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ISSN  1517-7912

Volume 2  -  Número 4
 (outubro/novembro/dezembro -  2001)

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Um Estudo sobre os Paradigmas de Gestão do Processo do Século XX à Luz da Teoria Institucional, da Teoria Contingencial e do Paradigma de Kuhn

Carlos Frederico Mourilhe Roses - UNISINOS

Resumo

O objetivo deste estudo é relacionar os paradigmas de gestão do processo com a teoria institucional, a teoria contingencial e o conceito de paradigma de Kuhn (1989). São analisadas as influências do ambiente e das crises na gênese dos paradigmas. São abordados o taylorismo, o sistema Toyota de produção, a teoria das restrições e a reengenharia como paradigmas na gestão dos processos. Estes foram escolhidos pela sua influência histórica e abrangência mundial. A relação estreita das crises com o surgimento dos paradigmas, a influência do ambiente nos processos de institucionalização e a relação das teorias e o conhecimento organizacional são algumas das conclusões deste artigo.

Palavras-chave: Paradigmas de gestão, Teoria contingencial, Teoria institucional, Paradigma de Kuhn e Gestão de processo.

 

Abstract

This article outlines a relation among the process management paradigm with the institutional theory, the contingency theory and the Kuhn’s paradigm concept. The environment and the crises influences in the new paradigms are analyzed. The Taylorism, the Toyota’s production system, the theory of constrains and the reengineering are considered management paradigms.

The article then addresses some conclusions: the relation between crises and news paradigms, the influence of environment in institutional processes and the relation among theories and learning organization.

Key-words: Management paradigm, The contingency theory, The institutional theory, The Kuhn’s paradigm concept and process management.

 

 

1. Introdução

O século XX foi palco de inúmeras mudanças econômicas, sociais e tecnológicas. Diversos paradigmas atuaram e ainda continuam em cena atualmente. No entanto, qual é a influência do ambiente na gênese destes paradigmas? Que relações existem entre a teoria institucional, a teoria da contingência e o conceito de paradigma de Kuhn (1989)? As crises são a chave para os novos paradigmas?

Este estudo objetiva, através da análise sócio-econômica da gênese dos paradigmas da gestão de processos, relacioná-los com estas teorias. Serão abordados o taylorismo, o sistema Toyota de produção, a teoria das restrições e a reengenharia como paradigmas na gestão dos processos. Estes foram escolhidos pela sua influência histórica e abrangência mundial.

 

2. O paradigma taylorista

O final do século XIX caracterizou-se por um período de desaceleração da economia, de desgaste dos avanços da primeira revolução industrial. No entanto, por outro lado, a virada do século é caracterizada por uma mudança da situação econômica e conforme Landes (1994 :. 243) cita:

"Essa desaceleração só foi revertida por volta da passagem do século, quando uma série de grandes avanços abriu novas áreas de investimento. Esses anos assistiram à vigorosa infância, senão ao nascimento, da energia e dos motores elétricos; da química orgânica e dos sintéticos; do motor de combustão interna e dos dispositivos automotores; da indústria de precisão e da produção em linhas de montagem – um feixe de inovações que mereceu o nome de segunda revolução industrial."

Nesta segunda revolução industrial, o sistema capitalista é consolidado, a ciência e a tecnologia se casam e surge uma nova base técnica, a qual se caracteriza pela indústria eletromecânica. Este tipo de indústria potencializa a divisão do trabalho como conseqüência do tipo de equipamento. Por conseguinte, há um aumento de produtividade e de acumulação de capital. Neste cenário de início de século surgia a indústria automobilística liderada por Ford (1927) e seu modelo T. Em 1908, enquanto o modelo T era lançado, surgia também a General Motors. O progresso tecnológico nesta área era incipiente e, como cowboys desbravando o oeste, este nova tecnologia começa a ser desenvolvida.

O sistema de produção adotado por Ford teve uma influência significativa no progresso da indústria e da economia americana como um todo. O fordismo teve influências dentro e fora do terreno das suas fábricas. Do ponto de vista macroeconômico, Ford vislumbrou a necessidade de integrar o trabalhador no mercado consumidor e ,através do seguinte círculo virtuoso, puxou o crescimento econômico:

 

Figura 1: Círculo virtuoso do crescimento econômico no modelo fordista.

 

Neste sentido, os sindicatos tiveram influência importante na questão dos salários e o Estado na infraestrutura. Esta consistia nas condições para viabilizar o desenvolvimento produtivo como estradas e portos, como também, a responsabilidade pelo bem-estar social dos trabalhadores como saúde e segurança. No entanto, este círculo virtuoso só existe com o crescimento econômico e para tal, o aumento da produtividade era essencial. Neste ponto, surge Taylor com os princípios da administração científica para aumentar a eficiência e reduzir a porosidade do trabalho [1]. Segundo Taylor (1995), o trabalhador apresentava uma indolência natural e sistemática; e o trabalho deveria ser administrado de outra forma através de quatro princípios fundamentais:

1. Desenvolver o trabalho como uma ciência. Este princípio pressupunha um estudo criterioso de todos os elementos de cada atividade para extrair os métodos científicos de sua realização.

2. Selecionar e treinar o trabalhador. Neste ponto, significava uma determinação detalhada das tarefa do trabalhador, ou melhor dizendo, um adestramento do trabalhador.

3. Cooperar com os trabalhadores. Pode-se dizer que se tem um processo de compra através da remuneração por produtividade do consentimento do trabalhador em participar desta sistemática.

4. Dividir o trabalho entre a direção e o trabalhador. A direção se incumbe da administração do trabalho e o trabalhador, da responsabilidade tão somente pela execução.

Com estes princípios, o Taylorismo buscava o controle total do processo de trabalho e o aumento da produtividade através da sistematização das tarefas. No entanto, este processo de sistematização das tarefas era amplo e irrestrito, ou seja, buscava-se a melhoria de todas as etapas do processo simultaneamente. Neste período, um processo era visto como um somatório de atividades e que a melhoria local de uma delas necessariamente melhoraria o resultado final. Neste enfoque, a prioridade absoluta era a melhoria das tarefas e o treinamento do trabalhador. Este era reconhecido dentro do conceito literal de mão-de-obra, ou seja, desprovido de capacidade de raciocínio e iniciativa.

Esta estratégia pode ser justificada pelo incipiente desenvolvimento da nova tecnologia industrial da época, pois muitas eram melhorias necessárias. Conforme preconizado por Taylor (1995), havia uma necessidade de transformar os métodos empíricos em métodos científicos. Assim sendo, pode-se dizer que a gênese do taylorismo está relacionada à conjuntura existente na época. Conforme Donaldson (1997), a busca da organização ideal deve refletir uma preocupação de adequação da mesma ao seu ambiente e esta é a base da teoria da contingência. O conceito chave desta teoria é a incerteza da tarefa, ou seja, quanto mais incertas as tarefas, maior a necessidade de contingencialização constante. Neste ponto, o taylorismo através dos seus princípios buscava a eliminação da incerteza das tarefas, ou seja, eliminando a necessidade da contingencialização da organização. Segundo Donaldson (1997), as tarefas de baixa incerteza são melhor executadas através de uma estrutura organizacional hierarquizada e centralizada. Esta era a lógica do taylorismo. A busca da redução da incerteza de todas as atividades para que pudessem ser melhor controladas pela direção das organizações.

Os conceitos do taylorismo se espalham pelas organizações da época e passam a ser o paradigma dominante da gestão dos processos. Segundo Kuhn (1989), um novo paradigma surge da necessidade de resposta a problemas vivenciados pela comunidade científica e no momento que o mesmo é aceito passa a ser o objeto central das pesquisas. Desta forma, esta disseminação dos conceitos tayloristas pode ser explicada pelo conceito de paradigma de Kuhn, bem como pelos processos da teoria institucional.

Segundo Tolbert e Zucker (1997), o processo institucional é composto de três etapas: a habitualização, a objetificação e a sedimentação. O processo é desencadeado através da necessidade de uma inovação da estrutura atual, seja por mudanças tecnológicas ou legislação ou forças do mercado, gerando uma crise da estrutura vigente. Neste ponto, existe a primeira convergência com os conceitos preconizados por Kuhn (1989), onde a crise de um paradigma vigente gera a necessidade de um novo paradigma para resolver as questões não-resolvidas pelo anterior, resultando em uma revolução científica. A crise da época era a do final do século XIX e havia a necessidade de um novo paradigma para alavancar o círculo virtuoso do crescimento.

Segundo esta mesma perspectiva, antes da ascensão de um novo paradigma existe uma proliferação de teorias que tentam resolver o problema em questão. Neste ponto, encontra-se a primeira etapa da teoria institucional, a habitualização envolve a geração de novos arranjos estruturais em resposta a problemas organizacionais específicos. Como conceituado por Tolbert e Zucker (1997) este é chamado de estágio pré-institucional e que na perspectiva Kuhniana foi chamado de pré-paradigmático.

Após o desenvolvimento da solução para o problema vigente em uma realidade restrita, o próximo estágio é a objetificação que se caracteriza pela difusão desta nova estrutura, ampliando o seu espectro de atuação. Esta difusão será conseqüência de dois fatores: o monitoramento interorganizacional e a teorização. O monitoramento interorganizacional consiste na observação entre as organizações das soluções implementadas para os problemas comuns, ou seja, é um processo de imitação ou de benchmarking das melhores práticas encontradas. A premissa básica neste ponto é aquela que diz que reinventar a roda é muito mais caro do que utilizar uma solução já implementada com sucesso. O segundo fator, a teorização, é conseqüência do primeiro. Após várias aplicações bem-sucedidas surge a necessidade de organizar esta nova prática em uma teoria que sintetize este processo. O processo de teorização envolve duas tarefas básicas: a definição clara do problema em estudo e a justificação de um arranjo estrutural formal particular como a solução para o problema com bases lógicas ou empíricas. Neste ponto, na ótica kuhniana, da proliferação de teorias surge um novo paradigma que está sendo aplicado em várias realidades, sendo testado pela comunidade envolvida para sua validação e avaliação de sua capacidade de generalização. Passando pelo teste, seus conceitos são organizados em uma nova teoria, caracterizando-o como um novo paradigma. Neste ponto, Taylor aplicou os seus conceitos em diversas organizações e os teorizou através de suas obras [2].

O estágio de total institucionalização é chamado de sedimentação, o qual se caracteriza pela total propagação dos conceitos. Segundo Tolbert e Zucker (1997), a sedimentação se caracteriza tanto pela propagação de suas estruturas por todos os atores teorizados como adotantes adequados, como uma perpetuação das mesmas por um período longo de tempo. Este estágio se alinha ao conceito de ciência normal de Kuhn (1989). A ciência normal está relacionada ao reconhecimento por parte da comunidade científica de um conjunto de realizações passadas que serão a base para a sua prática posterior. Este reconhecimento se baseia na adesão de uma parcela significativa de partidários da teoria e formação da base para pesquisas futuras.

Assim, pode-se observar as analogias existentes entre a teoria institucional e os conceitos preconizados por Kuhn, as quais estão representadas nas Figuras 2 e 3. Além disso, observa-se as relações do Taylorismo com a conjuntura do ambiente através da teoria contingencial e com o conceito de paradigma e da teoria da institucionalização na sua disseminação. Pode-se caracterizar o paradigma de Taylor como o paradigma das melhorias locais, pois buscava a melhoria geral e irrestrita de todos os pontos do processo simultaneamente.

Fonte: Tolbert,P. e Zucker,L. Handbook de Estudos Organizacionais. São Paulo: Atlas, 1997: 207.

Figura 2: Etapas do processo institucional.

 

3. A crise do paradigma taylorista

Segundo Fajnzylber (1983), a indústria é o motor do crescimento da economia da segunda metade do século XX através de um processo de migração das atividades do campo para as

cidades. No período de 1900-1950, a produção industrial global cresce a uma taxa anual de 2,8% ao ano, enquanto no período de 1950-1975 a taxa é de 6,8% ao ano. Neste período, o crescimento industrial é superior ao crescimento global, com exceção dos Estados Unidos onde o crescimento industrial é igual ao global. Este processo de transformação mais lento nos Estados Unidos pode ser explicado por um amadurecimento da indústria americana, processo este similar a Inglaterra na segunda revolução industrial. Era o preço a ser pago pelo pioneirismo industrial. Em ambos os casos, a hegemonia mundial se enfraquece pelo desenvolvimento anterior. Neste ponto, o líder do desenvolvimento industrial é o Japão com taxas de crescimento de 12,7% ao ano durante quase 30 anos. Os setores que mais participaram deste desenvolvimento mundial foram o químico e o metal-mecânico como pode ser observado na Tabela 1.

(*) Segundo Kuhn (1989), os quebra-cabeças são um desafio à habilidade do cientista na solução dos problemas a partir do paradigma vigente. Quando não-resolvidos, levam à crise do paradigma e à necessidade da busca de um novo para solução do quebra-cabeça. No entanto, a metáfora do quebra-cabeça é utilizada, pois o objetivo é resolvê-lo sob a ótica do paradigma vigente e não falseá-lo.
Figura 3: O processo institucional sob a ótica do paradigma de Kuhn.

 

Tabela 1: Percentual de participação da indústria por segmento.

 

Mundial

Estados Unidos

Japão

Tipo de indústria

1955

1977

1955

1977

1955

1977

Alimentação e Vestuário

30

22

22

19

35

19

Madeira e derivados

16

13

17

15

26

10

Química

10

14

9

16

13

15

Derivada dos metais

10

7

10

6

8

10

Metal -mecânica

34

43

42

44

18

46

Fonte: Fajnzylber (1983: 36).

Estes números reforçam a constatação do amadurecimento industrial americano pela pequena redistribuição da participação dos segmentos em comparação com o desenvolvimento japonês. Pode-se observar neste período uma certa estagnação do crescimento industrial americano baseado no modelo taylorista.

O taylorismo como paradigma hegemônico perdurou até o final dos anos 60. Neste período, observa-se uma crise do sistema produtivo vigente. Esta crise se deve ao rompimento do círculo virtuoso do crescimento econômico definido na Figura 1, a saturação no consumo de bens, a diminuição do comércio, a queda da produtividade e a queda da produção. Esta crise é ainda mais aprofundada em 1973, com a crise do petróleo. Segundo Aloísio Teixeira (1983, p. 207), a crise deste período além de econômica é uma crise de idéias:

"...entende o período por que passamos como o de uma crise global ou crise sistêmica da economia mundial....Mas, por outro lado, nem no plano das idéias, nem na prática concreta dos povos, pode-se olhar o horizonte com otimismo. Pois esta crise é simultaneamente uma crise das teorias e uma crise das esperanças, o que leva aos homens que têm resistido há décadas ao arbítrio e à opressão a não ter outra alternativa que não uma tomada de posição defensiva no que toca às liberdades – sempre ameaçadas – e ao direito da humanidade de construir um futuro melhor."

Neste momento, simultaneamente, passa-se a ter uma crise do paradigma taylorista e este passa a não mais resolver os quebra-cabeças existentes, desencadeando o processo descrito na Figura 3 a nível mundial. No entanto, este paradigma já havia sido rompido conceitualmente por Shingo (1996) no Japão em 1945.

 

4. O sistema Toyota de produção

Segundo Shingo (1996), o mecanismo da produção deve ser definido como sendo uma intersecção de dois eixos de análise. Os processos no eixo Y, representando o fluxo de matérias-primas até o produto acabado e as operações no eixo X, representando o fluxo dos trabalhadores nas tarefas executadas. Este conceito muda o paradigma taylorista de que o processo é um somatório de operações e que ambos estão sob o mesmo eixo de análise. Assim, a melhoria do processo não passa pela melhoria das operações como preconizava Taylor, dividindo cada processo em pequenas operações. A melhoria passa principalmente pela melhoria dos processos, ou seja, do fluxo das matérias-primas e serviços associados. Isto muda o foco das organizações. Ao invés do foco no trabalhador e como melhor controlá-lo, passa-se a concentrar os esforços no processo.

Em conjunto com este conceito de Shingo (1996), Ohno (1997) desenvolveu dentro da Toyota Motor Company uma nova filosofia de produção, a qual foi batizada de Sistema Toyota de Produção. Este sistema se baseia em dois pilares básicos: o Just-in-time e a autonomação. O Just-in-time é a busca de atendimento das necessidades dos clientes na quantidade, qualidade e no prazo com o mínimo possível de estoque de produto acabado e processo. Já a autonomação é a automação dentro dos limites da inteligência e toque humano, ou seja, automatizar apenas o que é necessário. Com o Sistema Toyota de Produção, há uma mudança da unidade de produção. No paradigma taylorista, a unidade era um homem e uma máquina, inclusive os seus princípios eram implementados de forma individual. Enquanto no modelo japonês, a unidade de produção passa a ser um conjunto de operadores para um conjunto de máquinas e com a possibilidade de participação maior do trabalhador nas melhorias do processo. Em ambos os modelos, o reconhecimento do conhecimento tácito [3] dos trabalhadores é um fator destacado. No entanto, com Taylor, o objetivo era da captura deste conhecimento do trabalhador e transferência do mesmo para a direção da empresa. A palavra-chave é o controle através do conhecimento como explicitado no primeiro e quarto princípios da administração científica. Por outro lado, no Sistema Toyota de Produção, o conhecimento do trabalhador é capturado, mas o objetivo é do compartilhamento entre as células de trabalho. A palavra-chave é a melhoria contínua através do compartilhamento do conhecimento.

Assim sendo, da crise do paradigma taylorista surge um novo paradigma da gestão da produção: o Sistema Toyota de Produção. Esta mudança, embora anterior, só começa a ser percebida mundialmente pelo avanço japonês durante a década de 70.

Nesta transição, podemos observar novamente a influência da teoria contingencial, o paradigma de Kuhn e a teoria institucional. A gênese do sistema Toyota de produção é a crise do pós-guerra no Japão e, novamente, observa-se o nascimento de um novo paradigma a partir de uma crise. O povo japonês para reerguer o país necessitava, além de um sentimento nacionalista muito forte, de novas formas de solução para os quebra-cabeças vigentes. Assim, o Sistema Toyota de Produção traz esta nova solução e ainda abarca este sentimento de nacionalidade. Um dos pilares do sistema adotado é a eliminação das perdas e a situação precária da época não permitiria o luxo de haver desperdícios. Esta é uma prova da adaptação do sistema a conjuntura do ambiente e da aplicação da teoria contingencial. A Teoria institucional pode ser observada quando o sistema japonês de produção é disseminado pelo mundo. No entanto, nessa busca do elo perdido pelos outros países, esqueceram que o sistema era fruto de uma cultura e características próprias. Por isso, havia um descrédito no princípio da funcionalidade, da aplicabilidade e do sucesso deste novo sistema em outros locais. Entretanto, este obstáculo foi superado e os conceitos foram amplamente disseminados, mas nem sempre compreendidos totalmente.

Após a crise, o período das décadas de 70 a 90 é um período de reestruturação das economias avançadas. Este processo é liderado pelo Japão que já havia desenvolvido as ferramentas necessárias para enfrentar esta crise muitos anos atrás. Este processo de reestruturação é chamado da terceira revolução industrial e na Tabela 2 encontra-se as principais diferenças entre este período e o do taylorismo.

 

Tabela 2: Diferenças entre as características do Taylorismo e a da 3° revolução industrial

Princípios Gerenciais

Taylorismo

3° Revolução Industrial

Relação
capital-trabalho

Conflito.

Divisão entre direção e operação.

Relação hierarquizada e centralizada.

Cooperação.

Integração direção e operação.

Relação horizontal e descentralizada.

Organização
do processo
de trabalho

O conhecimento tácito do trabalhador é transferido para o gerente.

O conhecimento tácito do trabalhador é valorizado e compartilhado.

Gestão do fluxo
de materiais
e informações

A unidade de trabalho é um local/tarefa.

O trabalhador não participa das decisões e é considerado mão-de-obra.

A produção é empurrada, ou seja, a produção vem antes da venda.

As unidades de trabalho são compartilhadas pelas equipes

O trabalhador participa das decisões e é considerado cabeça-de-obra

A produção é puxada, ou seja, a venda vem antes da produção.

Relações
interempresariais

Verticalização

das empresas.

Terceirização das empresas. Concentração no foco de atuação.

 

5. A teoria das restrições

Neste período surge também a Teoria das Restrições(TOC) preconizada pelo físico israelense Eliyahu Goldratt (1986), a qual incorpora um conceito sistêmico nas organizações. Este conceito da empresa em uma visão sistêmica aparece primeiramente com Bertalanffy (1977) que conceituou a organização como um sistema de variáveis mutuamente dependentes e que deveria ser estudada como um sistema. Desta forma, as operações e os processos passam a fazer parte de uma teia de inter-relações interdependentes. Para o conceito taylorista, estas relações não existiam e cada atividade deveria ser tratada individualmente, inclusive os trabalhadores. Já no conceito do sistema Toyota de produção, estas relações são separadas por dois eixos e interligadas através do Kanban. Em 1948, Bertalanffy (1977) [4] já previra uma utilização dos conceitos da teoria geral dos sistemas nas organizações e citara que o crescimento da sua utilização estaria ligado aos aspectos dinâmicos e às organizações flexíveis.

No entanto, é com a teoria das restrições que este conceito sistêmico passa a ser incorporado às organizações, as quais passam a ser vistas como uma grande corrente composta por diversos elos interdependentes. O conceito chave é que sempre haverá um elo mais fraco onde a corrente rompe e este deve ser protegido. Assim sendo, pode-se observar uma ruptura conceitual com o paradigma taylorista e similaridades com o sistema Toyota de produção. Com Taylor havia uma crença que melhorias locais necessariamente melhorariam o resultado global, pois a premissa era que o todo é a soma das partes. Com a teoria das restrições, esta premissa é alterada e conceitua que a melhoria do elo mais fraco da corrente chamado de gargalo ou restrição resultaria na melhoria do todo. Desta forma, existe uma necessidade da análise sistêmica da organização como um todo, atacando o ponto mais frágil. Fazendo uma analogia com o paradigma taylorista e com a teoria das restrições, pode-se dizer que o primeiro se preocupava com o peso da corrente e o segundo, com a resistência da mesma. A relação com o sistema Toyota de produção está na sincronização das atividades da corrente através do Kanban, impossibilitando a geração de estoques intermediários e sincronizando a produção. Com a TOC, este processo é similar, porém, identifica-se a restrição do sistema e a vincula às demais atividades da empresa.

Além disso, a TOC não é apenas uma metodologia de sincronização de produção e sim um paradigma sistêmico de gestão. Conforme cita Corbertt Neto (1997: 39):

"A TOC é baseada no princípio de que existe uma causa comum para muitos efeitos, de que os fenômenos que vemos são conseqüências de causas mais profundas. Esse princípio nos leva a uma visão sistêmica da empresa."

Assim, a TOC pode ser definida como uma estratégia global para a organização. Goldratt (1994) conceituou que a estratégia da organização deve definir 3 pontos chaves:

1. Ganhar dinheiro hoje e no futuro

2. Satisfazer os funcionários hoje e no futuro

3. Satisfazer o mercado hoje e no futuro

 

6. A reengenharia

Durante a década de 70, o Japão passou a ser o país hegemônico mundial, devido aos seus avanços no modelo de gestão segundo o Sistema Toyota de Produção. Esta conquista se deve ao reconhecimento de que a inovação organizacional é mais importante que a inovação tecnológica. Isto pode ser comprovado na autonomação, um dos pilares do sistema, em que a automação dos equipamentos respeitava a necessidade e os limites da capacidade humana. Nos Estados Unidos, não houve esta consciência e durante este período houve um investimento maciço em tecnologia e automação. Estes investimentos não trouxeram os retornos esperados e pode-se observar que os conceitos de processos de Shingo (1996), embora teorizados e disseminados, não haviam sido completamente compreendidos.

Na década de 90, surge uma nova teoria de gestão chamada de Reengenharia e preconizada por Hammer e Champy (1994). Esta teoria surge da crise do modelo americano de gestão e da sua perda da hegemonia mundial para os japoneses. Pode-se observar nesta teoria uma relação estreita com a teoria contingencial, devido à necessidade de recuperar esta posição hegemônica americana. A reengenharia traz em seu núcleo uma mudança de foco das operações para os processos e do aumento da importância da inovação organizacional em detrimento da inovação tecnológica. Assim, observa-se que o processo institucional dos conceitos de Shingo (1996) e do Sistema Toyota de Produção foi um processo lento e difícil. Uma explicação para este fato pode ser a diferença cultural entre o Japão e os demais países do mundo ou a grande influência anglo-saxônica sobre o desenvolvimento organizacional mundial. Por outro lado, os conceitos da reengenharia foram rapidamente disseminados pelo mundo, embora, muitas vezes, incorretamente. A reengenharia foi confundida com downsizing ou utilizada para tal. Assim, os processos iniciais da teoria institucional (habitualização e objetificação) foram percorridas e, embora uma farta teorização tenha sido desenvolvida, pode-se observar que o ciclo não foi completado. A reengenharia não sedimentou as suas teorias e como tal, não se constitui em um novo paradigma sob a ótica Kuhniana.

Contudo, durante a reengenharia, observa-se uma redução dos níveis hierárquicos, graças a utilização da tecnologia da informação, possibilitando a passagem do controle da hierarquia para a tecnologia. Esta tecnologia baseada na micro-eletrônica é a nova base tecnológica do desenvolvimento mundial. Neste período também, os Estados Unidos recuperam a sua posição hegemônica.

 

7. Escassez dos recursos naturais

A passagem do século XX marca uma nova crise mundial: a escassez dos recursos naturais. O aumento da população e principalmente a utilização desenfreada dos recursos naturais pela grande maioria dos países levam a um colapso dos mesmos. Falta de energia, exclusão social de vários países e catástrofes climáticas são apenas alguns efeitos destes exemplos. Simultaneamente, a globalização consolidou o mercado global. A oferta e a demanda se internacionalizaram e a competitividade busca um novo patamar. Contudo, os paradigmas atuais não montam mais este quebra-cabeça e, segundo Kuhn (1989), pode-se classificar este período como pré-paradigmático. Neste momento, encontra-se, novamente, no despertar de um novo processo institucional, ou seja, há a necessidade do surgimento de uma nova forma de organização dos problemas. O grande paradigma a ser solucionado é como garantir a competitividade das organizações tendo que reverter o quadro de desemprego mundial, melhorar as condições ambientais do planeta e impulsionar a economia dentro de padrões de desenvolvimento sustentável. O novo paradigma, provavelmente, abarcará questões como o pensamento sistêmico e o Upsizing de Pauli (1999). O primeiro pela ineficiência das soluções lineares de causa-efeito e o segundo pela necessidade da otimização e preservação dos recursos existentes.

 

8. Conclusões

 

Através da análise dos paradigmas apresentados, conclui-se que, conforme preconizava Kuhn (1989), o surgimento de um novo paradigma está estreitamente relacionado a uma crise. A Tabela 3 mostra a relação dos paradigmas e as crises. Através destas conexões, pode-se afirmar que atualmente atravessa-se um período pré-paradigmático devido a crise da escassez dos recursos naturais.

 

Tabela 3: Os paradigmas e as crises do século XX

Crise

Paradigma

Desgaste do primeira revolução industrial

Taylorismo/Fordismo

Destruição japonesa na segunda guerra mundial

Sistema Toyota de Produção

Desgaste da segunda revolução industrial

Teoria das Restrições

Perda da hegemonia americana

Reengenharia

 

Entretanto, os processos de institucionalização destes paradigmas transcorreram de forma distintas. O taylorismo apresenta um alto grau de sedimentação das teorias, pois, embora datadas do início do século, ainda hoje estão presentes nas organizações. O sistema Toyota de produção, devido à sua ligação à cultura do povo japonês e a incompreensão dos seus conceitos, apresentou um processo de institucionalização mais lento dos seus conceitos. Os conceitos do sistema Toyota de produção foram teorizados em 1945 e, somente, na década de 70 começam a aparecer mundialmente. Na teoria das restrições, observa-se uma rápida disseminação de uma parte dos conceitos relacionados à produção, graças ao grande sucesso de vendagem do livro A Meta de Goldratt (1986) escrito em forma de romance. Este fato, por um lado, facilitou a disseminação dos conceitos, mas, por outro lado, restringiu a utilização da teoria de uma forma global nas organizações. Já na reengenharia, os processos de teorização e disseminação dos conceitos foram rápidos, o que pode ser explicado por uma influência anglo-saxônica nos estudos organizacionais. No entanto, os conceitos nem sempre são universais e conforme Rodrigues (2000) esta posição hegemônica das teorias anglo-saxônicas precisa ser questionada. Além disso, no caso da reengenharia, o ciclo não se fechou e as teorias não foram sedimentadas. Ademais, devido ao processo de globalização e o desenvolvimento das vias de comunicação, a velocidade do processo institucional tem-se acelerado e o ciclo de vida dos paradigmas diminuído. Isto se relaciona com a teoria contingencial, pois as constantes mudanças do ambiente (mercado, legislação e mudanças tecnológicas conforme Figura 2) levam à necessidade de constante contingencialização e inovação. Como disse Ohno (1997), "a necessidade é a mãe da invenção".

Outro ponto a observar é a relação destas teorias com o conhecimento organizacional. No taylorismo e na reengenharia, busca-se a captura do conhecimento tácito do trabalhador com objetivo de controlar e sistematizar as atividades. O primeiro o faz através dos princípios da administração científica e o segundo, através da tecnologia da informação, onde os sistemas de gestão empresariais (ERPs) são uma herança viva. Enquanto, no sistema Toyota de produção e na teoria das restrições, busca-se o resgate do conhecimento tácito para compartilhá-lo nas equipes e alavancar a inovação organizacional.

Pode-se observar também que o foco de atuação dos paradigmas se modificou no último século. De um lado, com Taylor (1995), o foco era as operações, ou seja, sistematizar as tarefas para melhorar o todo. Já no sistema Toyota de produção, tem-se a separação do mecanismo de produção em processos e operações e o foco muda para os processos. Aqui encontra-se uma similaridade entre os conceitos aplicados na Ford e na Toyota quanto a forma de regulação do processo. Ford (1927) desenvolveu a linha de montagem para otimizar os tempos do processo, enquanto na Toyota foi criado o Kanban. A diferença nesta relação é que para a Ford a demanda do mercado era infinita e na Toyota finita. Neste ponto, pode-se comprovar a influência do ambiente no desenvolvimento das teorias conforme a teoria da contingência. Nos tempos de Ford, o mercado estava sendo desenvolvido e criado pela própria empresa graças ao ciclo de crescimento ilustrado na Figura 1. Enquanto que, nos tempos do sistema Toyota de produção, o mercado era recessivo e a demanda menor que a oferta como atualmente. Desta forma, a linha de montagem objetivava maximizar a produtividade e o Kanban regular o fluxo e produzir só o que o cliente desejasse. Anos mais tarde, a teoria das restrições focava ainda mais os processos, incorporando o conceito sistêmico. E, finalmente, com a reengenharia, a gestão por processos é o foco principal de atuação. Assim sendo, o foco migra das operações para os processos no século XX.

Estas teorias apresentam um ponto de similaridade quanto ao processo de desenvolvimento das mesmas. O processo de geração se inicia no interior das organizações com aplicações específicas e locais. Após o sucesso destas experiências e a teorização subseqüente, os limites organizacionais são ultrapassados. Neste ponto, a teoria pode influenciar os desígnios econômicos das nações, como, por exemplo, o fez o taylorismo através do fordismo e, o sistema Toyota de produção.

Atualmente, há evidências de que os paradigmas dominantes não solucionam mais os problemas correntes, tais como: o desemprego global, a competitividade versus o desenvolvimento sustentável, a globalização versus a exclusão das nações, entre outros. Neste sentido, Almeida(1998), Aktouf(1996,2001) e Pauli(1999) apontam a necessidade de mudança do paradigma atual de gestão, incorporando conceitos de humanismo, remanufatura, administração sustentável e pensamento sistêmico. Gounet(1999) compartilha também críticas ao fordismo e ao sistema Toyota de produção, apontando a necessidade da criação de uma nova forma de regulação das relações empresa-empregado.

Assim sendo, defronta-se novamente com um processo de crise e de necessidade de novas soluções. Este momento, conforme o conceito de Kuhn(1989) é um momento de proliferação de novas teorias e classificado como pré-paradigmático. Mas, como surgirá este novo paradigma? Quais as premissas básicas para o surgimento de um novo solucionador de quebra-cabeças? Esta talvez seja a questão-chave para o desenvolvimento da ciência nos nossos dias.

 

9. Bibliografia

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Notas

[1] O conceito de porosidade do trabalho baseia-se em que o trabalho apresenta tempos livres ou ociosos e que estes tempos o tornam "poroso". Quanto maior estes tempos ociosos, maior a porosidade do trabalho.

[2] Destacam-se principalmente as obras: Shop management (1903) e Principles of scientific management (1911).

[3] Segundo Nonaka (1997), o conhecimento pode ser dividido em conhecimento explícito e tácito. O conhecimento explícito está relacionado à racionalidade, à objetividade e às teorias, ou seja, pode ser traduzido em regras e formalmente disseminado. Já o conhecimento tácito está relacionado à experiência, à subjetividade e à prática, ou seja, é pessoal e dificilmente traduzível a partir de esquemas teóricos. Entretanto, segundo Nonaka (1997), estes conhecimentos não são entidades separadas, mas mutuamente complementares.

[4] Embora a origem da teoria geral de sistemas seja de um período anterior a terceira revolução industrial, a mesma é citada neste ponto por estar relacionada à gênese da TOC.