notícias deliberadamente falsas e a falta de coordenação na divulgação e implementação de algumas políticas públicas de saúde acabaram contribuindo para elevar a incerteza vigente no Brasil. Assim, embora a pandemia tenha inicialmente aumentado a incerteza vigente na economia, alguns dos acontecimentos posteriores acabaram reforçando os efeitos adversos reportados, em uma espécie de “ciclo vicioso”. Em última instância, mesmo sendo uma variável intangível, a incerteza acabou exercendo significativos impactos adversos sobre a economia brasileira no período recente.</span></p>
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		<title>Crise sanitária deve agravar desvalorização do real, diz especialista</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Vagner Lima]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 06 Apr 2021 16:27:41 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[desvalorização do real]]></category>
		<category><![CDATA[Economia]]></category>
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		<category><![CDATA[macroeconomia]]></category>
		<category><![CDATA[Matheus Albergaria]]></category>
		<category><![CDATA[real]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Não é preciso estudar Economia para perceber o quanto o real se desvalorizou nos últimos anos. Sobretudo, durante a pandemia de coronavírus. Toda dona de casa sente no bolso o poder de compra menor da moeda brasileira.   Para o professor da Fundação Escola de Comércio [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-size: 14pt;">Não é preciso estudar Economia para perceber o quanto o real se desvalorizou nos últimos anos. Sobretudo, durante a pandemia de coronavírus. Toda dona de casa sente no bolso o poder de compra menor da moeda brasileira.  </span></p>
<p><span style="font-size: 14pt;">Para o professor da <a href="http://www.fecap.br">Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado (FECAP)</a> <a href="https://www.linkedin.com/in/malbergariademagalhaes/">Matheus Albergaria</a>, é difícil fazer uma previsão otimista para a Economia.  </span></p>
<p><span style="font-size: 14pt;">“Valendo-se do cenário atual, estamos com sérios problemas em termos de políticas sanitárias focadas no combate à Covid-19. Se as coisas continuarem andando a passos lentos nos próximos seis meses, com a vacinação devagar como tem ocorrido, podemos esperar uma contínua desvalorização do real”, opina.  </span></p>
<p><span style="font-size: 14pt;">O especialista acredita que, neste momento, é fundamental um maior grau de coordenação das políticas de saúde pública. </span></p>
<p><span style="font-size: 14pt;">“Assistimos a uma tragédia anunciada no momento. Muito se fala, mas pouco se faz em âmbito nacional para combater de forma mais efetiva a crise sanitária. Os custos da omissão não são nada baixos: a disseminação de casos de COVID-19 e a perda de vidas humanas são uma tragédia que tem claros efeitos econômicos e sociais, a serem sentidos no curto, médio e longo prazos”, diz.  </span></p>
<p><span style="font-size: 14pt;">POR QUE O REAL SE DESVALORIZOU?  </span></p>
<p><span style="font-size: 14pt;">Na opinião de Albergaria, muitos fatores contribuíram para o cenário de desvalorização do Real, e todos eles afetaram diretamente a desvalorização da nossa moeda.  </span></p>
<p><span style="font-size: 14pt;">Em âmbito doméstico, diversos embates internos políticos, escândalos de corrupção e debates sobre a possibilidade de impeachment do Presidente da República contribuíram para a percepção que a comunidade internacional tem do País. Por outro lado, em âmbito internacional, o maior choque externo ocorrido no período recente foi, sem dúvida, a pandemia, que afetou todas as economias do mundo. </span></p>
<p><span style="font-size: 14pt;">“Notamos um grande padrão de heterogeneidade entre as respostas econômicas e sanitárias de distintas nações. Alguns países lidaram bem com o vírus, outros não. Essa percepção da comunidade internacional pode vir a afetar significativamente a taxa de câmbio de um país”. </span></p>
<p><span style="font-size: 14pt;">GOVERNO PRECISA AGIR </span></p>
<p><span style="font-size: 14pt;">Para atenuar o cenário, o governo pode atuar de diversas maneiras. </span></p>
<p><span style="font-size: 14pt;">“Há a possibilidade de operações cambiais, em que o governo compra e vende divisas, com o objetivo de tentar afetar a taxa de câmbio. Mas isso tem um limite: o total de divisas que o governo detém. </span></p>
<p><span style="font-size: 14pt;">Pensando no médio e no longo prazos, o governo pode tentar mudar a percepção que os investidores internacionais têm do Brasil, promovendo reformas estruturantes, embora seja importante lembrar que reformas desse tipo levam tempo para serem plenamente efetivadas. O ponto mais importante a ser ressaltado no momento diz respeito à falta de coordenação das políticas públicas de saúde no País. O Brasil não pode se dar o luxo de continuar cometendo erros no combate à pandemia”, finaliza. </span></p>
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